FinançasInvestimentos

Novo Desenrola: entenda 5 impactos do investimento em educação financeira previsto pelo Governo Federal

3 Mins read

Iniciativa pretende alcançar até 2 milhões de pessoas e pode influenciar indicadores como inadimplência, qualidade do crédito, consumo e formação de patrimônio no país

A proposta do Governo Federal de destinar cerca de R$ 50 milhões para ações de educação financeira dentro do Novo Desenrola coloca em evidência um tema cada vez mais relevante para a economia brasileira. A iniciativa prevê alcançar até 2 milhões de pessoas por meio de conteúdos voltados a orçamento familiar, uso consciente do crédito, renegociação de dívidas, prevenção à inadimplência e segurança contra fraudes. Na avaliação de especialistas, os efeitos podem ir além da organização das finanças pessoais e alcançar indicadores macroeconômicos importantes nos próximos anos.

O primeiro impacto esperado é a redução da chamada inadimplência comportamental. Ao compreender melhor conceitos relacionados ao planejamento financeiro, os consumidores tendem a tomar decisões mais adequadas à sua capacidade de pagamento. “Educação financeira bem executada tende a reduzir decisões ruins de tomada de crédito e melhorar a capacidade de pagamento das famílias. Isso não elimina a inadimplência, porque renda, emprego e juros continuam sendo determinantes, mas pode reduzir a inadimplência comportamental”, afirma Carlos Akira Sato, co-Founder da Syscapial e especialista em Mercados Regulados, Educação Financeira, Infraestrutura Financeira, Governança e Inovação.

Outro efeito potencial está na qualidade do consumo. Embora tais programas possam desestimular compras impulsivas e parcelamentos excessivos no curto prazo, a tendência é de que contribuam para hábitos mais sustentáveis ao longo do tempo. Segundo Akira, isso resulta em maior previsibilidade para as famílias e menor comprometimento da renda. O terceiro impacto aparece na concessão de crédito: cidadãos mais preparados tendem a apresentar um histórico favorável, o que pode contribuir para a redução do risco das operações e para carteiras mais saudáveis por parte de bancos e fintechs.

Sistema financeiro mais eficiente

Além dos reflexos sobre os consumidores, a capacitação também pode contribuir para tornar o sistema mais eficiente e resiliente. “Quando consumidores compreendem melhor crédito, juros, orçamento, poupança e investimento, eles tendem a contratar produtos mais adequados à sua capacidade financeira. Como consequência, as instituições financeiras enfrentam menores perdas esperadas e menor volatilidade em suas carteiras”, explica o especialista. Esse cenário ajuda a reduzir o chamado custo de risco das operações e melhora a qualidade média dos financiamentos concedidos.

O quarto impacto está relacionado à formação de capital doméstico. Uma população mais preparada tende a equilibrar melhor consumo, poupança e investimento, fortalecendo o mercado nacional e ampliando a disponibilidade de recursos para financiar empresas, inovação e infraestrutura. “Os países que obtiveram os melhores resultados econômicos utilizaram a educação financeira como instrumento de formação de patrimônio e desenvolvimento econômico. Não se trata apenas de reduzir dívidas, mas de ampliar a participação das pessoas em investimentos, previdência e acumulação patrimonial”, observa Akira.

Por fim, o quinto impacto envolve a ampliação da base de investidores e o fortalecimento do mercado de capitais brasileiro. Para o especialista, o país já avançou significativamente na inclusão financeira, mas ainda precisa evoluir na inclusão patrimonial. “O maior benefício econômico da educação financeira talvez não seja reduzir a inadimplência, mas transformar cidadãos que hoje são apenas consumidores de serviços financeiros em formadores de patrimônio. Isso fortalece o mercado de capitais, melhora a qualidade da poupança nacional e contribui para um crescimento econômico mais sustentável”, conclui.

Fonte:

Carlos Akira Sato – Co-Founder da Syscapial e especialista em Mercados Regulados, Educação Financeira, Criptoativos, Infraestrutura Financeira, Governança e Inovação. Vice-Presidente de Relações Institucionais da PAGOS (Associação de Gestão de Meios de Pagamentos Eletrônicos).

Related posts
Finanças

Nova regra de capital mínimo do BC pode desenquadrar 679 instituições financeiras até 2028

2 Mins read
Exigências estabelecidas pelo BC e CMN visam aumentar a segurança do sistema, mas devem acelerar a consolidação do mercado e afetar diretamente…
Investimentos

Karsten acelera transformação industrial e investe no futuro de sua operação

2 Mins read
Companhia investe cerca de R$ 4 milhões em tecnologia alemã para ampliar a eficiência e avançar na modernização de seu parque fabril …
Finanças

Banco Mercedes-Benz aprova R$ 1,069 bilhão em financiamentos do BNDES Mais Mobilidade em duas semanas

2 Mins read
A nova fase do programa Move Brasil, o BNDES Mais Mobilidade, começou em ritmo acelerado. Nas primeiras duas semanas de operação do…