Gestão Publica

Eleições 2026: Programas federais pressionam inflação e crédito corporativo

2 Mins read

Impulso fiscal do governo pressiona inflação e eleva volatilidade; empresas que estruturam crédito no primeiro semestre ganham vantagem competitiva

O ambiente econômico de 2026 já apresenta sinais que exigem atenção das empresas antes mesmo do segundo semestre eleitoral. Um pacote de oito programas federais deve injetar R$ 88 bilhões na economia ao longo do ano, segundo levantamento do BTG Pactual. A maior parte das medidas envolve transferência de renda, habitação e crédito para pessoas físicas, o que gera um impulso fiscal com efeitos diretos sobre a inflação e complica o controle das finanças públicas. Para empresas, esse cenário se traduz em maior pressão sobre juros, câmbio e custo de capital. Esse contexto se soma à um cenário de crédito corporativo que já reflete sinais de estresse antes mesmo das eleições. Dados mostram que o crédito ampliado às empresas atingiu R$ 7,1 trilhões, o equivalente a 54,9% do PIB, com alta de 7,4% nos últimos 12 meses. Já o crédito bancário livre cresceu apenas 1,2%. A inadimplência também chama atenção: 8,9 milhões de CNPJs estão negativados, totalizando R$ 212,8 bilhões em dívidas, com média de quase R$ 24 mil por empresa. Esses números indicam que, em ano eleitoral, a volatilidade de indicadores como PIB, Selic e câmbio impacta diretamente a capacidade de negociação e o custo do capital para empresas de todos os portes, especialmente aquelas com ciclo financeiro mais curto ou forte dependência de crédito para capital de giro. 

      Para o CEO da Multiplike, Volnei Eyng, o momento de agir é antes que a volatilidade eleitoral se intensifique.  “Empresas que estruturam suas operações de crédito no 1° semestre conseguem negociar em condições mais favoráveis, mantendo liquidez de caixa e previsibilidade financeira mesmo quando o ambiente se torna mais volátil”, afirma. Ele destaca que anos eleitorais historicamente ampliam a oscilação de indicadores como Selic e câmbio, encarecendo o capital para quem deixa as decisões para depois. “Quem espera para reagir acaba pagando mais caro e encontra prazos mais curtos, perdendo o momento estratégico”, alerta.  Além da preparação interna, o acompanhamento de indicadores econômicos é fundamental. Taxa Selic, projeções de inflação, inadimplência setorial e movimentos de câmbio são variáveis que devem orientar decisões de capital de giro e renegociação de dívidas

     Além da proteção imediata contra choques de liquidez, a governança financeira bem estruturada fortalece a posição da empresa frente a parceiros, investidores e instituições de crédito. Em períodos de maior percepção de risco, como costumam ser os anos eleitorais, empresas que demonstram previsibilidade financeira tendem a conquistar condições mais vantajosas em contratos e renegociações. Mapear o perfil de risco da carteira de clientes, antecipar renegociações e diversificar fontes de crédito reduz a dependência de instituições tradicionais que podem restringir operações em momentos de cautela. “Setores mais vulneráveis, como construção civil, indústria de bens de capital e agronegócio com insumos dolarizados, podem mitigar impactos estruturando prazos e fluxo de caixa, transformando o ano eleitoral de um período de risco em uma oportunidade para consolidar operações e garantir continuidade operacional”, completa Eyng. A preparação estratégica não só protege a empresa contra choques imediatos de liquidez, mas também fortalece sua posição perante parceiros, investidores e o mercado como um todo.

Related posts
Gestão Publica

Cronograma da Reforma Tributária divulgado hoje dá mais tempo aos pequenos produtores rurais, mas grandes grupos do setor ficam pressionados

2 Mins read
O Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 4, publicado hoje, 31 de julho, no Diário Oficial da União, definiu as datas de início da…
Gestão Publica

Marco de agosto da Reforma Tributária acelera necessidade de adequação fiscal nas empresas

3 Mins read
A partir de 3/8 (segunda-feira), documentos fiscais eletrônicos deverão conter campos obrigatórios de IBS e CBS; advogado tributarista alerta para a necessidade…
Gestão PublicaInvestimentos

Programa de habitação prevê subsídios para 9 mil moradias e deve atrair R$ 1,5 bilhão em investimentos para retomar MCMV em Itajaí (SC)

3 Mins read
Proposta apresentada à prefeitura pelo Instituto Mais Itajaí busca reduzir o déficit de 15,8 mil moradias diagnosticado na cidade catarinense com a…