Educação

Seu filho também se queixa de ser ruim em matemática? Veja o que especialista diz sobre isso

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59% dos alunos estão no nível insuficiente, enquanto apenas 5% alcançam um resultado considerado bom, aponta o Saeb 2023

“Eu não sou bom em matemática.” A frase, repetida por muitos estudantes brasileiros, foi virando quase uma identidade escolar. Mas os números mostram que essa dificuldade está longe de ser apenas individual. Dados do Saeb 2023, compilados pelo Iede em parceria com a ONG Todos Pela Educação, mostram que só 5% dos alunos do 3º ano do ensino médio têm bom desempenho em matemática, enquanto 59% estão no nível considerado insuficiente. 

Por trás de um discurso tão comum, o que costuma existir é uma sequência de lacunas de aprendizagem em uma disciplina especialmente cumulativa. 

Segundo dados do Índice de Inclusão Educacional (IIE), desenvolvido pela organização Metas Sociais a pedido do Instituto Natura, apenas 21,4% dos jovens brasileiros terminam o ensino médio até os 18 anos com aprendizado acima do básico em matemática. Nenhum estado brasileiro atinge sequer 30% de estudantes nesse patamar. E os números pioram conforme se avança na escola. Enquanto o desempenho em leitura e escrita cresceu ligeiramente no mesmo período pós-pandemia, o de matemática caiu em todas as regiões do país. 

Para Victor Cornetta, especialista em desenvolvimento estudantil e fundador da Kaizen Mentoria, o discurso de não ser bom na matéria é, na maioria dos casos, uma tradução emocional de um problema técnico.

“O problema costuma ser uma lacuna que ficou para trás em algum momento e nunca foi resolvida. Essa lacuna vai crescendo, e o aluno começa a acreditar que é ele quem não serve para a matéria, quando na verdade é a base que ficou fragilizada”, afirma. 

Com o passar do tempo, essa dificuldade passa a afetar a relação do estudante com a própria aprendizagem. Cada erro reforça a sensação de incapacidade, enquanto o medo de errar reduz a participação em sala e a disposição para enfrentar novos desafios. “O aluno começa a evitar a matéria, e essa evitação só piora a defasagem. Ele para de tentar antes mesmo de entender por que estava errando”, ressalta. 

Quando o aluno identifica essas defasagens e passa a estudar de forma mais estratégica, os avanços aparecem de forma gradual e consistente. 

“Claro que alguns alunos terão mais facilidade do que outros, mas praticamente todos podem evoluir quando recebem orientação adequada e trabalham nos próprios pontos frágeis. O primeiro passo é abandonar a ideia de que ser ruim na matéria faz parte da identidade de alguém. Talvez a pergunta não seja ‘por que eu não sou bom em matemática’, mas ‘onde exatamente eu parei de entender?'”, conclui. 

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