Imóveis

A guerra por terrenos muda a lógica do mercado imobiliário: retrofit deixa de ser alternativa e vira estratégia

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Escassez de áreas, alta dos custos e disputa entre incorporadoras aceleram a requalificação de edifícios existentes como caminho mais eficiente para novos empreendimentos

A disputa por terrenos nas regiões mais valorizadas de São Paulo atingiu um novo patamar. Com menos áreas disponíveis, preços cada vez mais elevados e custos de construção pressionados pelo cenário econômico global, grandes incorporadoras passaram a olhar para um ativo que até pouco tempo era visto como secundário: os edifícios já existentes.

O movimento de adquirir prédios antigos para promover uma requalificação completa, em vez de demolir e construir do zero, ganha força como resposta a um mercado mais competitivo e desafiador. A tendência acompanha um cenário em que os lançamentos imobiliários na capital paulista registraram retração no primeiro trimestre de 2026, especialmente nos segmentos de médio e alto padrão, enquanto os custos da construção seguem pressionados pela alta de commodities e energia.

Para a EQR, empresa especializada na originação, aquisição e requalificação de ativos imobiliários, essa mudança representa uma transformação estrutural do setor.

“O retrofit deixou de ser apenas uma solução sustentável ou uma alternativa interessante. Hoje ele se tornou uma estratégia de negócio. Quando os terrenos escasseiam e os custos de construção aumentam, requalificar ativos bem localizados passa a ser uma decisão muito mais inteligente do ponto de vista financeiro, operacional e urbano”, afirma Carlos Henrique Nunes dos Santos, fundador e CVO da EQR.

Segundo a empresa, a principal vantagem está justamente em atuar onde a concorrência por terrenos praticamente não alcança: ativos já inseridos em regiões consolidadas, com infraestrutura completa, mobilidade, comércio e demanda consolidada.

“Existe um estoque enorme de edifícios subutilizados ou desatualizados em localizações extremamente estratégicas. Esses imóveis representam uma oportunidade muito maior do que simplesmente buscar o próximo terreno disponível. O mercado começa a entender que valor não está apenas em construir algo novo, mas em transformar o que já existe”, completa o executivo.

Além da eficiência econômica, a estratégia reduz desperdícios, encurta prazos de desenvolvimento e contribui para a revitalização dos centros urbanos, alinhando rentabilidade e sustentabilidade em um mesmo projeto.

Para a EQR, o cenário indica que a disputa por terrenos continuará impulsionando o retrofit nos próximos anos, consolidando a requalificação de ativos como uma das principais estratégias do mercado imobiliário brasileiro.

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