{"id":88324,"date":"2026-11-06T08:19:58","date_gmt":"2026-11-06T11:19:58","guid":{"rendered":"https:\/\/economiasa.com.br\/blog\/?p=88324"},"modified":"2026-11-06T08:19:59","modified_gmt":"2026-11-06T11:19:59","slug":"brasil-tem-tudo-para-liderar-a-transicao-energetica-se-agir-agora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/economiasa.com.br\/blog\/brasil-tem-tudo-para-liderar-a-transicao-energetica-se-agir-agora\/","title":{"rendered":"Brasil tem tudo para liderar a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, se agir agora"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Nesta entrevista, Raphaella Gomes, CEO da New Gaia, analisa como a integra\u00e7\u00e3o entre agroneg\u00f3cio, bioenergia e capital pode transformar o potencial brasileiro em lideran\u00e7a global e alerta que essa janela de oportunidade exige a\u00e7\u00e3o, investimentos e seguran\u00e7a regulat\u00f3ria.<\/em><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>O Brasil j\u00e1 resolveu algo que o mundo ainda tenta entender. O que exatamente o pa\u00eds fez certo quando falamos de energia e bioenergia?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Brasil construiu, ao longo de d\u00e9cadas, uma vantagem competitiva estrutural dif\u00edcil de replicar: a integra\u00e7\u00e3o entre energia, agricultura e escala industrial. Enquanto o mundo debate como descarbonizar o transporte ou a ind\u00fastria pesada, n\u00f3s j\u00e1 temos resposta pr\u00e1tica: etanol, biomassa, biog\u00e1s, bioeletricidade. Isso n\u00e3o foi acidente. Foi pol\u00edtica industrial de longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na d\u00e9cada de 1970, diante do choque do petr\u00f3leo, o pa\u00eds decidiu investir maci\u00e7amente no Pro\u00e1lcool. D\u00e9cadas depois, somos um dos maiores produtores e exportadores de etanol do mundo, com tecnologia de ponta desenvolvida internamente e uma cadeia produtiva integrada que o mundo inteiro tenta agora replicar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados confirmam: o Brasil produz mais de 36 bilh\u00f5es de litros de etanol por ano e possui uma matriz el\u00e9trica com mais de 80% de fontes renov\u00e1veis, uma das mais limpas do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que o pa\u00eds fez certo foi n\u00e3o separar energia de agricultura. A cana-de-a\u00e7\u00facar \u00e9 o melhor exemplo disso: a mesma planta que produz a\u00e7\u00facar gera etanol de primeira e segunda gera\u00e7\u00e3o, bioeletricidade e, no futuro pr\u00f3ximo, SAF e combust\u00edvel mar\u00edtimo. Isso \u00e9 uma vantagem que levou 50 anos para construir, e que n\u00e3o se copia da noite para o dia.<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"2\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Hoje se fala muito em descarboniza\u00e7\u00e3o, mas ainda h\u00e1 pouca clareza sobre sua aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica. Como esse conceito se traduz no dia a dia do setor produtivo?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para mim descarboniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um custo que o setor produtivo precisa absorver por press\u00e3o regulat\u00f3ria ou reputacional. \u00c9, antes de tudo, uma estrat\u00e9gia de seguran\u00e7a energ\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Brasil importa entre 85% e 90% de todos os fertilizantes que consome. Seguimos importando diesel, GNL, derivados de petr\u00f3leo. Cada vez que h\u00e1 uma disrup\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica \u2014 um conflito no Oriente M\u00e9dio, um ataque a infraestrutura no Catar \u2014 o custo dessa depend\u00eancia fica claro na conta das empresas brasileiras. A descarboniza\u00e7\u00e3o, quando feita de forma adequada, \u00e9 a resposta estrutural a essa vulnerabilidade. Produzir biometano a partir de res\u00edduos, substituir diesel por combust\u00edvel renov\u00e1vel produzido localmente, gerar bioeletricidade a partir de biomassa, tudo isso reduz exposi\u00e7\u00e3o a choques externos e aumenta previsibilidade de custo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na pr\u00e1tica, descarbonizar um setor produtivo significa substituir insumos f\u00f3sseis por alternativas de baixo carbono, medir essa substitui\u00e7\u00e3o com rigor \u2014 Escopos 1, 2 e 3, an\u00e1lise de ciclo de vida \u2014 e transformar essa performance em diferencial competitivo real: acesso a