{"id":85621,"date":"2026-09-15T20:46:40","date_gmt":"2026-09-15T23:46:40","guid":{"rendered":"https:\/\/economiasa.com.br\/blog\/?p=85621"},"modified":"2026-09-15T20:46:40","modified_gmt":"2026-09-15T23:46:40","slug":"brasil-que-floresce-alem-do-agronegocio-tradicional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/economiasa.com.br\/blog\/brasil-que-floresce-alem-do-agronegocio-tradicional\/","title":{"rendered":"Brasil que floresce al\u00e9m do agroneg\u00f3cio tradicional"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Em meio aos campos dominados pelas grandes safras, culturas menores e especializadas, como a produ\u00e7\u00e3o de flores, movimentam neg\u00f3cios, sustentam fam\u00edlias e revelam a diversidade do agro no pa\u00eds<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O campo brasileiro \u00e9 marcado por gigantes. Soja, milho, cana-de-a\u00e7\u00facar, caf\u00e9 e algod\u00e3o, as cinco principais culturas do pa\u00eds, ocupam milh\u00f5es de hectares e sustentam pilares estrat\u00e9gicos da economia nacional. Mas, entre essas lavouras que abastecem o Brasil e diferentes mercados internacionais, existe outro universo rural, mais discreto, embora igualmente relevante: o das culturas de nicho, especializadas, que atendem segmentos como gastronomia, jardinagem e decora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse cen\u00e1rio, produtoras como Maria L\u00facia Nogueira Louren\u00e7o, da Morro Agudo Hortali\u00e7as Especiais, sediada em Bom Sucesso, na cidade de Teres\u00f3polis (RJ), encontraram um caminho s\u00f3lido para prosperar. H\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas na lavoura, ela e o marido come\u00e7aram cultivando alimentos tradicionais, como br\u00f3colis e alface. Mas foi ao investir em flores comest\u00edveis, h\u00e1 cinco anos, que o neg\u00f3cio floresceu \u2014 literalmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNo in\u00edcio, colh\u00edamos 20 potinhos e vend\u00edamos 10. N\u00e3o havia mercado. Mesmo assim, n\u00e3o desistimos\u201d, recorda. A persist\u00eancia transformou a atividade: hoje, Maria L\u00facia cultiva mais de dez tipos de flores comest\u00edveis \u2014 como amor-perfeito, capuchinha, tagete, cravina e rosas \u2014 e se consolidou como uma das principais produtoras do Rio de Janeiro. Seus clientes s\u00e3o restaurantes e chefs que buscam cores, texturas e aromas \u00fanicos para a alta gastronomia. \u201cTrabalhamos com tudo que \u00e9 diferente, buscando sempre inovar na produ\u00e7\u00e3o\u201d, resume a agricultora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim como Maria L\u00facia, o engenheiro agr\u00f4nomo William R. Hannemann, da empresa Bela Flor Plantas, de Campo Largo (PR), tamb\u00e9m apostou em uma cultura pouco convencional: o cultivo de plantas ornamentais. O neg\u00f3cio, que surgiu de uma necessidade familiar, evoluiu at\u00e9 se tornar uma refer\u00eancia em qualidade. \u201cO conhecimento foi a maior dificuldade no in\u00edcio \u2014 aprender o que cada esp\u00e9cie precisa, entender as pragas, o manejo, o substrato. Hoje, temos duas unidades: uma para mudas e outra para a produ\u00e7\u00e3o de vasos e cuias\u201d, explica. A empresa, com 20 anos de atua\u00e7\u00e3o, atende principalmente prefeituras e grandes lojas de jardinagem, os chamados\u00a0<em>garden centers<\/em>.<br><br>No Oeste do Paran\u00e1, em Marip\u00e1, outra hist\u00f3ria mostra como culturas ornamentais tamb\u00e9m podem impulsionar economias locais. \u00c0 frente do Orquid\u00e1rio Marip\u00e1 & Cia Ltda, o produtor Elemar Stibbe iniciou o cultivo de orqu\u00eddeas a partir de uma demanda gerada por um projeto do pr\u00f3prio munic\u00edpio, que incentivou a ornamenta\u00e7\u00e3o de ruas e pra\u00e7as com a planta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cCom o tempo, as orqu\u00eddeas foram crescendo, ficaram bonitas e come\u00e7aram a atrair visitantes. As pessoas vinham \u00e0 cidade e queriam comprar mudas, mas n\u00e3o existia nenhum produtor aqui\u201d, conta. O in\u00edcio foi modesto, no fundo do quintal, enfrentando dificuldades t\u00e9cnicas, financeiras e de infraestrutura. Hoje, ap\u00f3s mais de 25 anos de trajet\u00f3ria, o cultivo ocupa uma \u00e1rea de 27 mil metros quadrados. O produtor cultiva esp\u00e9cies nativas e ex\u00f3ticas, trabalha com mudas clonadas de maior valor comercial e vende para todo o Brasil pela internet.