Reta final do ano exige revisão tributária, contratos, planejamento financeiro e gestão de riscos para que empresas entrem em 2027 preparadas
A segunda metade de 2026 marca um período decisivo para as empresas que precisam encerrar o ano com as estruturas organizadas para os desafios de 2027. Além do planejamento financeiro tradicional, a proximidade de mudanças regulatórias e tributárias exige que empresários revisem contratos, processos internos, exposição a riscos e estratégias de caixa antes do encerramento do exercício.
Com a Reforma Tributária avançando para a fase operacional, a necessidade de antecipação ganha ainda mais importância. A transição para o novo sistema de tributação sobre o consumo começa a alterar processos, sistemas e relações comerciais, enquanto empresas também precisam lidar com um ambiente de maior rigor na fiscalização e de mudanças regulatórias.
Para Victor Hugo Rocha, advogado tributarista e sócio fundador da Rocha & Rocha Advogados, o segundo semestre deve ser utilizado como uma janela de preparação, e não apenas como período de fechamento de resultados.
“Empresas que deixam revisões tributárias, contratuais e regulatórias para o início do ano seguinte acabam tomando decisões sob pressão e com menos margem para corrigir problemas”, afirma.
Os tributaristas apontam os 5 principais pontos que devem ser revistos nessas reta final:
1. Fazer uma revisão tributária antes do fechamento do ano
O primeiro passo é analisar a situação tributária da empresa e identificar créditos, passivos, oportunidades e possíveis inconsistências que possam gerar custos no futuro. A análise deve considerar também as mudanças trazidas pela Reforma Tributária e os impactos que já podem ser antecipados para as operações de 2027.
Além de verificar o cumprimento das obrigações atuais, a empresa pode utilizar o período para avaliar seu enquadramento, revisar procedimentos fiscais e mapear operações que possam sofrer alterações com a transição para o IBS e a CBS.
“A revisão tributária não deve acontecer somente quando existe uma autuação ou um problema. O ideal é utilizar esse período para fazer um diagnóstico do que está funcionando, identificar riscos e efetuar mudanças antes que se tornem obrigatórias”, explica Victor Hugo.
2. Revisar contratos que continuarão vigentes em 2027
Contratos de longo prazo merecem atenção especial antes do encerramento do ano. A Reforma Tributária pode alterar o fluxo financeiro das operações e a distribuição de responsabilidades entre as partes.
Por isso, empresas devem identificar contratos com vigência posterior a 2026 e verificar cláusulas relacionadas a reajustes, repasse de tributos, reequilíbrio econômico-financeiro, responsabilidades fiscais e alterações legislativas.
A revisão é especialmente relevante em contratos de fornecimento contínuo, prestação de serviços e outras relações comerciais em que as condições negociadas hoje continuarão produzindo efeitos durante a transição tributária.
“Um contrato que foi equilibrado quando foi assinado pode deixar de ter a mesma lógica econômica depois da mudança tributária. Por isso, é importante identificar antecipadamente quais acordos podem ser afetados e avaliar se existem mecanismos suficientes para proteger as partes diante das novas regras”, afirma Victor Rocha.
3. Planejar o caixa e os investimentos para 2027
O planejamento financeiro também precisa entrar na agenda antes do fechamento do ano. A empresa deve avaliar quanto terá disponível para investimentos, quais compromissos financeiros estarão concentrados no próximo exercício e quais mudanças tributárias podem afetar o fluxo de caixa.
A recomendação é trabalhar com diferentes cenários, considerando desde alterações nos custos operacionais até necessidades de investimento em tecnologia, sistemas e adequações exigidas.
Para Vanessa Rocha, advogada, contadora e sócia fundadora da Rocha & Rocha Advogados, o planejamento financeiro precisa estar conectado às decisões estratégicas da empresa e não pode ser tratado isoladamente pela área financeira.
“Planejar o caixa para o próximo ano significa entender não apenas quanto a empresa pretende faturar, mas também quais despesas, investimentos e mudanças operacionais estarão no caminho. Quando existe uma visão antecipada desses movimentos, a empresa consegue preservar liquidez e tomar decisões de investimento com mais segurança”, destaca Vanessa.
4. Mapear riscos e adequações regulatórias
Outro movimento importante é revisar as exigências regulatórias relacionadas à atividade da empresa. Mudanças em normas, obrigações acessórias, contratos, licenças e procedimentos internos podem gerar impactos financeiros e operacionais quando não são identificadas com antecedência.
O segundo semestre pode ser utilizado para levantar as principais obrigações previstas para 2027, definir responsáveis internos e estabelecer um cronograma de adequação. O objetivo é evitar que alterações regulatórias sejam tratadas apenas quando os prazos já estiverem próximos do vencimento.
“Não basta saber que uma regra vai mudar; é necessário entender quando ela entra em vigor, quais áreas serão afetadas”, explica Victor Hugo.
5. Transformar o diagnóstico em um plano para 2027
Por fim, todas as análises realizadas ao longo do segundo semestre precisam ser transformadas em ações concretas.
A recomendação é fortalecer os principais riscos e oportunidades identificados ao longo das revisões em um plano de ação, com responsáveis, prazos e impacto financeiro estimado. Dessa forma, o encerramento do ano passa a funcionar também como uma preparação estruturada para o ciclo seguinte.
“O principal ganho de fazer esse trabalho agora é chegar a 2027 sabendo o que precisa ser feito. A antecipação permite que a empresa escolha o momento de agir, negocie melhor e distribua os custos de adaptação ao longo do tempo, em vez de concentrar todas as decisões quando as mudanças já estiverem acontecendo”, conclui Victor Hugo Rocha.








