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Após Suprema Corte derrubar ‘tarifaço’ imposto por Trump, exportação de barcos brasileiros volta ao radar dos EUA

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Decisão nos EUA que derrubou tarifas sobre produtos importados reduz barreiras comerciais e tende a impactar positivamente as exportações para o país. No setor náutico, estaleiros já projetam aumento da produção voltada ao mercado norte americano em 2026.

Após meses de retração provocada por sobretaxas que chegaram a 50% impostas pelo presidente Donald Trump, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou, em 20 de fevereiro de 2026, as tarifas aplicadas com base na International Emergency Economic Powers Act (IEEPA). A decisão invalida tanto a tarifa-base de 10% quanto às alíquotas adicionais direcionadas a países específicos. Durante a vigência das medidas, as exportações brasileiras para os EUA recuaram 18,5% em agosto de 2025 e 20,3% em setembro, na comparação anual, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

No setor náutico, onde os Estados Unidos concentram a maior parte da demanda externa, a imposição das tarifas mais elevadas levou a indústria a projetar queda superior a 30% nas exportações de embarcações, especialmente de lanchas e iates. Com a reversão das medidas, o estaleiro paranaense Triton Yachts, que atualmente destina cerca de metade da produção ao mercado americano, projeta ampliar essa participação para até 60% em 2026. A empresa atua nos Estados Unidos por meio da marca Hanover.

“Foi um período de maior cautela nas negociações, principalmente pelo impacto direto no preço final e no impacto da competitividade do produto brasileiro. Mesmo assim, conseguimos manter presença no mercado americano, com uma base de clientes consolidada e demanda recorrente. A retirada das tarifas abre espaço para a reativação de negociações que haviam sido suspensas, além de permitir um planejamento comercial mais amplo e previsível para os próximos ciclos”, afirma Allan Cechelero, diretor da Triton Yachts.

Segundo o executivo, a competitividade das embarcações brasileiras no mercado norte-americano está associada à combinação entre custo, design, tecnologias e flexibilidade de customização. “A personalização pesa na decisão de compra. Conseguimos adaptar layout, acabamento e motorização conforme o perfil do cliente, mantendo padrão internacional e todas as certificações exigidas”, diz.

Entre os modelos mais procurados no país está a Hanover 387, uma lancha de 38 pés voltada ao segmento de lazer e passeios prolongados, que se consolidou como um dos principais produtos da marca no Brasil e no exterior. O modelo se destaca pelas plataformas laterais retráteis, que ampliam a área útil junto ao mar e facilitam o acesso à água, além de reforçar a experiência de uso em ancoragem. No interior, conta com cabine fechada equipada com quarto de casal e banheiro completo, atendendo a demandas por conforto em estadias mais longas. No convés, reúne hard top rígido, espaço gourmet e ambientes integrados, solução que prioriza a convivência a bordo. O conjunto de design, funcionalidade e aproveitamento de espaço, inspirado em embarcações europeias, têm contribuído para a aceitação do modelo no mercado americano.

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