Tecnologia torna-se indispensável para simular impactos no caixa, auditar documentos em tempo real e monitorar a conformidade fiscal de fornecedores
As empresas terão alternativas para o recolhimento da CBS e do IBS no novo sistema da Reforma Tributária antes mesmo do início obrigatório do split payment (divisão de pagamentos) em 2028. Uma dessas opções será o RAD (Recolhimento pelo Adquirente), modalidade de recolhimento prevista na legislação. Por meio dele, a partir de janeiro de 2027, o comprador poderá recolher os tributos diretamente ao Fisco, pagando ao fornecedor apenas o valor líquido da operação e garantindo, assim, o crédito tributário.
Na avaliação da advogada Bruna Raelle, coordenadora do Consultivo Tributário do Serur, ao recolher diretamente os tributos incidentes sobre a operação, a empresa adquirente assegura a sua apropriação de créditos.
“A questão ganha relevância porque, no novo sistema tributário, o aproveitamento dos créditos de IBS e CBS pelo adquirente está condicionado à extinção do débito tributário relativo à operação pelo fornecedor. Assim, o RAD pode funcionar como um instrumento de mitigação de riscos relacionados à apropriação de créditos pelo adquirente”, afirma.
Para Edinilson Apolinário, CBO da AG TaxTech, empresa referência em inteligência tributária e gestão fiscal, essa virada de chave trará um forte impacto nos negócios. Segundo ele, o início facultativo de recolhimento via RAD, em janeiro de 2027, vai mostrar o impacto do split payment no fluxo de caixa e o capital de giro das empresas.
“O principal desafio não é fiscal, mas cultural e operacional. Historicamente, empresários usam impostos como capital de giro informal. Com o RAD e o split payment, esse dinheiro é recolhido na fonte e deixa de entrar no caixa, extinguindo essa liquidez temporária e gerando um sufoco operacional imediato”, explica Apolinário, CBO da AG TaxTech.
Nesse cenário desafiador, Apolinário alerta que a inteligência tributária é vital para a sobrevivência do negócio. Sem softwares de modelagem fiscal e Inteligência Artificial, as organizações correm o risco de ter créditos adiados e recursos travados. Apolinário explica que, a tecnologia torna-se indispensável para simular impactos no caixa, auditar documentos em tempo real e monitorar a regularidade fiscal de fornecedores.
“Essa mudança estrutural forçará os executivos a revisarem novos projetos, planos de expansão e a própria gestão do fluxo de caixa, já que o financiamento de curto prazo ficará mais escasso e caro. Com o split payment e o RAD, as empresas que não se planejarem e não utilizarem a inteligência tributária e a modelagem fiscal preditiva para blindar suas operações ficarão reféns do crédito bancário e de juros altos”, enfatiza Apolinário.








