No livro “As 18 leis do dinheiro”, Charles Mendlowicz mostra que exposição, disciplina e controle dos próprios impulsos pesam mais na formação de patrimônio do que inteligência ou sorte
A explicação que Charles Mendlowicz oferece para esse enigma dispensa genialidade e acaso. Segundo o “Economista Sincero”, formado pela UERJ e com 30 anos de experiência no mercado financeiro, não tem mistério: quem se expõe mais, tenta mais vezes e não teme ouvir um “não”, ampliando o que chama de “área de captação” e acaba atingido com mais frequência pelas oportunidades. Já o aluno brilhante, que pondera cada risco e zela pela fama de inteligente, tende a ficar parado.
Com 8 em cada 10 famílias brasileiras endividadas e a popularização das apostas online, As 18 leis do dinheiro chega às livrarias com a missão de traduzir a educação financeira para uma linguagem acessível, direta e até mesmo bem-humorada. As 18 leis estão distribuídas em três blocos de seis e partem de uma metáfora que atravessa a obra inteira, a do dinheiro como energia. O leitor é descrito como uma bateria que precisa de células para reter carga, como qualificação, experiência, reputação e rede de relações, e de usinas que a produzam, como dividendos, aluguéis e negócios.
Vícios, dívidas de consumo, custos fixos e relações desalinhadas aparecem como os ralos por onde essa energia escoa. Cada capítulo termina com tarefas práticas, entre elas viver dois degraus abaixo da própria renda e separar 10% do rendimento líquido antes de qualquer outro gasto, começando com 2% para quem vive no limite. Parte do livro vai na contramão do discurso financeiro que circula nas redes. A Lei 9, por exemplo, intitulada “Investir vai te deixar pobre”, afirma que aplicar uma pequena fração de uma renda baixa é correto, mas insuficiente sem o aumento da capacidade de gerar dinheiro.
Mendlowicz também defende o emprego com carteira assinada (regime em que passou 15 anos), critica os gurus que o desqualificam e classifica memecoins e NFTs como aposta. Para organizar o patrimônio, propõe o Portfólio 3X, inspirado em um conselho do Talmud: um terço em terras, um em negócios e um em reserva, com rebalanceamento periódico. Os alertas são ilustrados por casos de famosos que perderam milhões em pirâmides financeiras e até mesmo de vencedores de reality shows que viram os prêmios desaparecer. Empréstimos a amigos, tributação, juros compostos e custos fixos completam o percurso.

Criador do canal Economista Sincero que conta com mais de um milhão de inscritos no YouTube, o economista desloca o problema do mercado para a cabeça do leitor. O cérebro humano, argumenta o autor, foi moldado para sobreviver, buscar recompensa imediata e poupar esforço, justamente o oposto do que exige a construção de patrimônio. “Seu cérebro quer sobreviver, e você precisa ensiná-lo a prosperar”, escreve. Daí sai a provocação mais incômoda do livro, a de que ninguém fará com mais dinheiro aquilo que não faz agora.
Leitura indicada para quem já percebeu que precisa de uma mudança na vida financeira, As 18 leis do dinheiro conversa com o jovem que acaba de entrar no mercado de trabalho, com o profissional com carteira assinada que não quer empreender, com o casal que ganha R$ 20 mil ou R$ 50 mil por mês e chega ao fim dele sem sobra e até mesmo com empreendedores que buscam vantagem competitiva. Em comum, essas pessoas convivem com crédito caro, apostas a um toque do celular e uma oferta constante de fórmulas rápidas de enriquecimento nas redes sociais.
Ficha técnica
Título: As 18 leis do dinheiro
Subtítulo: Entenda por que seu amigo burro tem mais dinheiro do que você
Editora: Citadel Editora
Autor: Charles Mendlowicz
ISBN livro físico: 978-6550475369
ISBN eBook: B0HGH4NBYH
Páginas: 224
Preço: R$ 69,90 (físico) | R$ 48,90 (eBook)
Onde encontrar: Amazon e principais livrarias do país








