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8,4% acima da inflação: Renda fixa resiste à queda da Selic

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Com Selic ainda elevada, inflação resistente e prêmio fiscal na curva longa, investidores passam a olhar menos para a taxa isolada e mais para prazo, indexador, liquidez e rendimento líquido

renda fixa voltou a ocupar o centro da mesa do investidor brasileiro em 2026. Mesmo após o início do ciclo de cortes do Banco Central, a Selic continua em patamar elevado e os juros reais do país seguem entre os mais altos do mundo. O Tesouro IPCA+ com vencimento em 2032 chegou a pagar juros reais acima de 8,4% ao ano, uma taxa rara, vista em menos de 10% do tempo desde 2011, segundo análises de mercado. O movimento não é um desvio passageiro da curva. Ele combina política monetária ainda restritiva, inflação de serviços resistente, prêmio de risco fiscal no longo prazo e a aproximação de um ano eleitoral. Para o investidor de médio e longo prazo, o recado do mercado é direto: ainda existe uma janela relevante para capturar retorno real elevado antes que o ciclo de queda dos juros avance com mais força. Para Peterson Rizzo, Head de Relações com Investidores da Multiplike, o início do ciclo de cortes exige mais leitura e precisão na tomada de decisão. “Com o início dos cortes de juros, o investidor precisa ampliar a análise e considerar fatores como prazo, indexador, liquidez e rentabilidade líquida”, afirma. 

       Na prática, papéis atrelados ao CDI ainda carregam remuneração nominal elevada, enquanto títulos prefixados e indexados à inflação exigem uma análise mais cuidadosa do prazo de investimento, da trajetória esperada dos juros e do cenário fiscal. A combinação de inflação de serviços ainda resiliente, política monetária restritiva, prêmio de risco no longo prazo e incertezas eleitorais mantém os juros reais em patamar incomum, mas essa janela tende a se estreitar conforme o Banco Central avançar no ciclo de queda. Nesse ambiente, o rendimento líquido ganha peso na comparação entre produtos, especialmente em instrumentos isentos de Imposto de Renda para pessoa física. É justamente para aproveitar esse movimento de demanda por instrumentos isentos que a Multiplike ampliou sua atuação como instituição financeira e entrou no mercado de letras de crédito com uma oferta inaugural de LCI e LCA de R$ 800 milhões. Os recursos captados são direcionados ao financiamento de operações de crédito estruturado corporativo, área em que o conglomerado tem mais de 25 anos de atuação, R$ 70 bilhões em crédito concedido e carteira ativa com mais de 4 mil empresas. 

       A leitura de mercado é que a renda fixa começa a passar por uma seleção mais técnica: não basta olhar a taxa, é preciso entender lastro, estrutura, liquidez, risco de crédito, cobertura do FGC dentro das regras aplicáveis e a capacidade da instituição de administrar a carteira. “Quando a Selic começa a cair, o investidor passa a olhar menos para a taxa isolada e mais para a estrutura do produto. Instrumentos como LCI e LCA ganham relevância porque combinam renda fixa, lastro, isenção fiscal para pessoa física e uma função importante de funding para a economia real. A análise precisa ir além do percentual de retorno”, explica Peterson Rizzo. O ponto é relevante porque o ciclo de queda dos juros não produz efeitos iguais para todos os agentes. Para quem investe, pode ser o momento de travar retornos reais ainda elevados antes de uma compressão maior das taxas. Para quem financia, a redução gradual da Selic não representa uma virada imediata no custo do dinheiro, mas abre espaço para reorganizar prazos, garantias, caixa e estruturas de captação com mais previsibilidade. Em vez de tratar o crédito apenas como despesa determinada pela taxa do mês, empresas que se preparam antes de uma queda mais ampla dos juros tendem a chegar melhor posicionadas quando o mercado oferecer condições mais competitivas.

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