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Juros altos forçam construtoras a rever operação para proteger margem

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Ambiente econômico mais pressionado reduz tolerância a desperdícios e faz eficiência operacional ganhar papel estratégico na proteção de margem 

A manutenção de juros em patamar elevado continua pressionando a construção civil em um ambiente de crédito mais restritivo e menor tolerância a desperdícios. Em um setor altamente dependente de capital, a eficiência operacional passou a impactar diretamente a rentabilidade, previsibilidade financeira e capacidade de adaptação das construtoras. 

Para Magnus Bruno Oyama Machado, engenheiro civil, cofundador da Mafrei Construtora e Incorporadora e profissional com experiência em gestão operacional e modernização logística na construção civil, o cenário econômico atual tem obrigado construtoras a olhar com mais atenção para fragilidades internas que, em momentos de maior liquidez, costumam passar despercebidas. Segundo ele, quando o custo do dinheiro sobe, falhas operacionais deixam de ser toleráveis e passam a comprometer diretamente a saúde financeira das empresas. 

“Quando o crédito encarece, a margem para absorver ineficiência diminui drasticamente. Muitas vezes, a empresa atribui a pressão apenas ao cenário econômico, mas parte importante dessa perda já estava dentro da própria operação”, afirma.

Em um ambiente de crédito mais caro, desperdícios, retrabalho e falhas de coordenação passam a ter impacto muito mais direto sobre cronograma, custo e rentabilidade. 

Na avaliação de Magnus, parte das construtoras ainda concentra atenção em crescimento, vendas e expansão sem dedicar o mesmo nível de prioridade à estrutura operacional. Em ciclos de crédito mais restritivos, porém, essa fragilidade tende a aparecer com mais intensidade.

“Uma empresa pode ter demanda, vender bem e continuar crescendo, mas, se a operação estiver desorganizada, parte da rentabilidade começa a desaparecer silenciosamente. O problema é que essas perdas costumam se acumular antes de aparecer claramente no resultado”, explica.

Segundo o executivo, empresas com operação fragmentada tendem a sentir esse impacto com mais intensidade, especialmente quando problemas de coordenação começam a comprometer produtividade, previsibilidade e ritmo operacional. 

“Em um ambiente de crédito mais apertado, falhas operacionais deixam de gerar apenas atraso ou retrabalho e passam a comprometer diretamente custo, margem e capacidade de reação da empresa”, diz.

Para Magnus, esse cenário tende a acelerar uma mudança importante dentro do setor: empresas mais estruturadas operacionalmente devem ganhar vantagem por conseguir responder com mais rapidez a ambientes econômicos mais restritivos. 

“Empresas com operação mais estruturada conseguem revisar planejamento, reduzir perdas e proteger margem com mais rapidez. Eficiência operacional deixa de ser apenas uma pauta técnica e passa a funcionar como um mecanismo de proteção financeira”, afirma.

Na visão do empresário, ciclos econômicos mais restritivos tendem a separar empresas capazes de operar com controle e previsibilidade daquelas excessivamente dependentes de crescimento para sustentar o resultado.

“Quando o capital fica mais caro, eficiência deixa de ser diferencial operacional e passa a ser condição de sobrevivência”, conclui.

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