{"id":83140,"date":"2026-07-28T17:28:56","date_gmt":"2026-07-28T20:28:56","guid":{"rendered":"https:\/\/economiasa.com.br\/blog\/?p=83140"},"modified":"2026-07-28T17:28:56","modified_gmt":"2026-07-28T20:28:56","slug":"r-400-bilhoes-em-jogo-bancos-miram-grandes-obras-e-deixam-pmes-sem-credito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/economiasa.com.br\/blog\/r-400-bilhoes-em-jogo-bancos-miram-grandes-obras-e-deixam-pmes-sem-credito\/","title":{"rendered":"R$ 400 bilh\u00f5es em jogo: Bancos miram grandes obras e deixam PMEs sem cr\u00e9dito"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Empresas m\u00e9dias com bons projetos esbarram em exig\u00eancias de porte, governan\u00e7a e volume m\u00ednimo de opera\u00e7\u00e3o, enquanto FIDCs ganham espa\u00e7o como alternativa de cr\u00e9dito para obras fora do circuito banc\u00e1rio tradicional<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Brasil tem um dos mercados de constru\u00e7\u00e3o mais pulverizados da economia, mas o\u00a0<strong>financiamento para produ\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria<\/strong>\u00a0ainda tende a se concentrar nas empresas que conseguem cumprir exig\u00eancias de\u00a0<strong>grande porte<\/strong>. De acordo com estudo, o pa\u00eds tem 165,8 mil empresas de constru\u00e7\u00e3o, que empregam 2,5 milh\u00f5es de pessoas e geraram\u00a0<strong>R$ 484,2 bilh\u00f5es<\/strong>\u00a0em valor de incorpora\u00e7\u00f5es, obras e servi\u00e7os. Por\u00e9m, a m\u00e9dia nacional \u00e9 de apenas 15 pessoas ocupadas por empresa, sinal de um setor formado majoritariamente por\u00a0<strong>companhias de menor escala<\/strong>. Pelo crit\u00e9rio do BNDES, uma empresa s\u00f3 \u00e9 considerada de grande porte quando tem receita operacional bruta anual acima de\u00a0<strong>R$ 300 milh\u00f5es<\/strong>, enquanto m\u00e9dias empresas ficam entre R$ 4,8 milh\u00f5es e R$ 300 milh\u00f5es. Esse recorte ajuda a explicar o descompasso entre a estrutura real do setor e o padr\u00e3o de risco exigido pelos bancos. Dados setoriais j\u00e1 indicaram que apenas cerca de\u00a0<strong>0,7%<\/strong>\u00a0das empresas da constru\u00e7\u00e3o poderiam ser consideradas grandes pelo n\u00famero de empregados, enquanto mais de\u00a0<strong>95%<\/strong>\u00a0estavam entre micro, pequenas e m\u00e9dias. Na pr\u00e1tica, isso significa que uma parcela expressiva das companhias que movimentam obras, empregos e demanda por insumos opera fora do perfil preferencial do cr\u00e9dito banc\u00e1rio tradicional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u00c9 nesse espa\u00e7o que os\u00a0<strong>FIDCs<\/strong>\u00a0passaram a ganhar relev\u00e2ncia como alternativa para construtoras e incorporadoras m\u00e9dias que t\u00eam projetos vi\u00e1veis, mas n\u00e3o se encaixam nos filtros mais r\u00edgidos dos bancos. O problema n\u00e3o costuma estar apenas na qualidade do empreendimento, mas no formato da opera\u00e7\u00e3o. Bancos tendem a olhar hist\u00f3rico de entrega, balan\u00e7o robusto, patrim\u00f4nio, garantias, governan\u00e7a, volume m\u00ednimo de opera\u00e7\u00e3o e capacidade de suportar ciclos longos de an\u00e1lise. Em muitos casos, projetos abaixo de\u00a0<strong>R$ 70 milh\u00f5es<\/strong>\u00a0ou\u00a0<strong>R$ 100 milh\u00f5es<\/strong>\u00a0de VGV (Valor Geral de Vendas) acabam fora do radar, mesmo quando t\u00eam demanda, terreno, documenta\u00e7\u00e3o e capacidade de execu\u00e7\u00e3o. Para Andr\u00e9 Luiz Haas Caruso, CEO da Pilar Capital, esse vazio de financiamento abre espa\u00e7o para estruturas mais flex\u00edveis, capazes de analisar o projeto pela l\u00f3gica econ\u00f4mica da opera\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o apenas pelo porte da empresa. \u201cExiste uma faixa importante de construtoras m\u00e9dias que n\u00e3o est\u00e1 buscando cr\u00e9dito por falta de projeto, mas por incompatibilidade com o modelo banc\u00e1rio tradicional. S\u00e3o empresas que muitas vezes t\u00eam obra bem localizada, bom hist\u00f3rico regional e demanda comprovada, mas n\u00e3o chegam ao\u00a0<strong>tamanho m\u00ednimo<\/strong>\u00a0ou \u00e0 estrutura exigida pelos grandes bancos. O FIDC entra justamente como uma alternativa de an\u00e1lise mais pr\u00f3xima da realidade da opera\u00e7\u00e3o, com