Evento desafia microempreendedores a digitalizar a gestão; segundo pesquisa da MaisMei, 51% dos MEIs ainda utilizam cadernos para controlar o caixa
A Copa do Mundo movimenta bilhões de reais na economia brasileira e pode impulsionar o consumo em diversos setores, criando um cenário favorável para os microempreendedores. Nesse contexto, os MEIs podem ampliar receitas, lançar produtos temáticos, conquistar novos clientes, ampliar canais de venda e desenvolver estratégias que podem beneficiar o negócio ao longo de todo o ano.
O cenário beneficia especialmente segmentos como alimentação, bebidas, comércio de rua, ambulantes, bares e vestuário, que tradicionalmente registram aumento da demanda em grandes eventos esportivos. Segundo pesquisa realizada em maio de 2026 pelo Sebrae-SP, cerca de 791 mil pequenos negócios paulistas devem ser impactados positivamente pela Copa do Mundo, sendo aproximadamente 698 mil Microempreendedores Individuais (MEIs).
“A Copa do Mundo funciona como um exercício de gestão para o microempreendedor. É um momento em que ele precisa organizar estoque, definir preços, planejar promoções, fortalecer canais de venda e acompanhar o fluxo de caixa. Quem aprende a lidar com uma sazonalidade como essa costuma levar esse aprendizado para o restante do ano”, afirma Mateus Vicente, CEO e cofundador da MaisMei.
Além do aumento na demanda, o evento também estimula a criatividade dos pequenos negócios. É comum que empreendedores adaptem produtos e serviços para aproveitar o clima de celebração, criando desde kits promocionais e combos temáticos até cardápios especiais, brindes personalizados e campanhas voltadas para os dias de jogo.
O que mudou para os MEIs desde a última Copa
Desde a última Copa do Mundo, realizada em 2022, a digitalização ganhou ainda mais espaço na rotina dos pequenos negócios. A pesquisa O Corre do MEI 2024, realizada pela MaisMei, mostra que o PIX já representa 59,86% dos meios de pagamento utilizados pelos microempreendedores participantes da pesquisa. Além disso, a pesquisa também aponta a presença relevante dos pequenos negócios nas redes sociais e a adoção de modelos de venda que combinam canais físicos e digitais.
Mesmo com o avanço da tecnologia, a digitalização ainda representa um desafio para muitos negócios. De acordo com a pesquisa, 51,06% dos MEIs utilizam cadernos para controlar vendas e despesas, evidenciando que uma parcela significativa dos empreendedores ainda depende de métodos manuais para administrar o caixa.
“Não basta aumentar as vendas. O empreendedor precisa garantir que esse aumento se transforme em lucro. Isso passa por uma precificação correta, controle dos custos, organização financeira e acompanhamento dos resultados. Eventos como a Copa são excelentes oportunidades para colocar essas práticas em ação”, explica Mateus.
A expectativa é que a competição impulsione estratégias voltadas para atração e fidelização de clientes. Conforme levantamento do Sebrae-SP, 50% dos pequenos negócios pretendem criar promoções, combos ou kits temáticos durante o período.
“O empreendedor brasileiro é conhecido pela criatividade e pela capacidade de transformar oportunidades em negócios. A Copa cria um ambiente favorável para isso. Mais do que o faturamento gerado durante os jogos, o principal legado pode ser o aprendizado adquirido na gestão do negócio, na relação com os clientes e na capacidade de crescer de forma sustentável”, conclui Mateus.








