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Matéria-prima usada em roupas fitness, biquínis e lingerie sobe quase 50% em 2026

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Valorização da caprolactama em 2026 já se reflete nas cotações internacionais dos fios. Tecnologias apresentadas pela CTM na ONDM mostram alternativas para agregar valor aos tecidos

O custo de produzir roupas fitness, biquínis e peças de lingerie pode sofrer novas pressões por causa da valorização de uma matéria-prima importante para a indústria têxtil. A caprolactama, utilizada na fabricação da poliamida 6, acumulou alta de 49,67% entre janeiro e outubro de 2026 no mercado chinês. O aumento já se reflete nas cotações internacionais dos fios e exige atenção de fabricantes de tecidos, confecções e marcas.

Os dados fazem parte de um levantamento acompanhado pela CTM, empresa de Blumenau (SC) especializada em fios e soluções têxteis. Segundo indicadores da plataforma internacional Echemi, a cotação média da caprolactama passou de 9.509,57 para 14.233,00 yuans por tonelada (CNY/t) entre janeiro e outubro. Cada tonelada corresponde a mil quilos do insumo. A valorização ganhou força no segundo semestre. Em junho, a matéria-prima era cotada a 11.499,30 CNY/t, em média. Em agosto, o valor chegou a 12.549,31 CNY/t e, em setembro, alcançou 14.096,25 CNY/t. Somente entre os dias 1º e 21 de outubro, houve nova alta de 1,52%.

O movimento também aparece em outros indicadores da cadeia produtiva. Na comparação entre outubro de 2025 e outubro de 2026, o levantamento da CTM aponta valorização de 66,87% na caprolactama, de 87,74% no benzeno, utilizado em sua fabricação, e de 65,42% no petróleo Brent.

Os reflexos já podem ser observados no mercado de fios. Segundo monitoramento da plataforma Claight, o fio de poliamida FDY (fio de filamento contínuo), utilizado em diferentes aplicações têxteis, registrou alta de 8,2% no mercado chinês entre 2 de setembro e 2 de outubro de 2026, chegando a US$ 2.737 por tonelada. Outro indicativo veio da fabricante química BASF, que anunciou, em setembro, reajuste de US$ 0,15 por libra para caprolactama, poliamida 6 e copoliamida na América do Norte, com vigência a partir de outubro, conforme as condições contratuais. 

Para dimensionar o que essa valorização poderia representar para o consumidor, uma simulação considera uma peça de roupa vendida por R$ 200, na qual os materiais afetados pela alta correspondam a 5% a 15% do preço final. Se todo esse custo aumentasse 49,67%, acompanhando a valorização da caprolactama, e o reajuste fosse integralmente repassado, o preço da peça poderia subir entre R$ 4,97 e R$ 14,90, chegando a aproximadamente R$ 205 a R$ 215. O cálculo é hipotético e não representa um aumento já observado nas lojas, mas ajuda a ilustrar como as oscilações nas matérias-primas podem chegar ao consumidor.

O cenário reforça a importância do planejamento de compras e da busca por alternativas que permitam às marcas oferecer produtos com diferenciais além do preço.

Tecnologia como diferencial para a moda

Em um mercado pressionado pela valorização das matérias-primas, a inovação ganha espaço no desenvolvimento de tecidos que combinam conforto, estética e funcionalidade.

Esse foi um dos destaques da participação da CTM na ONDM – O Negócio da Moda 2026, realizada entre 20 e 22 de outubro, em Balneário Camboriú (SC). A empresa apresentou oito tecnologias de fibras funcionais, desenvolvidas para ampliar as possibilidades de aplicação dos fios em diferentes segmentos da indústria têxtil.

Entre as soluções está a Pro Cover, tecnologia que aumenta a opacidade dos tecidos, inclusive em cores claras e construções leves. O recurso é especialmente interessante para leggings, roupas íntimas e peças ajustadas ao corpo, permitindo explorar maior cobertura sem depender exclusivamente de tecidos mais pesados.

Outra tecnologia apresentada foi a Pro Elastic, que proporciona elasticidade e recuperação dimensional por meio da engenharia e texturização dos fios. A característica favorece o conforto e a manutenção da forma das peças após o uso, atributos valorizados principalmente em roupas esportivas e ajustadas ao corpo.

O desempenho final dessas soluções depende da composição e da construção de cada tecido, mas demonstra como a inovação nos fios pode ampliar as possibilidades de desenvolvimento de produtos para o mercado consumidor.

“Nosso trabalho vai além de apresentar novas tecnologias. Buscamos entender o que as marcas e as confecções precisam desenvolver e orientar tecnicamente esses profissionais na escolha dos fios mais adequados a cada projeto. A composição, a construção do tecido e a aplicação final precisam ser consideradas em conjunto para que os atributos da tecnologia se traduzam em benefícios para o produto”, afirma Carlos Modolo, CEO da CTM.

Embora não elimine os efeitos do aumento das matérias-primas, a tecnologia permite que fabricantes e marcas busquem diferenciação por meio de características que agregam valor às peças.

Para a CTM, acompanhar o comportamento do mercado internacional e apresentar soluções tecnológicas faz parte do trabalho de conectar a indústria brasileira a novas possibilidades de desenvolvimento. Em um cenário de preços voláteis, aliar planejamento, conhecimento técnico e inovação torna-se cada vez mais importante para a competitividade do setor.

“Em um cenário de custos variáveis, é importante que os desenvolvedores avaliem não apenas o preço do fio, mas também o desempenho que ele pode oferecer ao produto final. Nosso papel é compartilhar informações sobre as tecnologias disponíveis e apoiar as empresas nessa avaliação, considerando as necessidades de cada aplicação e o posicionamento da marca”, complementa Modolo.

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