foco no fluxo do empreendimento, nas garantias dispon\u00edveis e na capacidade de execu\u00e7\u00e3o, abrangendo desde projetos na faixa de\u00a0<strong>R$ 5 milh\u00f5es<\/strong>\u00a0at\u00e9 empreendimentos que ultrapassam\u00a0<strong>R$ 300 milh\u00f5es<\/strong>\u201d, afirma Caruso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0A discuss\u00e3o ganha for\u00e7a porque o cr\u00e9dito para produ\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria passou por um per\u00edodo de maior seletividade, mesmo com sinais recentes de recupera\u00e7\u00e3o no financiamento habitacional. Em 2025, a CBIC apontou que os bancos haviam reduzido em quase\u00a0<strong>50%<\/strong>\u00a0o financiamento para construtoras no acumulado de janeiro a abril, e estimava que o ano poderia terminar com\u00a0<strong>R$ 20 bilh\u00f5es<\/strong>\u00a0em aplica\u00e7\u00f5es para produ\u00e7\u00e3o, queda de\u00a0<strong>60%<\/strong>\u00a0em rela\u00e7\u00e3o a 2024. A Abecip tamb\u00e9m registrou retra\u00e7\u00e3o dos recursos da poupan\u00e7a direcionados \u00e0 constru\u00e7\u00e3o no in\u00edcio daquele ano, movimento que pressionou incorporadoras de m\u00e9dio padr\u00e3o e aumentou a busca por alternativas fora do canal banc\u00e1rio. Para construtoras pequenas e m\u00e9dias, a diferen\u00e7a entre conseguir ou n\u00e3o financiamento pode definir o ritmo de lan\u00e7amento, a compra de insumos, a contrata\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra e a capacidade de manter o cronograma. Nesse contexto, FIDCs imobili\u00e1rios e estruturas de cr\u00e9dito privado funcionam como uma\u00a0<strong>ponte entre investidores em busca de ativos lastreados na economia real<\/strong>\u00a0e empresas que precisam transformar receb\u00edveis, contratos e fluxo futuro em capital para execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0A leitura macroecon\u00f4mica refor\u00e7a a import\u00e2ncia dessa agenda. O setor de constru\u00e7\u00e3o civil continua operando sob juros elevados, custos pressionados e cr\u00e9dito mais criterioso, combina\u00e7\u00e3o que tende a favorecer empresas com balan\u00e7os maiores e deixar construtoras m\u00e9dias em uma zona de dif\u00edcil acesso. A pr\u00f3pria CBIC j\u00e1 havia alertado que a Selic em patamares altos limitava o potencial de expans\u00e3o do setor, mesmo em um ciclo de demanda aquecida. Para o mercado financeiro, essa lacuna representa mais do que uma\u00a0<strong>dificuldade operacional<\/strong>\u00a0das construtoras. Ela mostra um espa\u00e7o de\u00a0<strong>origina\u00e7\u00e3o para cr\u00e9dito estruturado<\/strong>, com opera\u00e7\u00f5es menores do que as grandes emiss\u00f5es, mas relevantes o suficiente para movimentar cadeias locais de fornecedores, empregos e obras. \u201cQuando o cr\u00e9dito n\u00e3o chega \u00e0 empresa m\u00e9dia, o impacto n\u00e3o fica restrito ao incorporador. Ele aparece no atraso de obra, na posterga\u00e7\u00e3o de lan\u00e7amentos, na redu\u00e7\u00e3o de compras junto \u00e0 cadeia de materiais e na menor gera\u00e7\u00e3o de empregos. Em um pa\u00eds com um setor t\u00e3o pulverizado, destravar financiamento para construtoras m\u00e9dias \u00e9 tamb\u00e9m destravar parte da economia real. O desafio \u00e9 construir estruturas com\u00a0<strong>seguran\u00e7a, governan\u00e7a e agilidade<\/strong>, para que bons projetos n\u00e3o fiquem parados apenas porque n\u00e3o cabem no modelo banc\u00e1rio padr\u00e3o\u201d, afirma Andr\u00e9 Luiz Haas Caruso, CEO da Pilar Capital.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Empresas m\u00e9dias com bons projetos esbarram em exig\u00eancias de porte, governan\u00e7a e volume m\u00ednimo de opera\u00e7\u00e3o, enquanto FIDCs ganham espa\u00e7o como alternativa&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":30,"featured_media":83141,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2017],"tags":[],"ppma_author":[13239],"class_list":["post-83140","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-informacoes"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.2 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>R$ 400 bilh\u00f5es em jogo: Bancos miram grandes obras e deixam PMEs sem cr\u00e9dito - 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