mercados, custo de capital menor e posi\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria mais forte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O \u00edndice de pol\u00edtica de incerteza econ\u00f4mica global em 2025 bateu 628 pontos \u2014 mais alto do que durante a COVID. Isso significa que as empresas est\u00e3o operando num ambiente de alt\u00edssima instabilidade. E nesse contexto, quem tem uma tese de descarboniza\u00e7\u00e3o s\u00f3lida, com dados reais e projetos bankable, ganha resili\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o setor sucroenerg\u00e9tico especificamente, a aplica\u00e7\u00e3o \u00e9 imediata: certifica\u00e7\u00e3o de sustentabilidade internacionalmente reconhecida, invent\u00e1rio de emiss\u00f5es com metodologia GHG Protocol, e portf\u00f3lio diversificado, as empresas que souberem atuar neste cen\u00e1rio v\u00e3o capturar vantagens competitivas reais, as demais v\u00e3o depender apenas do pre\u00e7o da commodity.<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"3\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>A transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica global est\u00e1 acontecendo de forma estruturada ou ainda vemos movimentos fragmentados entre pa\u00edses e setores?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 movimentos simult\u00e2neos e contradit\u00f3rios: a China hoje gera 40% mais eletricidade do que os EUA e a Uni\u00e3o Europeia combinados (10.069 TWh por ano)\u00a0 e lidera o registro de patentes em energia limpa, com mais de 5.000 por ano, superando Europa e EUA. Ao mesmo tempo, as emiss\u00f5es chinesas permanecem em torno de 12 GtCO\u2082, praticamente estabilizadas desde 2024, mas ainda muito relevantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na outra ponta, a Europa continua sendo a refer\u00eancia em capital sustent\u00e1vel: 22% dos ativos de fundos de a\u00e7\u00f5es s\u00e3o sustent\u00e1veis na Europa, contra 1,3% nos EUA. E o mercado volunt\u00e1rio de carbono est\u00e1 crescendo \u2014 a demanda por cr\u00e9ditos de captura de g\u00e1s e superpoluentes subiu 33% entre 2024 e 2025. Floresta e combust\u00edveis alternativos lideram as retiradas de cr\u00e9dito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas h\u00e1 tamb\u00e9m recuos preocupantes. A Net-Zero Banking Alliance, coaliz\u00e3o apoiada pela ONU que reunia os maiores bancos do mundo, encerrou formalmente as opera\u00e7\u00f5es em outubro de 2025 \u2014 ap\u00f3s a sa\u00edda em cascata de bancos americanos, canadenses e europeus sob press\u00e3o pol\u00edtica e amea\u00e7as de processos antitruste nos Estados Unidos, a revers\u00e3o de incentivos nos Estados Unidos com o One Big Beautiful Bill, sa\u00edda do pa\u00eds do Acordo de Paris e a fragmenta\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas clim\u00e1ticas entre diferentes blocos geopol\u00edticos \u2013 tudo isso gera incerteza para quem investe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o Brasil, essa fragmenta\u00e7\u00e3o \u00e9 uma oportunidade, n\u00e3o um obst\u00e1culo. Somos o \u00fanico pa\u00eds com vantagem competitiva simult\u00e2nea em m\u00faltiplos vetores: biocombust\u00edveis, biomassa, matriz el\u00e9trica renov\u00e1vel, capacidade agr\u00edcola e tecnologia nacional. Num mundo em que a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica tamb\u00e9m \u00e9 uma disputa geopol\u00edtica, o Brasil pode ser a resposta, desde que construa posicionamento proativo. Posicionamento \u00e9 o que converte potencial em contrato.<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"4\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>O biometano \u00c9 hoje uma realidade consolidada ou ainda enfrenta desafios estruturais para expans\u00e3o?