
A modalidade, que vem demonstrando uma crescente frente aos juros elevados e à insegurança do mercado, já conta com quase 12 milhões de participantes
Em meio a juros elevados, inflação persistente e a insegurança do mercado, é natural que o nível de confiança do consumidor tenda a cair. No entanto, um contraponto para esse cenário é o próprio Sistema de Consórcio, já que, de acordo com a Associação Brasileira de Administradora de Consórcio (ABAC), a modalidade movimentou mais de R$222 bilhões ao vender quase 2,5 milhões de cotas no primeiro semestre de 2025.
De janeiro a junho deste ano, os créditos comercializados relativos a consórcio cresceram 30,5% quando comparado aos R$170,43 bilhões contabilizados durante o mesmo período do ano passado, atingindo a maior totalização dos últimos 20 anos. O mesmo pode ser dito do número de participantes que vem demonstrando uma crescente com o passar dos meses. Em junho, o relatório divulgou que o volume bateu um novo recorde ao completar 11,86 milhões de participantes, um crescimento de 10,8%, quando comparado a junho de 2024.
Isso mostra como ele tem se consolidado como uma alternativa mais acessível para os brasileiros. Fernando Lamounier, educador financeiro e sócio-diretor da Multimarcas Consórcios, explica que a busca pelo consórcio se deve ao fato de ser uma modalidade de crédito que traz mensalidades que cabem no bolso do cidadão comum. “O crescimento significativo da demanda por consórcios deve-se à imprevisibilidade da taxa de juros, prejudicando a aquisição de bens de valor pelo financiamento, fazendo do consórcio uma opção viável em longo prazo para a aquisição desses bens. Além disso, o aumento da demanda também ocorre graças à necessidade de planejamento financeiro que está se impondo à população devido à situação financeira atual.”
Em um país em que 89% dos brasileiros esperam alcançar realizações financeiras, conforme apontado pelo estudo “Sonhos Brasileiros”, realizado pela Croma Consultoria, o consórcio é uma modalidade que ajuda os participantes a adquirir o carro ou a casa própria. Esse desejo se transcreve nos dados da ABAC, por meio do qual se revela que o segmento de veículos leves é líder, tendo sido comercializadas 955.427 cotas no semestre, um crescimento 12,5%, com tíquete médio de R$69.027.
Na segunda posição está o setor de motocicletas. Foram comercializadas 699.590 cotas, o que indica um crescimento de 8,2% em relação ao primeiro semestre de 2024, com tíquete médio de R$20.569. Por fim, encontra-se o consórcio de imóveis, com 590.578 cotas vendidas, um aumento de 40,8% em relação ao ano anterior, com tíquete médio de R$199.502.
Mais do que números, o consórcio representa uma mudança de comportamento. Se considerarmos que apenas 17% dos brasileiros afirmaram ter realizado todos ou quase todos os seus sonhos em 2024, é possível enxergar na modalidade uma ferramenta poderosa para mudar essa realidade. Ele viabiliza sonhos grandes de maneira acessível e planejada, seja a compra de um imóvel, um carro, uma moto, ou até mesmo o investimento em educação, viagens, saúde ou abertura de um negócio próprio.
“Para fugir do crescente endividamento, os brasileiros buscam alternativas que possibilitem a realização de seus sonhos. O mercado tradicional é muito complexo e o sistema de consórcios proporciona um maior poder de compra para a aquisição do investimento”, finaliza Lamounier.








