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A crise não é nova, só o nome mudou

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Faltando poucos dias para as eleições 2026, o país repete o mesmo roteiro de sempre e a pergunta que importa não é quem vai vencer, mas o que você vai fazer enquanto isso

Por Tony Diniz*

A história do Brasil não empata. Ela sempre acaba 2 a 1 para o mesmo time: o povo perde, o noticiário ganha, e a gente aprende a lição só até a próxima eleição.

Reparei algo curioso: toda crise nova chega se apresentando como se fosse a primeira do mundo. Tem cara de novidade, cheiro de breaking news. Só que se você já tem uns anos de estrada, reconhece o roteiro de longe. É sempre a mesma peça em três atos. Alguém promete milagre, o milagre vira remendo, o remendo vira meme.

Ministro troca. Partido troca. Manchete troca de manchete. O resto, o medo, a pressa, a fila do banco, o cunhado que virou economista da noite para o dia. Isso não troca nunca.

E olha que timing engraçado: outubro está batendo na porta outra vez. Mais de 158 milhões de brasileiros voltando para a fila da urna, repetindo o mesmo ritual de sempre (promessa, ataque, promessa, arrependimento) como quem assiste De Volta Para o Futuro achando que vai ser diferente dessa vez. Não vai. Nunca foi.

Meu avô já contava do Cruzado. Eu ouvia achando papo de velho. Hoje eu sou o velho contando do Collor para os mais novos, que também acham que é papo de velho. Um dia esses vão contar de 2026 para os filhos deles, com a mesma cara de “você não estava lá”. Todo mundo está lá. Só ninguém quer admitir que já viu esse filme.

Aqui vai uma verdade desconfortável: crise não é acidente de percurso no Brasil. É item de cardápio. Vem junto, que nem farofa em churrasco. Quem organiza a vida esperando o país ficar quieto de vez em quando vive frustrado o ano inteiro e ainda reclama que “esse país não tem jeito”, como se o jeito não fosse exatamente esse.

E se crise é prato garantido no cardápio brasileiro, a pergunta que interessa não é se ela vem. É o que você faz com o prato na mesa. Para quem está na lida, vendendo, empreendendo, aparecendo, a resposta é direta: enquanto um grupo fica esperando o cenário abrir um sorriso para agir – Selic baixar, poeira eleitoral assentar, “deixa passar outubro” – a vida vai passando batido, sem pedir licença. Quem prosperou nesse país não foi quem acertou o próximo presidente. Foi quem descobriu um jeito de trabalhar que funciona debaixo de qualquer um deles.

Fica a receita, por mais chata que seja: pare de terceirizar seu resultado para o Palácio do Planalto! Seja lá quem for eleito em outubro. Selic não é sua régua. Resultado do TSE não é sua desculpa. Sua régua é o que você faz de segunda a segunda, com o país arrumado ou em pé de guerra.

A falha é continuar se surpreendendo com a crise. E, pior, usando-a de bode expiatório para não fazer o dever de casa. Todo mundo sobrevive à crise do mesmo jeito. A diferença é quem sai dela maior do que entrou.

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