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Aos 50 anos, ele trocou a carreira em bancos pelo comércio exterior e projeta dobrar operações em 2027

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Sem experiência prévia em comércio exterior, ex-coordenador técnico bancário transformou uma mudança de carreira em oportunidade de negócio e projeta forte crescimento nos próximos anos

Após décadas atuando na área de tecnologia da informação de uma instituição financeira, coordenando redes de telecomunicações e liderando projetos estratégicos, Ivo Cavalcante Terçariol decidiu fazer uma mudança radical de carreira. Aos 50 anos, deixou o ambiente corporativo para empreender em um setor que até então desconhecia: o comércio exterior. Hoje, à frente de uma unidade da Asia Source, rede que se apresenta como a primeira franquia de importação do Brasil, ele projeta dobrar o volume de operações conduzidas por sua unidade até 2027.

A decisão surgiu após sua saída do banco. Sem experiência anterior em empreendedorismo ou importação, Terçariol iniciou uma pesquisa sobre oportunidades de negócios que oferecessem flexibilidade operacional e possibilidade de atuação remota. Foi durante uma feira de franquias realizada em São Paulo que conheceu a Asia Source e passou a enxergar potencial em um mercado que vem ganhando relevância à medida que empresas brasileiras buscam alternativas para reduzir custos, ampliar margens e aumentar sua competitividade.

O que mais chamou sua atenção foi a proposta de simplificar um processo tradicionalmente visto como complexo. Em vez de exigir que as empresas montem uma estrutura própria para realizar importações, com equipes especializadas, sistemas específicos e conhecimento técnico aprofundado, o modelo atua como uma extensão do departamento de compras internacionais dos clientes, oferecendo suporte desde a busca por fornecedores até a entrega final da mercadoria.

“No início, a insegurança apareceu porque eu não conhecia nada sobre comércio exterior. O treinamento e o suporte da franqueadora foram fundamentais, mas também me dediquei intensamente aos estudos para entender cada etapa do processo”, afirma.

A curva de aprendizado foi acelerada pela própria estrutura do negócio. Enquanto os franqueados concentram sua atuação na prospecção e no relacionamento com clientes, as etapas operacionais da importação ficam centralizadas na rede. O modelo permite que profissionais oriundos de diferentes áreas ingressem no setor sem a necessidade de experiência prévia em comércio exterior.

A aposta acontece em um momento favorável para o segmento. Pressionadas por custos operacionais e pela necessidade de modernização, empresas de diversos setores têm recorrido ao mercado internacional para encontrar fornecedores mais competitivos, acessar novas tecnologias e ampliar sua capacidade produtiva. Na avaliação de Terçariol, esse movimento deve continuar ganhando força nos próximos anos.

“Faço questão de entender profundamente todo o processo. Para transmitir confiança ao cliente, preciso saber exatamente o que estou oferecendo e como cada operação funciona”, diz.

O crescimento da própria rede reforça essa percepção. A Asia Source encerrou 2025 com faturamento de R$ 36 milhões, alcançou 152 unidades em operação e projeta superar R$ 52 milhões em 2026. A expansão acompanha o aumento da demanda por soluções que tornem o comércio exterior mais acessível para pequenas e médias empresas.

Para Terçariol, existe um espaço significativo a ser explorado. Ele acredita que setores como construção civil, agronegócio, indústria e sustentabilidade devem liderar a busca por fornecedores internacionais nos próximos anos, ampliando as oportunidades para operações de importação.

“Muitas empresas ainda deixam de importar por falta de informação ou por receio da complexidade do processo. Quando encontram o suporte adequado, percebem que o comércio exterior pode se transformar em uma importante ferramenta de crescimento e ganho de competitividade”, afirma.

A trajetória do executivo reflete uma tendência cada vez mais presente no mercado brasileiro: profissionais experientes que deixam carreiras consolidadas para empreender em segmentos impulsionados pela globalização dos negócios. Em um cenário em que eficiência, inovação e redução de custos se tornaram prioridades estratégicas, a importação vem deixando de ser uma atividade restrita às grandes corporações para ocupar espaço crescente na agenda de empresas de todos os portes.

Para Terçariol, a mudança de carreira foi muito mais do que uma transição profissional. Representou a oportunidade de construir um novo capítulo, aprender uma atividade completamente diferente e transformar desafios em crescimento. Uma decisão que nasceu da coragem de recomeçar e que hoje se traduz em um negócio com potencial de expansão em um mercado cada vez mais conectado ao cenário global.

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