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A força do interior: o Brasil competitivo fora das capitais

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Marcos Koenigkan-Créditos da foto: Divulgação
Marcos Koenigkan-Créditos da foto: Divulgação

Por Marcos Koenigkan

O debate sobre competitividade no Brasil costuma se concentrar em dois polos: a agenda macroeconômica e as grandes capitais. Entretanto, o que se desenha para os próximos anos é um movimento que nasce distante dos centros tradicionais de poder e influencia diretamente a capacidade do país de crescer de forma sustentável: a valorização econômica dos interiores.

O Brasil tem mais de 5.500 municípios e a imensa maioria deles está fora dos grandes centros urbanos. Nessas cidades estão concentradas cadeias produtivas estratégicas, que vão do agronegócio à indústria de transformação, passando por polos de inovação que surpreendem pela eficiência e criatividade.

Segundo dados recentes do IBGE, mais de 70% do valor da produção agropecuária vem de municípios de médio e pequeno porte. A interiorização também já alcança a tecnologia: ecossistemas de startups em cidades como Ribeirão Preto (SP), Maringá (PR) e Campina Grande (PB) revelam que o futuro da inovação está se variando geograficamente em nosso país.

Outros exemplos de destaque são Uberlândia (MG), que registrou PIB acima de R$55 bilhões, sendo um dos maiores centros logísticos e agroindustriais do país, Sorocaba (SP), que ultrapassou R$ 44 bilhões, com força no setor metalúrgico, automotivo e tecnológico, Joinville (SC), que já passa dos R$ 40 bilhões, destacando-se pela indústria diversificada e pelo ecossistema de inovação catarinense, Sinop (MT), que há três décadas era um pequeno polo de colonização agrícola, hoje já ultrapassa R$ 12 bilhões, crescendo em ritmo acelerado com base no agronegócio e na construção civil e Petrolina (PE), que superou R$ 9 bilhões, impulsionada pela fruticultura irrigada e pelo agronegócio exportador no Vale do São Francisco.

Esses números ilustram a transformação silenciosa que vem ocorrendo fora das capitais, com cidades médias ganhando protagonismo e fortalecendo a base econômica nacional. Para que essa força se converta em competitividade nacional, alguns pontos são centrais. O primeiro é a infraestrutura logística. Melhorar estradas, portos secos e ferrovias que ligam regiões produtoras a centros consumidores é condição básica para que o interior seja protagonista.

O segundo é educação de qualidade. Municípios do interior que investem em universidades, institutos federais e formação técnica estão colhendo frutos mais rapidamente, pois atraem empresas que buscam mão de obra qualificada.

O terceiro é o ambiente regulatório. Incentivos fiscais bem calibrados e políticas públicas que estimulem a descentralização da indústria podem reduzir desigualdades regionais e ampliar a rede de cidades competitivas.

Na prática, o interior é onde a economia real acontece. É onde se produzem alimentos, energia limpa, tecnologia de ponta em áreas como biotecnologia e agritech. Empresários que sabem enxergar essas oportunidades percebem que a expansão para cidades médias não é apenas uma alternativa de custo mais baixo, mas uma estratégia de futuro.

E, mais do que isso, o fortalecimento dos interiores amplia o mercado consumidor. Quando a renda cresce fora das capitais, o círculo virtuoso se estabelece, gerando consumo, investimento local e criando novos empreendedores.

O Brasil só se tornará verdadeiramente competitivo quando entender que o desenvolvimento não pode estar restrito a alguns CEPs privilegiados. O caminho passa por dar voz, infraestrutura e condições aos interiores. É dali que virá a energia capaz de equilibrar o país e projetá-lo de forma sólida no cenário global.

No Grupo Mercado & Opinião, do qual sou presidente, cruzamos empresários de diversos pontos do Brasil, criando sinergia e interesse em descobrir novos horizontes, para que os investimentos tenham um alcance maior e destaquem regiões até então, pouco exploradas. Nosso país é uma riqueza por si só. Estamos entendendo isso e todo mundo ganha.

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