Saúde

Ambientes fechados acendem alerta para a qualidade do ar e a saúde respiratória

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Tema será abordado pela ASBRAV no Mercofrio 2026, que discutirá eficiência, tecnologia e prevenção no setor AVAC-R

A relação entre ambientes fechados, sistemas de climatização e saúde respiratória ganha relevância no período de maior incidência de doenças respiratórias. A Qualidade do Ar Interno (QAI) será um dos temas em destaque nas ações técnicas e de conscientização da Associação Sul Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Aquecimento e Ventilação (ASBRAV), especialmente no contexto do Mercofrio 2026, 15º Congresso Internacional de Ar Condicionado, Refrigeração, Aquecimento e Ventilação, que será realizado de (15 a 17 de setembro), no BarraShoppingSul, em Porto Alegre.

Com o tema central “AVAC-R Inteligente: IA, Eficiência e Qualidade do Ar para um Planeta Sustentável”, o congresso reunirá profissionais, pesquisadores, gestores, técnicos e empresas do setor para discutir soluções aplicadas à climatização, à eficiência energética, à sustentabilidade e à segurança dos ambientes internos. Entre os painéis previstos na programação estão Qualidade do Ar Interno, descarbonização, normas técnicas e legislação, segurança alimentar, cadeia do frio e inteligência artificial aplicada ao setor de aquecimento, ventilação, ar condicionado e refrigeração (AVAC-R). 

A bióloga e diretora de Qualidade do Ar Interno da ASBRAV, Janaína Costa, destaca que o tema deixou de estar relacionado apenas ao conforto térmico e passou a ser tratado como uma questão de saúde coletiva. Em ambientes climatizados, a presença de contaminantes microbiológicos pode impactar trabalhadores, frequentadores e pacientes, especialmente quando há falhas de manutenção, pouca renovação de ar, acúmulo de matéria orgânica em filtros e dutos ou ausência de monitoramento adequado.

“A qualidade do ar interno transcende a questão do conforto e se consolida como um pilar na prevenção de doenças. O gerenciamento adequado desses ambientes é fundamental para que ofereçam bem-estar, segurança e proteção à saúde das pessoas”, afirma a diretora de Qualidade do Ar Interno da ASBRAV, Janaína Costa. 

Entre os principais riscos microbiológicos associados a sistemas de ventilação, aquecimento e ar-condicionado estão bactérias, fungos e vírus. Embora os vírus sejam mais conhecidos pela população, a especialista chama a atenção para agentes frequentemente negligenciados, como fungos dos gêneros Aspergillus, Cladosporium, Penicillium e Candida, além de bactérias que podem circular pelo ar e se depositar em superfícies e equipamentos. Em ambientes sensíveis, como hospitais, a atenção precisa ser ainda maior, especialmente durante obras, reformas ou intervenções que possam transportar poeira e partículas para áreas críticas, como unidades de terapia intensiva e salas cirúrgicas.

Os efeitos da baixa qualidade do ar podem variar de manifestações leves a condições mais graves. Irritação nos olhos, nariz e garganta, tosse, congestão nasal, chiado no peito, dor de cabeça, fadiga, dificuldade de concentração, náuseas, ressecamento da pele e desconfortos respiratórios estão entre os sintomas associados à exposição a contaminantes em ambientes internos. Para grupos mais vulneráveis, como idosos, crianças, pessoas imunossuprimidas ou pacientes hospitalizados, os riscos podem ser ampliados.

A prevenção passa por uma combinação de medidas técnicas e de gestão contínua. Ventilação adequada, filtragem eficiente, controle de umidade, manutenção rigorosa, troca periódica de filtros, cumprimento do Plano de Manutenção, Operação e Controle (PMOC), avaliação microbiológica e monitoramento constante da qualidade do ar são apontados como práticas essenciais. A diretora também destaca a importância do uso de sensores para acompanhar indicadores como material particulado, umidade e compostos orgânicos voláteis, permitindo respostas mais rápidas e planejamento de intervenções.

Para a ASBRAV, ampliar o debate sobre QAI é também uma forma de conscientizar empresas, gestores públicos, empreendedores e a sociedade sobre responsabilidades compartilhadas. A entidade defende que a adesão às normas e diretrizes de órgãos competentes, como Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e referências internacionais do setor, precisa ser acompanhada de comprometimento prático na operação diária dos ambientes internos.

O Mercofrio 2026 será uma das oportunidades para aprofundar esse debate. Reconhecido pelo alto nível técnico, o congresso chega à 15ª edição consolidado como espaço de inovação, conhecimento e networking estratégico para o setor AVAC-R. A programação deve unir palestras técnicas e acadêmicas durante o dia, com foco em inteligência artificial, otimização de sistemas, impacto ambiental e qualidade do ar, além de treinamentos práticos voltados ao público instalador no período da noite, por meio da Resenha do Frio. 

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