Pesquisa aponta que torneio em junho deve atrair 60% dos brasileiros às compras, com gasto médio de R$ 619 e forte impulso nos setores de alimentos, bebidas e eletroeletrônicos.
Mesmo sem o Brasil como país-sede, a Copa do Mundo de 2026 promete se consolidar como um dos maiores catalisadores econômicos do ano para o comércio nacional. O torneio, sediado conjuntamente por Estados Unidos, Canadá e México entre 11 de junho e 19 de julho, deve levar cerca de 99,2 milhões de brasileiros às compras. De acordo com a pesquisa “Intenção de compras para Copa do Mundo 2026”, realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas, a projeção indica que 60% dos consumidores do país pretendem abrir as carteiras por causa do evento esportivo, com um gasto médio estimado em R$ 619 por pessoa.
Para o presidente da CNDL, José César da Costa, a magnitude e a extensão do campeonato (que pela primeira vez contará com 48 seleções e durará 39 dias) transformam o período em um verdadeiro “segundo Natal” para os setores de comércio e serviços. Nas classes A e B, o otimismo é ainda maior, com o tíquete médio saltando para R$ 784.
Diferente de datas sazonais tradicionais, como o Dia das Mães, onde o consumo se concentra em um único fim de semana, a Copa dilui o fluxo de vendas ao longo de semanas. No entanto, o benefício não é uniforme para todos os setores. O foco do torcedor está na experiência coletiva de assistir aos jogos, o que direciona o orçamento para categorias específicas de confraternização e entretenimento doméstico.
Segundo o levantamento, os principais produtos na mira dos consumidores são:
- Bebidas não alcoólicas: 68%
- Petiscos: 62%
- Carnes para churrasco: 60%
- Cerveja: 59%
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) também mapeou as maiores oportunidades de crescimento e identificou cinco grandes eixos. No setor de alimentos e bebidas, a principal oportunidade está nas carnes, petiscos e cervejas, impulsionados pelo consumo coletivo concentrado em residências. Em eletrônicos, o destaque fica para as TVs de grandes telas, soundbars e cabos HDMI, lembrando que as telas de 75 polegadas ou mais já registraram alta de 94% no ano.
No segmento de vestuário esportivo, a busca se concentra em camisas oficiais da Seleção, bonés e bandeiras, com forte apelo para produtos licenciados. O setor de delivery e food service deve registrar picos de fluxo expressivos em bares, restaurantes e conveniências nos dias de partidas. Por fim, até as farmácias encuentren espaço por meio da exploração comercial de maquiagens temáticas e medicamentos, aproveitando as cores verde e amarela.
Efeito Antecipação: Da TV nova à camisa oficial
O setor de eletroeletrônicos é tradicionalmente o primeiro a colher os frutos do torneio. A Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros) projeta um incremento de até 10% nas vendas anuais do segmento, com um salto de 20% especificamente na comercialização de televisores em relação ao mesmo período do ano anterior. O fenômeno funciona na prática como uma antecipação da Black Friday. Nos primeiros meses de 2026, a busca por aparelhos de TV em geral subiu 7%, com destaque absoluto para as telas gigantes (acima de 75 polegadas), que quase dobraram de volume de vendas, com alta de 94%.
Logo atrás vem o mercado de artigos esportivos. Espera-se uma elevação de 20% a 40% no faturamento do setor durante o período da competição. Gigantes do varejo, como o Grupo SBF (controlador da Centauro), estimam a venda de cerca de 850 mil camisas oficiais da Seleção Brasileira, além de outras 150 mil peças de produtos correlatos.
No varejo alimentar, a febre do torneio mexe diretamente com o caixa diário. Nos dias que antecedem os jogos da Seleção Brasileira, a expectativa é de uma alta de até 18,8% nas vendas de supermercados, acompanhada por um salto de 24,4% no tíquete médio por cliente, que deve subir de R$ 44,55 para R$ 55,44 na véspera das partidas.
Perfil do Torcedor-Consumidor: Pix, Planejamento e Marcas
O comportamento do público desenha um cenário claro para as estratégias de marketing. A grande maioria dos brasileiros (97%) pretende assistir aos confrontos de forma coletiva, sendo 77% com familiares e 60% com amigos, o que justifica o forte apelo de itens de supermercado e churrasco. Além disso, o torcedor não quer deixar as compras para a última hora: 44% dos entrevistados planejam antecipar suas aquisições em até uma semana para fugir de filas e garantir os estoques.
O estudo aponta que 74% dos consumidores dão preferência a marcas que apoiam formalmente a Seleção Brasileira. Além disso, 47% fazem questão de adquirir produtos licenciados e oficiais, motivados pela percepção de maior qualidade e durabilidade em comparação ao mercado informal. No campo financeiro, a liquidez será imediata. Cerca de 90% dos torcedores pretendem efectuar as compras à vista, elegendo o Pix como a forma de pagamento favorita para 57% dos compradores.
O Desafio Operacional: Do Físico ao Digital
Embora o cenário seja amplamente positivo, os dias de jogos trazem um desafio logístico. Historicamente, o fluxo de clientes em lojas físicas registra uma retração de 10% a 15% nos horários em que a Seleção Brasileira está em campo. Em 2026, contudo, o comércio conta com dois fatores mitigadores. Os horários favoráveis são o primeiro ponto positivo, visto que a maior parte das partidas nos EUA, México e Canadá está programada para o período noturno pelo horário de Brasília, permitindo que o comércio de rua e os shoppings operem normalmente no horário comercial. O segundo fator é a migração para o e-commerce, já que 67% dos torcedores farão compras online para o evento, enquanto o varejo físico retém 89% da preferência para itens de consumo imediato, divididos entre supermercados (70%) e comércios de bairro (33%).
Diante da alta demanda e da seletividade do público, o varejo precisará optar por vantagens competitivas para garantir um bom desempenho em 2026. A Dito, referência em plataforma de CRM, reforça que, perante um fluxo tão intenso de consumidores, o controle e a fidelização desses clientes podem ser a estratégia que vai moldar um ano de bom faturamento. No cenário atual, fidelizar o cliente deixa de ser um diferencial e passa a ser o fator determinante para resultados consistentes.
Por outro lado, setores como o varejo de moda tradicional e farmácias de conveniência regular tendem a registrar desempenhos abaixo da média histórica durante os 39 dias de competição, exigindo criatividade e promoções temáticas para reverter a distração do consumidor com o futebol. Para os empresários que se prepararam com estoques abastecidos, forte presença no e-commerce, ferramentas de fidelização e campanhas de marketing antecipadas, a Copa do Mundo de 2026 tem tudo para garantir a goleada financeira antes mesmo do término do inverno.