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 uma realidade que est\u00e1 se consolidando, mas que ainda n\u00e3o chegou \u00e0 escala que deveria. Tenho orgulho de ter estruturado o primeiro contrato livre de biometano no novo mercado de g\u00e1s brasileiro \u2013 foi um marco. Desde 2018, quando as primeiras plantas entraram em opera\u00e7\u00e3o, o crescimento foi consistente. A regula\u00e7\u00e3o acompanhou bem: a equipara\u00e7\u00e3o do biometano ao g\u00e1s natural pela ANP, a Lei do Combust\u00edvel do Futuro, e mais recentemente o CGOB \u2013 Certificado de Garantia de Origem do Biometano \u2013 s\u00e3o avan\u00e7os legislativos importantes que d\u00e3o credibilidade ao mercado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas ainda estamos produzindo algo em torno de 3 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos por dia quando temos potencial para mais de 100 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os desafios estruturais s\u00e3o conhecidos: custo de conex\u00e3o \u00e0 rede de gasodutos, instabilidade regulat\u00f3ria hist\u00f3rica no setor de g\u00e1s, e a quest\u00e3o da precifica\u00e7\u00e3o do atributo ambiental. O marco regulat\u00f3rio do Combust\u00edvel do Futuro e o CGOB s\u00e3o passos importantes, mas a credibilidade do certificado ainda precisa ser constru\u00edda internacionalmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dado relevante para essa discuss\u00e3o \u00e9 que o mundo est\u00e1 experimentando uma demanda explosiva por energia firme e despach\u00e1vel. Com 102 GW de pedidos globais de turbinas a g\u00e1s contra uma capacidade de produ\u00e7\u00e3o de apenas 60 GW por ano, h\u00e1 escassez real de gera\u00e7\u00e3o base. O biometano, como fonte despach\u00e1vel e renov\u00e1vel, tem um papel \u00fanico a jogar nesse contexto \u2014 especialmente numa matriz como a brasileira, onde a complementaridade com hidro e solar \u00e9 natural.<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"5\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Entre SAF, e-fuels, CO2 biog\u00eanico e biocombust\u00edveis avan\u00e7ados, onde est\u00e3o hoje as maiores oportunidades reais de neg\u00f3cio?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SAF via rota Alcohol to Jet \u00e9 a oportunidade mais concreta e imediata para o Brasil. E-fuels s\u00e3o promessa de longo prazo \u2014 os dados europeus de hidrog\u00eanio verde deixam isso claro: a Europa tinha 308 MW de capacidade de eletr\u00f3lise instalada em 2024, contra uma necessidade de 100 GW para atingir a meta de 10 milh\u00f5es de toneladas anuais de hidrog\u00eanio verde em 2030. A dist\u00e2ncia \u00e9 enorme e n\u00e3o \u00e9 aposta para o curto prazo ou m\u00e9dio prazo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SAF \u00e9 diferente. H\u00e1 mandatos concretos e a demanda est\u00e1 formada e crescendo. E a rota ATJ (Alcohol to Jet) usa etanol dispon\u00edvel, infraestrutura existente e tecnologia validada. O gargalo \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o das unidades de convers\u00e3o, que leva de 5 a 10 anos. Por isso precisamos come\u00e7ar logo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O CO\u2082 biog\u00eanico \u00e9 um ativo subestimado. O biog\u00e1s tem composi\u00e7\u00e3o de 50% CH\u2084 e 50% CO\u2082 biog\u00eanico. Na rota Power to Liquid, esse CO\u2082 pode ser usado para produzir combust\u00edveis sint\u00e9ticos. No curto prazo, esse CO\u2082 pode tamb\u00e9m ser capturado e comercializado via mercado de cr\u00e9ditos de carbono \u2014 uma fonte de receita adicional que ainda n\u00e3o est\u00e1 adequadamente precificada na maioria dos projetos brasileiros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ordem de prioridade que eu defendo \u00e9: etanol como substituto de combust\u00edvel mar\u00edtimo e SAF ATJ no m\u00e9dio prazo (5-10 anos), biometano no curto-m\u00e9dio prazo, captura e uso de CO\u2082 biog\u00eanico como receita complementar e e-fuels como horizonte de longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"6\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>O Brasil avan\u00e7ou com o marco regulat\u00f3rio do combust\u00edvel sustent\u00e1vel de avia\u00e7\u00e3o (SAF). Como essa regulamenta\u00e7\u00e3o pode impactar a competitividade do pa\u00eds e a gera\u00e7\u00e3o de novos neg\u00f3cios?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mandato brasileiro de SAF \u2013 o Pro-BioQAV, que entra em vigor em 2027 com 1% de mistura \u2013 e um sinal de mercado importante. N\u00e3o \u00e9 t\u00e3o ambicioso quando comparado com os mandatos europeus, mas \u00e9 um come\u00e7o e cria a estrutura de demanda interna que permite projetos de produ\u00e7\u00e3o no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os mandatos globais de SAF est\u00e3o criando uma demanda estrutural e crescente. A Europa j\u00e1 tem mandatos em vigor. Jap\u00e3o e Vietn\u00e3 tamb\u00e9m est\u00e3o avan\u00e7ando com obriga\u00e7\u00f5es de mistura. Os EUA, com o atual cen\u00e1rio pol\u00edtico, devem focar no produtor dom\u00e9stico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O CORSIA, adotado pela Organiza\u00e7\u00e3o da Avia\u00e7\u00e3o Civil Internacional em 2016 e aplic\u00e1vel aos 193 Estados-membros e constitui o principal instrumento de governan\u00e7a clim\u00e1tica para a avia\u00e7\u00e3o internacional e um driver regulat\u00f3rio para a demanda de SAF.