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O “Natal das lavanderias”: chuva leva unidades a faturarem até 354% mais

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Períodos prolongados de chuva funcionam como uma alta temporada para o setor; em setembro, lojas maduras no Sul e Sudeste registraram receitas muito acima do ano anterior e de suas médias recentes

Chuva costuma entrar no balanço dos negócios pelo lado das perdas. Menos gente circulando pelas ruas, deslocamentos mais difíceis e operações afetadas pelo mau tempo. Mas há setores em que essa conta se inverte. Nas lavanderias self-service, dias seguidos de umidade e pouco sol têm efeito parecido com o de uma data comemorativa no varejo.
Setembro ofereceu uma fotografia especialmente clara desse fenômeno. Em cidades do Sul e Sudeste que enfrentaram volumes excepcionais de chuva, unidades maduras da Aquamagic, com pelo menos 12 meses de operação, registraram faturamentos muito acima tanto do mesmo mês de 2025 quanto de suas próprias médias recentes.
Em Jundiaí (SP), a receita da unidade passou de R$ 4,2 mil em setembro do ano passado para R$ 19,2 mil neste ano, avanço de 354%. O resultado também ficou 177% acima da média mensal da loja nos últimos 12 meses.
O salto coincidiu com um mês fora da curva no clima. Até 22 de setembro, Jundiaí já havia acumulado 387 mm de chuva, segundo dados da Defesa Civil, ante 110 mm durante todo o mês de setembro de 2025. Foi o setembro mais chuvoso desde o início da série municipal, em 2012, mais de 50% acima do recorde anterior, de 255 mm, registrado em 2015.
Em Piracicaba (SP), a combinação se repetiu. Até 17 de setembro, a cidade já havia acumulado cerca de 197 mm de chuva, segundo a estação meteorológica da Defesa Civil, contra 15,66 mm em todo o mês de setembro de 2025. Na unidade da Aquamagic, o faturamento saltou de R$ 7,8 mil para R$ 27,1 mil, alta de 247%. O resultado ficou 123% acima da média mensal dos 12 meses anteriores e, segundo a rede, superou o recorde anterior da loja.
No Sul, Curitiba (PR) terminou setembro com 339,4 mm de chuva, mais de duas vezes e meia a média histórica de 129,5 mm para o mês, de acordo com o Simepar. Na unidade São Braz, a receita passou de R$ 10,3 mil para R$ 20,4 mil, crescimento de 98% sobre setembro do ano passado e resultado 65% superior à média mensal dos últimos 12 meses.
Para Diego Ventura, fundador da Aquamagic, os números reforçam um comportamento que a rede observa há mais tempo. “Períodos prolongados de chuva costumam elevar a demanda das lavanderias entre 40% e 50%. O impacto varia conforme a cidade e a duração do mau tempo. Neste ano, em algumas operações, o faturamento chegou a mais que triplicar na comparação com o mesmo mês de 2025”, afirma.

Não é o temporal. É a roupa que não seca
O curioso é que o melhor cenário para uma lavanderia não é necessariamente o temporal que cai de uma vez e esvazia as ruas. O que pesa é quando a chuva insiste em ficar.
“Muitas vezes é justamente essa chuvinha que fica dias, a garoa, o tempo fechado, que impede a roupa de secar. Chega uma hora em que a pessoa precisa resolver”, diz Ventura.
Nos primeiros dias, quem tem máquina de lavar em casa pode continuar lavando normalmente e procurar a lavanderia apenas para usar a secadora. Mas o problema muda quando o sol não aparece no dia seguinte. Nem no outro.
“Roupas de trabalho precisam voltar para o armário, uniformes escolares precisam ser usados novamente, toalhas e roupas de cama continuam esperando. Enquanto uma leva ainda não secou, outra já precisa ser lavada. Depois de alguns dias, deixa de ser apenas um problema de secagem”, explica Ventura.
Por isso, segundo a rede, a proporção entre ciclos de lavagem e secagem fica mais equilibrada nesses períodos: parte dos clientes que chega à loja apenas para secar as roupas passa a fazer o serviço completo. É por isso que, para esse mercado, vários dias de garoa, umidade e céu fechado podem ter mais impacto do que uma tempestade concentrada em poucas horas. Não é apenas a quantidade de chuva que importa, mas por quanto tempo ela interfere na rotina.

Uma alta temporada sem data no calendário

O comportamento não ficou restrito a setembro. Antes disso, no Sul, períodos prolongados de chuva já haviam coincidido com saltos expressivos de faturamento em unidades maduras da rede. Um dos exemplos mais fortes aconteceu em Pelotas (RS). Entre 12 de julho e 20 de agosto, choveu em 30 de 40 dias na cidade, com 421 mm acumulados, segundo levantamento baseado na estação hidrometeorológica da Defesa Civil do Rio Grande do Sul. O volume foi quase o dobro da normal climatológica do Inmet para julho e agosto somados.
Em agosto, uma unidade da Aquamagic na cidade passou de R$ 7,2 mil para R$ 21,1 mil em faturamento, crescimento de 193% sobre o mesmo mês de 2025. O resultado ficou 282% acima da média mensal dos 12 meses anteriores, quase quatro vezes o padrão recente da loja.
Daí o apelido. Diferentemente do Natal do varejo, o “Natal das lavanderias” não tem data marcada no calendário: depende do tempo e pode começar em momentos diferentes em cada região do país.
Para a Aquamagic, esse comportamento também influencia a gestão das unidades. Períodos prolongados de chuva ajudam a dimensionar a capacidade das lojas, o uso das máquinas e o potencial de determinados mercados, especialmente em cidades com maior recorrência de umidade e pouco sol. “Não dá para tratar a chuva como algo previsível, mas o histórico das unidades ajuda a entender como a demanda reage e a preparar melhor a operação para esses períodos de pico”, afirma Ventura.

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