Informações

USDA surpreende mercado com oferta maior de milho nos EUA e derruba cotações em Chicago

3 Mins read

Relatório de outubro eleva produção americana para 407,3 milhões de toneladas e aumenta estoques globais; na soja, avanço da oferta também limita reação dos preços

O relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgado na sexta-feira, dia 9, trouxe números mais negativos do que o mercado esperava, principalmente para o milho. A revisão para cima da produção americana e o aumento dos estoques finais reforçaram a percepção de maior disponibilidade do cereal, provocando uma forte queda das cotações em Chicago. Para a soja, os ajustes foram menores, mas também apontaram para um balanço de oferta e demanda mais confortável.

“O milho foi a grande surpresa negativa deste relatório. O mercado esperava uma redução da produção americana, mas o USDA trouxe um aumento importante, acompanhado de estoques finais bem acima das expectativas. Isso muda a leitura que tínhamos em setembro, quando o balanço parecia mais apertado”, afirma Yedda Monteiro, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro. 

Milho concentra as principais revisões

Nos Estados Unidos, a estimativa de produção de milho para a safra 2026/27 subiu de 401,3 milhões para 407,3 milhões de toneladas, alta de 1,5%. A revisão contrariou as expectativas do mercado, que projetava uma redução para aproximadamente 399,7 milhões de toneladas.

Mesmo com a produtividade estimada em 186 sacas por hectare, o aumento da produção ampliou a oferta disponível. Os estoques finais americanos avançaram 18% em relação ao relatório de setembro, superando as projeções do mercado, que estavam próximas de 43 milhões de toneladas. Os estoques iniciais também foram elevados, enquanto exportações e consumo receberam pequenos ajustes positivos, insuficientes para compensar o aumento da oferta.

No cenário mundial, os estoques finais de milho passaram de 272,1 milhões para 280,4 milhões de toneladas, alta de 3,1%. O número também ficou acima dos 273,8 milhões de toneladas esperados pelo mercado.

Para Yedda, a combinação de produção maior e estoques mais elevados reduz a sustentação que o mercado vinha encontrando nas cotações internacionais. “O balanço do milho ficou mais confortável do que se imaginava. Com uma oferta maior nos Estados Unidos e no mercado global, Chicago passa a depender de novos fatores de demanda ou de algum risco de produção para recuperar força”, avalia.

No Brasil, a estimativa de produção para a safra 2026/27 permaneceu em 139 milhões de toneladas, com exportações projetadas em 43 milhões. Para a safra 2025/26, porém, a previsão de embarques brasileiros foi reduzida de 40 milhões para 38 milhões de toneladas. Na Argentina, a produção estimada para o próximo ciclo seguiu em 55 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais tiveram aumento de quase 25%.

Soja também tem oferta mais confortável

Na soja, o USDA promoveu ajustes mais limitados, mas que também apontam para uma condição menos apertada de oferta. A produção americana da safra 2026/27 foi elevada em 0,6%, para 124,2 milhões de toneladas, enquanto a estimativa de exportações subiu para 46,1 milhões de toneladas.

O avanço da demanda externa, entretanto, não foi suficiente para impedir o aumento dos estoques finais dos Estados Unidos, de 8,4 milhões para 8,6 milhões de toneladas. No balanço mundial, os estoques também cresceram e ficaram acima das expectativas do mercado, de 123,5 milhões de toneladas.

As estimativas para China, Brasil e Argentina tiveram poucas alterações relevantes. Com isso, o relatório não trouxe novos elementos de restrição da oferta que pudessem dar sustentação às cotações.

“Na soja, a leitura é de neutra a levemente negativa. As exportações americanas melhoraram, mas a produção e os estoques também aumentaram. O mercado agora deve acompanhar principalmente a retomada das compras chinesas depois do feriado e o ritmo da demanda nas próximas semanas”, diz Yedda.

Comercialização exige atenção do produtor

A reação do mercado reforça a necessidade de acompanhar as oportunidades de comercialização, especialmente no milho. Com o aumento dos estoques americanos e globais, as cotações internacionais passam a ter menos sustentação, a menos que surjam novos estímulos de demanda ou preocupações com a produção.

Para a soja, o comportamento das compras chinesas e a evolução da safra sul-americana estarão entre os fatores importantes para a formação dos preços. No Brasil, a dinâmica das exportações também merece atenção diante da perda de competitividade. 

“O produtor precisa observar as janelas de oportunidade e avaliar a comercialização de forma escalonada, principalmente no milho. Neste momento, depender apenas de uma recuperação de Chicago pode ser arriscado, porque o relatório trouxe uma sinalização mais negativa para os preços”, conclui a analista.

Related posts
Informações

Matéria-prima usada em roupas fitness, biquínis e lingerie sobe quase 50% em 2026

3 Mins read
Valorização da caprolactama em 2026 já se reflete nas cotações internacionais dos fios. Tecnologias apresentadas pela CTM na ONDM mostram alternativas para…
Informações

Após derrota de Flávio Bolsonaro, busca por cidadania espanhola cresce 743% no dia seguinte à eleição

1 Mins read
Apenas 24 horas após os resultados, a busca por informações sobre vistos aumentou de 94 para 418 chamados na assessoria especializada Espanha…
Informações

Concessões de R$ 102,7 bilhões abrem caminho para digitalização das rodovias

3 Mins read
Carteira prevista para 2027 amplia espaço para modelagem de projetos, simulações e drones no planejamento e na execução de obras, avalia Autodesk…