Após concentrar até 72% do volume de vendas do setor em maio, figurinhas registram quedas semanais de até 60% desde a eliminação do Brasil na Copa do Mundo
Depois de impulsionar o mercado brasileiro de brinquedos desde o lançamento do álbum da Copa do Mundo, as figurinhas passaram a desacelerar após o campeonato. A queda dos colecionáveis, no entanto, vem sendo compensada pela recuperação das demais subclasses do setor, que cresceram nas duas últimas semanas analisadas pela Circana.
O efeito das figurinhas apareceu assim que o álbum chegou às bancas. Entre 27 de abril e 3 de maio, na primeira semana de comercialização, o produto já respondia por 42% das vendas em unidades e 8% do faturamento do mercado de brinquedos. Na semana seguinte, de 4 a 10 de maio, essa participação saltou para 72% do volume e 24% da receita do setor.
Somadas as duas semanas, o mercado de brinquedos cresceu 174% em unidades e 29% em faturamento na comparação com o mesmo período de 2025, com as figurinhas concentrando 62% das vendas em volume e 16% em valor. Mesmo fora do universo dos colecionáveis, o setor teve resultado positivo: altas de 3% em unidades e 6% em faturamento, um crescimento mais moderado, mas distribuído entre outras categorias.
A pré-venda começou em abril, a comercialização nas lojas físicas em maio, e o pico das figurinhas veio na primeira semana de junho. Dali em diante, o desempenho oscilou até esfriar de vez após a semana encerrada em 21 de junho.
Entre 22 e 28 de junho, as vendas já recuavam -13% frente à semana anterior. Na primeira semana após a eliminação do Brasil, em 5 de julho, o tombo chegou a 19% na comparação entre 6 a 12 de julho e de 29 de junho a 5 de julho e 44% em relação ao pico de vendas. Em números absolutos, porém, a queda manteve ritmo parecido ao das semanas anteriores, mesmo com o salto percentual.
“As figurinhas tiveram um papel excepcional nesta Copa, tanto pela participação que alcançaram nas vendas quanto pela capacidade de modificar temporariamente a composição do mercado. A desaceleração na reta final é compatível com o ciclo de um produto fortemente associado ao calendário da competição e ao desempenho da seleção brasileira”, analisa Célia Bastos, diretora executiva da Circana Brasil.
Com a procura por figurinhas em queda nas duas últimas semanas, as demais subclasses de brinquedos ganharam espaço, num movimento que sinaliza a redistribuição do consumo depois de um período de forte concentração nos colecionáveis.
“A queda das figurinhas não representa necessariamente uma perda de demanda para todo o setor. À medida que esse produto deixa de concentrar uma parcela tão elevada das compras, outras subclasses voltam a ganhar espaço. O mercado começa a retomar um mix mais diversificado, com o consumidor direcionando seus gastos para diferentes tipos de brinquedos”, afirma Célia.








