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Geração “Aluguel”? 61% da Gen Z planeja comprar a casa própria em 2026

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Impulsionados por planejamento financeiro, jovens de 21 a 28 anos lideram interesse em imóveis e redesenham as estratégias de venda do setor.

Contrariando o estigma de que prefere o desapego e a economia do compartilhamento, a Geração Z é a que mais deseja conquistar a casa própria no curto prazo. Uma pesquisa inédita realizada pela Brain Inteligência Estratégica revela que 61% dos jovens entre 21 e 28 anos planejam adquirir um imóvel ainda em 2026, liderando as intenções de compra no Brasil. O avanço desse grupo coloca os jovens adultos à frente dos Millennials e isola as gerações mais maduras (X e Baby Boomers), que vêm sendo freadas pelas altas taxas de juros e pelas dificuldades de acesso ao crédito imobiliário.

Essa virada de chave desenha um novo horizonte para o mercado imobiliário nacional, refletindo transformações profundas no comportamento financeiro dos jovens e nas barreiras econômicas enfrentadas pelos mais velhos.

Os dados do levantamento mostram um cenário invertido em relação ao que o mercado tradicional estava acostumado a projetar. A juventude, hoje mais bancarizada e habituada a ferramentas de planejamento financeiro, demonstra pressa para consolidar seu patrimônio e começa a ditar quais tipos de imóveis à venda em São Paulo e em outras grandes capitais devem ganhar o topo dos estoques nos próximos meses.

A pesquisa aponta que o percentual de 61% de intenção de compra registrado entre a Geração Z coloca os jovens bem à frente dos outros grupos etários. Na sequência, aparecem os Millennials (geração Y, de 29 a 44 anos), com 51% de interesse em fechar negócio. De olho em condições mais facilitadas de pagamento e prazos estendidos, esse público jovem tem visto vantagens em comprar imóvel no lançamento em SP, formato que permite diluir os custos da entrada durante o período de obras.

O declínio do interesse imobiliário acentua-se drasticamente nas faixas etárias mais elevadas: apenas 41% dos integrantes da Geração X (45 a 60 anos) e somente 25% dos Baby Boomers (61 a 79 anos) pretendem adquirir uma nova propriedade no ano que vem. Enquanto o topo do ranking é ocupado por uma base jovem e hiperconectada, o desejo de compra cai severamente conforme a idade avança, sinalizando uma importante mudança de bastão no setor.

O peso dos juros afasta os mais velhos

Se por um lado os jovens avançam impulsionados pelo planejamento precoce, por outro, o público de meia e terceira idade pisa no freio. O principal vilão dessa desaceleração é o custo do dinheiro, que tem limitado o poder de compra de quem depende exclusivamente de aprovações bancárias tradicionais.

De acordo com a pesquisa da Brain, 46% das pessoas entre 45 e 79 anos enfrentaram sérios entraves com financiamentos imobiliários in 2025, sofrendo o impacto direto das elevadas taxas de juros praticadas no país.

A sensibilidade ao bolso também varia de forma gritante entre as faixas etárias. Cerca de 46% dos consumidores com mais de 45 anos apontam o valor da parcela mensal como a principal preocupação antes de assinar o contrato. Já entre os jovens de 21 a 44 anos, esse receio cai para 34%, o que demonstra uma maior disposição ou flexibilidade desse grupo para assumir o compromisso financeiro de longo prazo.

Diante de parcelas que pesam no orçamento, o público maduro tem recalculado a rota: muitos adiam o sonho, migram para a locação ou optam por imóveis significativamente menores do que planejavam inicialmente.

Como a geração Z modifica o setor?

A dominância da Geração Z não altera apenas os números de vendas, mas dita as novas regras da arquitetura e do urbanismo comercial. Este público traz demandas muito específicas, focadas em praticidade e custo-benefício.

Em vez de grandes metragens, os novos compradores impulsionam a busca por imóveis compactos e funcionais, como studios e apartamentos de um dormitório, que exigem menor custo de manutenção. A localização também é decisiva: há uma forte preferência por regiões com ampla mobilidade urbana, próximas a eixos de transporte público e que ofereçam previsibilidade nas taxas de condomínio.

Apesar da forte intenção de compra para o próximo ano, a pesquisa ressalta que a locação continua desempenhando um papel estratégico fundamental. Muitos jovens utilizam o aluguel como um período de teste ou de transição enquanto capitalizam o valor da entrada. Essa dinâmica fortalece o mercado de locação digital e amplia a exigência por contratos ágeis, seguros e sem burocracia.

O mercado imobiliário que opera a partir de agora é, essencialmente, jovem. Para as construtoras e incorporadoras, o desafio já não é mais convencer a Geração Z a comprar, mas sim oferecer o produto certo para o estilo de vida de quem quer a chave na mão antes dos 30 anos.

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