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso cria um mercado de exporta\u00e7\u00e3o real para o SAF brasileiro, mas capturar esse mercado exige a constru\u00e7\u00e3o de rastreabilidade, certifica\u00e7\u00e3o e assinatura de contratos de venda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por exemplo, o etanol de cana-de-a\u00e7\u00facar brasileiro \u00e9 a mat\u00e9ria-prima de melhor desempenho clim\u00e1tico entre os aprovados pela Organiza\u00e7\u00e3o da Avia\u00e7\u00e3o Civil Internacional para a rota ATJ. Os valores padr\u00e3o do CORSIA situam o ciclo de vida do SAF-ATJ produzido a partir de cana-de-a\u00e7\u00facar brasileira em 32,8 gCO\u2082e\/MJ \u2014 menos de um ter\u00e7o do valor equivalente do etanol de milho norte-americano, que registra 90,8 gCO\u2082e\/MJ, acima da pr\u00f3pria linha de base do querosene f\u00f3ssil. O etanol de milho produzido no Brasil, contudo, apresenta perfil de emiss\u00f5es substancialmente distinto do norte-americano, e esse diferencial foi reconhecido formalmente pela ICAO em junho de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A minha estimativa, com base na capacidade agroindustrial do Brasil e nos mandatos que est\u00e3o se consolidando, \u00e9 que podemos chegar a produzir 2 bilh\u00f5es de litros de SAF por ano at\u00e9 2035, se tratarmos isso como pol\u00edtica industrial e fizermos os investimentos necess\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"7\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>O agroneg\u00f3cio brasileiro est\u00e1 preparado para atender essa nova demanda por combust\u00edveis sustent\u00e1veis?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em termos de capacidade produtiva e know-how, sim. O agroneg\u00f3cio brasileiro tem uma versatilidade impressionante: por exemplo saltamos de praticamente zero para 35% da produ\u00e7\u00e3o de etanol a partir de milho em menos de 10 anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Temos 40 milh\u00f5es de hectares de \u00e1rea degradada que podem ser recuperados para produ\u00e7\u00e3o de maca\u00faba para SAF, como est\u00e1 fazendo a Acelen. Temos a cana, que \u00e9 uma das rotas mais eficientes conhecida de gera\u00e7\u00e3o de energia renov\u00e1vel. Temos res\u00edduos agr\u00edcolas em larga escala. Temos potencial enorme de produ\u00e7\u00e3o de biometano e bioenergia\u2026<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acho que precisamos ver esses ativos n\u00e3o apenas como commodities de alimento, mas como mat\u00e9ria-prima de energia limpa de alto valor agregado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E penso que falta coordena\u00e7\u00e3o internacional para que o Brasil possa efetivamente capturar todo o valor desta cadeia integrada agro energ\u00e9tica (n\u00e3o s\u00f3 em rela\u00e7\u00e3o aos atributos ambientais e descarboniza\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m levar em conta a efici\u00eancia, circularidade etc.).<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"8\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Considerando sua atua\u00e7\u00e3o atual com estrat\u00e9gia e investimentos, como o capital internacional enxerga o Brasil na agenda de baixo carbono?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com interesse crescente, mas com ceticismo estrutural que precisa ser gerenciado com dados, n\u00e3o com ret\u00f3rica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O capital internacional enxerga o Brasil como uma das poucas geografias com vantagem competitiva estrutural na transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica: matriz el\u00e9trica limpa, biomassa abundante, capacidade agr\u00edcola \u00fanica e territ\u00f3rio para gera\u00e7\u00e3o renov\u00e1vel em escala. Isso \u00e9 reconhecido. O que o capital ainda hesita \u00e9 na convers\u00e3o de potencial em retorno verific\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os fundos sustent\u00e1veis na Europa representam 22% dos ativos totais de renda vari\u00e1vel \u2014 um n\u00famero expressivo. Na Am\u00e9rica Latina, esse n\u00famero \u00e9 de apenas 1,5%. Isso n\u00e3o significa falta de interesse no Brasil, significa que ainda n\u00e3o constru\u00edmos a ponte entre o apetite do capital sustent\u00e1vel europeu e os projetos brasileiros de baixo carbono.