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Investimentos

Crescer sem estrutura destrói valuation e afasta investidores em 2026, alerta especialista

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Conselheiro de M&A aponta que empresas que aumentaram vendas em 2025, mas não organizaram caixa, processos e governança, correm risco de perder valor no próximo ciclo

 A última Pesquisa Global com Investidores da PwC, divulgada em 2025, revela que investidores brasileiros têm priorizado inovação e sustentabilidade quando avaliam empresas. Cerca de 80% esperam por intensificação nas frentes de capacitação da força de trabalho, resiliência para crises e implementação de IA em larga escala. O estudo mostra que, ainda que números como faturamento e vendas continuem importantes, o olhar do mercado está muito mais amplo — e as empresas que se preocupam apenas com um lado da moeda dificilmente terão boas chances de investimentos ou crescimento sustentável.

Rodrigo Baraldi, conselheiro estratégico de M&A com mais de 20 anos de atuação e cerca de R$ 10 bilhões em operações assessoradas, deixa o alerta: “Vender mais não significa, necessariamente, criar valor. Vejo muitas situações em que o caixa não acompanha o faturamento, a margem encolhe e os processos entram em colapso. Nesses momentos, o crescimento deixa de ser saudável e passa a corroer a empresa por dentro”.

O recado é particularmente relevante para os negócios que deram um salto ao longo do último ano. Segundo o especialista, se os resultados foram apoiados em decisões reativas, improviso operacional e ausência de indicadores confiáveis, a conta deve chegar muito em breve. E 2026 será o ano para resolver ou piorar a situação.

A solução é construir uma estrutura que sustente o crescimento com controle financeiro, governança mínima e clareza de processos. “Para o planejamento de 2026, o foco precisa ir além apenas da expansão de receita. O empresário deve priorizar geração de caixa, previsibilidade de resultados e eficiência operacional. Métricas claras, acompanhamento rigoroso de margens, estrutura financeira organizada e decisões baseadas em dados passam a ser diferenciais competitivos em um cenário de capital mais caro e investidores mais seletivos”, aponta Baraldi.

Para auxiliar nessa tomada de decisão, o conselheiro listou alguns sinais comuns que indicam um crescimento destrutivo nas empresas:

  • O caixa não acompanha o faturamento: crescimento sem margem, sem controle de custos ou sem previsão de capital de giro é o que faz a empresa “sangrar “por dentro;
  • A equipe opera sempre no limite: quando o time vive apagando incêndios, com sobrecarga constante, aumento de erros e perda de qualidade, é indicativo de uma desorganização acelerada;
  • Os processos não suportam o volume: se cada aumento de vendas gera caos, retrabalho e decisões improvisadas, significa que o crescimento está acontecendo em cima de uma base frágil;
  • O dono trabalha mais, mas enxerga menos: se o empresário está cada vez mais ocupado e distante dos números, dos indicadores e da estratégia, o crescimento virou descontrole.

Para evitar chegar nesse ponto — ou repeti-los —, a recomendação é aprender a identificar quando o crescimento está além da capacidade para não cair na falsa sensação de sucesso. “É preciso olhar para os números com atenção e uma visão ampla, não apenas focando no que se quer ver. Se o empresário quer um negócio saudável, ele precisa identificar e aceitar quando precisa de mais estrutura, mesmo quando isso significa buscar ajuda externa ou uma boa consultoria”, informa Rodrigo.

O especialista observa que muitos empresários ainda governam por intuição, sem domínio claro de indicadores como margem, EBITDA, ciclo financeiro ou endividamento. A solução é a profissionalização e o estudo, para que então se faça valer a estruturação. Quando esses problemas são enfrentados, aí, sim, surgem novas oportunidades de acessar capital ou realizar uma venda estratégica.

Para Baraldi, 2026 exigirá, acima de tudo, uma mudança de mentalidade. “O crescimento que vale a pena é aquele que melhora caixa, margem, qualidade operacional e clareza de gestão. Não é sobre correr mais rápido, mas sim construir uma empresa que funcione melhor e gere valor a longo prazo”, conclui.

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