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 uma cultura pouco conhecida, mas cheia de tradi\u00e7\u00e3o, resiste no interior de S\u00e3o Paulo. Em Guatapar\u00e1, a produ\u00e7\u00e3o da raiz-de-l\u00f3tus (renkon) atravessa gera\u00e7\u00f5es desde antes da d\u00e9cada de 1970. Masaharu Takagi\u00a0assumiu o cultivo em 2012, ap\u00f3s o falecimento do sogro, e decidiu manter viva uma atividade hist\u00f3rica do munic\u00edpio. \u201cN\u00e3o posso deixar isso acabar. Esse cultivo faz parte da identidade da cidade\u201d, afirma. Plantada em \u00e1reas alagadas, a raiz-de-l\u00f3tus exige manejo totalmente manual, desde o plantio at\u00e9 a colheita, feita com jatos d\u2019\u00e1gua para evitar danos ao produto. Da planta, praticamente nada se perde. Dos talos, por exemplo, podem ser extra\u00eddas fibras internas que d\u00e3o origem a fios semelhantes ao fio de seda. As folhas grandes e verdes podem ser secas para a produ\u00e7\u00e3o de ch\u00e1, conhecido por suas propriedades medicinais e benef\u00edcios \u00e0 sa\u00fade humana. J\u00e1 as sementes s\u00e3o comest\u00edveis, assim como a raiz \u2013 principal raz\u00e3o do cultivo da planta. Apesar de toda essa versatilidade, a flor-de-l\u00f3tus em si tem baixa durabilidade, o que dificulta a comercializa\u00e7\u00e3o. Ainda assim, sua est\u00e9tica singular mant\u00e9m a demanda em nichos espec\u00edficos. Atualmente, a produ\u00e7\u00e3o de Masaharu Takagi ocupa cerca de um hectare por ano e abastece principalmente a comunidade asi\u00e1tica no estado de S\u00e3o Paulo, rendendo uma produ\u00e7\u00e3o de 50 a 60 caixas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Parceria para crescer<\/strong><strong><br><\/strong><br>Dados da safra 2025\/2026 mostram que, especificamente nas atividades relacionadas ao plantio de flores e similares, os n\u00fameros consolidados do Sicredi para os estados do Paran\u00e1, S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro totalizam mais de R$ 16,8 milh\u00f5es movimentados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEsses produtores representam a for\u00e7a da diversidade no campo. Cada investimento feito nessas atividades contribuiu para fortalecer cadeias produtivas locais, gerar renda e ampliar o desenvolvimento regional. \u00c9 o tipo de crescimento que o cooperativismo acredita e apoia\u201d, destaca o gerente de Desenvolvimento de Neg\u00f3cios da Central Sicredi PR\/SP\/RJ, Gilson Farias.<br><br>Esses exemplos mostram que, no agroneg\u00f3cio brasileiro, h\u00e1 espa\u00e7o para muito al\u00e9m das grandes\u00a0<em>commodities<\/em>. E, para que pequenos e m\u00e9dios produtores consigam investir, inovar e se manter competitivos, o apoio financeiro adequado faz a diferen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 nesse contexto que o papel das cooperativas ganha for\u00e7a, como explica Tha\u00edsa Carla dos Reis Aguiar, gerente de Neg\u00f3cios Agro da ag\u00eancia Sicredi de Teres\u00f3polis, que atende Maria L\u00facia: \u201cApoiamos o pequeno produtor com orienta\u00e7\u00e3o, cr\u00e9dito consciente e solu\u00e7\u00f5es personalizadas, ajudando-o a crescer de forma sustent\u00e1vel e com prop\u00f3sito.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre as mais de 300 solu\u00e7\u00f5es oferecidas pela institui\u00e7\u00e3o financeira cooperativa, h\u00e1 linhas de cr\u00e9dito espec\u00edficas para o campo, como o cr\u00e9dito de custeio, o Proagro \u2014 com cobertura de seguro \u2014 e os investimentos via BNDES, voltados para quem deseja construir estufas, adquirir equipamentos ou ampliar a produ\u00e7\u00e3o. Foi com esse tipo de suporte que Maria L\u00facia conseguiu investir em cultivo protegido, automatizar irriga\u00e7\u00e3o e aduba\u00e7\u00e3o e transformar o neg\u00f3cio familiar em uma refer\u00eancia estadual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA Maria L\u00facia \u00e9 um grande exemplo disso. Ela confiou no Sicredi, e hoje tudo \u00e9 resolvido com visitas e mensagens \u2014 sem precisar ir \u00e0 ag\u00eancia. Esse relacionamento pr\u00f3ximo \u00e9 o que faz a diferen\u00e7a\u201d, observa Tha\u00edsa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do alimento ao ornamento, das flores comest\u00edveis \u00e0s orqu\u00eddeas e \u00e0 raiz de l\u00f3tus, hist\u00f3rias como as de Maria L\u00facia, William, Elemar e Masaharu mostram que o agroneg\u00f3cio brasileiro \u00e9 diverso, resiliente e pulsante. Pequenas culturas, quando bem cuidadas, tamb\u00e9m podem gerar grandes resultados \u2014 e colorir o futuro da agricultura nacional com novas possibilidades.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meio aos campos dominados pelas grandes safras, culturas menores e especializadas, como a produ\u00e7\u00e3o de flores, movimentam neg\u00f3cios, sustentam fam\u00edlias e&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":47,"featured_media":85622,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10190],"tags":[],"ppma_author":[13248],"class_list":["post-85621","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-agricultura"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.2 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Brasil que floresce al\u00e9m do agroneg\u00f3cio tradicional - Economia S\/A<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/economiasa.com.br\/blog\/brasil-que-floresce-alem-do-agronegocio-tradicional\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Brasil que floresce al\u00e9m do agroneg\u00f3cio tradicional - 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