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa ponte tem tr\u00eas componentes: seguran\u00e7a jur\u00eddica, rastreabilidade de impacto e liquidez do ativo. Quando estruturamos qualquer projeto de baixo carbono, uma das principais perguntas dos investidores \u00e9: como medir, certificar e precificar o atributo ambiental? E como garantir o fluxo de receita no longo prazo? Isso se faz com regula\u00e7\u00e3o consistente, certifica\u00e7\u00e3o com padr\u00e3o internacional e contratos de longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"9\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Quais s\u00e3o hoje os principais entraves para a atrac\u00e3o de investimentos em energia limpa no pa\u00eds?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o quatro entraves principais, em ordem de relev\u00e2ncia pr\u00e1tica: instabilidade regulat\u00f3ria, infraestrutura, modelagem de projetos e narrativa de investimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A instabilidade regulat\u00f3ria \u00e9 o mais cr\u00edtico. O investidor de longo prazo precisa de previsibilidade. Se as regras do mercado de g\u00e1s, do RenovaBio, do mercado de carbono ou dos mandatos de SAF mudarem a cada ciclo de governo, o custo de capital sobe e os projetos n\u00e3o fecham. O \u00cdndice Global de Incerteza de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica atingiu 628 pontos em 2025, o maior da hist\u00f3ria, superior ao pico da COVID. O Brasil n\u00e3o pode controlar o ambiente global, mas pode e deve controlar seu pr\u00f3prio ambiente regulat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Infraestrutura \u00e9 o segundo entrave. E estamos falando de tudo: gasodutos, conex\u00f5es de rede el\u00e9trica, portos, ferrovias. Importamos 85% do fertilizante que consumimos por falta de produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica. N\u00e3o temos gasodutos suficientes para escoar biometano. Nossas conex\u00f5es de rede el\u00e9trica t\u00eam gargalos. Para desbloquear a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica no Brasil, infraestrutura deveria ser a prioridade n\u00famero um do governo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O terceiro entrave \u00e9 a modelagem. Muitos projetos chegam ao mercado com premissas fr\u00e1geis de CAPEX\/OPEX, sem an\u00e1lise de sensibilidade robusta, sem o atributo ambiental precificado corretamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O quarto entrave \u00e9 a narrativa. O Brasil ainda n\u00e3o conta sua hist\u00f3ria de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica para o capital internacional de forma sistem\u00e1tica. H\u00e1 casos de sucesso reais: etanol, bioeletricidade, biometano. Mas esses casos precisam estar documentados, certificados e acess\u00edveis para o investidor global que n\u00e3o conhece os detalhes do nosso sistema.<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"10\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Nos \u00faltimos tempos, vimos movimentos relevantes envolvendo grandes empresas do setor. Na sua vis\u00e3o, isso reflete um momento de ajuste ou uma transforma\u00e7\u00e3o mais profunda no modelo da bioenergia?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 transforma\u00e7\u00e3o. Ajuste seria se o modelo de neg\u00f3cio continuasse o mesmo com pequenas corre\u00e7\u00f5es de rota. O que est\u00e1 acontecendo \u00e9 diferente: o modelo est\u00e1 sendo reinventado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As grandes empresas do setor est\u00e3o descobrindo que a bioenergia n\u00e3o \u00e9 mais uma ind\u00fastria de commodity singular. \u00c9 uma plataforma de m\u00faltiplos produtos e m\u00faltiplas receitas: a\u00e7\u00facar, etanol 1G, bioeletricidade, biometano, SAF, biofertilizante, cr\u00e9ditos de carbono. Cada uma dessas receitas tem seu perfil de risco, seu ciclo de mercado e sua base de clientes. Gerenciar esse portf\u00f3lio exige uma compet\u00eancia estrat\u00e9gica que \u00e9 fundamentalmente diferente de operar uma usina tradicional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vemos uma din\u00e2mica an\u00e1loga no setor automotivo global: a Tesla, que foi o s\u00edmbolo da disrup\u00e7\u00e3o, viu suas vendas anuais ca\u00edrem mais de 140 mil unidades em 2025. Ao mesmo tempo, a BYD vendeu 4,6 milh\u00f5es de ve\u00edculos el\u00e9tricos no mesmo ano, com 15 outras montadoras chinesas produzindo mais de 250 mil EVs cada. Lideran\u00e7a inaugural n\u00e3o garante lideran\u00e7a permanente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, o ambiente de neg\u00f3cios global enfrenta n\u00edveis de complexidade e transforma\u00e7\u00e3o sem precedentes, uma crise hist\u00f3rica de liquidez (que aumenta a disputa pelo capital) e a entrada de novas tecnologias disruptivas (como intelig\u00eancia artificial).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tudo isso exige das empresas novas compet\u00eancias, flexibilidade para ajuste de estrat\u00e9gia sem perder a vis\u00e3o de longo prazo e muita disciplina na aloca\u00e7\u00e3o de capital.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o setor sucroenerg\u00e9tico brasileiro, n\u00e3o \u00e9 diferente: temos a lideran\u00e7a fundacional. Mas lideran\u00e7a fundacional precisa ser constantemente renovada com investimento, inova\u00e7\u00e3o e vis\u00e3o de longo prazo. Os movimentos que estamos vendo no setor s\u00e3o o in\u00edcio dessa renova\u00e7\u00e3o \u2014 dolorosa, inevit\u00e1vel e necess\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"11\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>O Brasil corre o risco de perder protagonismo ou tem condi\u00e7\u00f5es reais de liderar a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica global?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tem condi\u00e7\u00f5es reais de liderar. E corre risco real de perder protagonismo. As duas coisas podem ser verdadeiras ao mesmo tempo, e o que vai determinar o resultado \u00e9 o que fizermos nos pr\u00f3ximos cinco anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica \u00e9 global e est\u00e1 acelerada. Renov\u00e1veis j\u00e1 superam carv\u00e3o na gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica mundial. Eletricidade \u00e9 a maior fonte de energia \u00fatil do planeta. As emiss\u00f5es relacionadas a mudan\u00e7a no uso da terra est\u00e3o nos menores n\u00edveis em 60 anos \u2014 4,1 GtCO\u2082, abaixo do pico hist\u00f3rico de 8 Gt. O mundo est\u00e1 se movendo, com ou sem o Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que o Brasil tem que nenhum outro pa\u00eds tem na mesma combina\u00e7\u00e3o: uma matriz el\u00e9trica com mais de 80% de renov\u00e1veis, biomassa em escala continental, tecnologia agr\u00edcola de ponta, capacidade de produ\u00e7\u00e3o de etanol e biometano, e um mercado interno grande o suficiente para desenvolver solu\u00e7\u00f5es antes de export\u00e1-las. Somos o \u00fanico pa\u00eds onde energia, agricultura e escala convergem na dimens\u00e3o necess\u00e1ria para construir solu\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas replic\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O risco de perder protagonismo \u00e9 real e vem de dentro: da falta de uma pol\u00edtica industrial integrada de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, da instabilidade regulat\u00f3ria, da infraestrutura insuficiente e da tenta\u00e7\u00e3o de tratar cada agenda \u2014 etanol, biometano, SAF, hidrog\u00eanio verde, solar, e\u00f3lica \u2014 como compartimentos estanques em disputa por aten\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. O mercado \u00e9 grande o suficiente para todas essas solu\u00e7\u00f5es. A quest\u00e3o \u00e9 ter a coragem estrat\u00e9gica de tratar a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica como o maior projeto de desenvolvimento do pa\u00eds, porque \u00e9 exatamente isso que ela \u00e9.<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"12\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Onde estar\u00e3o as maiores oportunidades para o setor de bioenergia nos pr\u00f3ximos 5 a 10 anos?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em ordem de maturidade e escala: biometano integrado com biofertilizante, substitui\u00e7\u00e3o de frota pesada com biocombust\u00edveis, combust\u00edvel mar\u00edtimo, SAF e captura e uso de CO\u2082 biog\u00eanico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Biometano tem oportunidade imediata no mercado de g\u00e1s industrial, especialmente como substituto do diesel na frota pesada e no setor industrial. O diferencial do biofertilizante como coproduto \u00e9 um fator competitivo subestimado: reduz a depend\u00eancia de fertilizante importado e agrega receita ao projeto. A demanda por energia firme e despach\u00e1vel est\u00e1 crescendo globalmente, e o biometano \u00e9 exatamente isso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A alimenta\u00e7\u00e3o da frota pesada com biocombust\u00edveis \u00e9 uma oportunidade que ainda n\u00e3o est\u00e1 no centro das conversas, mas deveria estar. Caminh\u00f5es pesados, ferrovias, m\u00e1quinas agr\u00edcolas, esse segmento n\u00e3o vai ser eletrificado por bateria no curto prazo. Biometano, etanol avan\u00e7ado e HVO s\u00e3o as solu\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis agora, rent\u00e1veis e escal\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E finalmente: o CO\u2082 biog\u00eanico como ativo \u00e9 uma fronteira ainda pouco explorada. O Brasil produz CO\u2082 biog\u00eanico em escala industrial \u2014 das usinas de etanol, dos digestores de biometano. Capturar, certificar e comercializar esse CO\u2082 \u2014 seja para uso industrial, seja para cr\u00e9dito de remo\u00e7\u00e3o permanente, \u00e9 uma receita adicional que pode mudar a economia de v\u00e1rios projetos que hoje ficam no papel.<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"13\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Na sua avalia\u00e7\u00e3o, qual \u00e9 o principal erro que o Brasil ainda comete na agenda de energia e clima?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tratar a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica como agenda ambiental, e n\u00e3o como pol\u00edtica industrial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse \u00e9 o erro central, e ele contamina tudo: o financiamento, a regula\u00e7\u00e3o, a comunica\u00e7\u00e3o externa e o alinhamento entre governo, setor privado e sociedade. Quando tratamos a transi\u00e7\u00e3o como pauta ambiental, ela vira alvo de polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, depende do ciclo de governo e compete com a agenda econ\u00f4mica de curto prazo. Como pol\u00edtica industrial, ela vira estrat\u00e9gia de Estado, independente de quem governa, porque \u00e9 sobre competitividade econ\u00f4mica, gera\u00e7\u00e3o de empregos e soberania energ\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As men\u00e7\u00f5es a sustentabilidade e clima na carta anual do CEO da BlackRock \u2014 o maior gestor de ativos do mundo \u2014 atingiram pico em 2020 e ca\u00edram vertiginosamente desde ent\u00e3o. O ESG como ret\u00f3rica est\u00e1 em retrocesso. O que fica \u00e9 o ESG como realidade econ\u00f4mica: o custo do carbono, os mandatos regulat\u00f3rios, o acesso a mercados que exigem rastreabilidade de emiss\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Brasil tem tudo para ganhar nesse novo ambiente, onde o que vale \u00e9 performance verificada, n\u00e3o promessa. Mas para isso, a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica precisa sair da pasta do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente e virar uma pol\u00edtica de Estado integrada, com uma vis\u00e3o de 20 anos e metas verific\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Potencial, como eu sempre digo, n\u00e3o basta. O futuro n\u00e3o se prev\u00ea, ele se constr\u00f3i. E o Brasil tem hoje, neste momento, a janela para ser n\u00e3o a promessa da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica global, mas a resposta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta entrevista, Raphaella Gomes, CEO da New Gaia, analisa como a integra\u00e7\u00e3o entre agroneg\u00f3cio, bioenergia e capital pode transformar o potencial brasileiro&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":42,"featured_media":88325,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_ppma_block_editor_authors":"{\"authors\":[13241],\"author_categories\":{\"13241\":\"1\"},\"fallback_author_user\":\"32\",\"ppma_author_box_select\":\"\",\"selected_authors\":[{\"id\":13241,\"display_name\":\"Reda\u00e7\u00e3o\",\"is_guest\":0,\"category_id\":\"1\"}]}"},"categories":[2017],"tags":[],"ppma_author":[13241],"class_list":["post-88324","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-informacoes"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.2 - 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