Especialista da Recovery explica por que desconto nem sempre significa economia e indica boas práticas para a data
Segundo levantamento da Serasa Experian, uma das principais bases de dados sobre o mercado brasileiro, cerca de 23,5 milhões de brasileiros devem movimentar a Black Friday deste ano. Além disso, mais da metade (52,8%) apresenta perfil de “caçador de descontos” e 30,1% têm perfil de múltiplos cartões, 9,5% acima da média da população brasileira.
A Black Friday concentra muitos estímulos em um período curto de tempo e também próximo a uma época marcada por outras despesas relevantes, como festas de fim de ano, férias, impostos e gastos de início de ano. Descontos, ofertas por tempo limitado e a sensação de que aquela oportunidade não vai se repetir podem pressionar a decisão e fazer o consumidor subestimar o impacto da compra no orçamento. O risco aumenta quando a escolha é feita só com base no preço ou no valor da parcela, sem considerar outros compromissos já assumidos e as despesas dos meses seguintes.
“O desconto, sozinho, não determina se uma compra é vantajosa. É importante comparar preços, entender se aquele valor realmente caiu e, principalmente, avaliar se o produto já estava nos planos. Uma promoção pode ser favorável em termos de preço e ainda assim não ser uma boa decisão financeira. Se a compra não era necessária ou não cabe no orçamento, a oferta não compensa o impacto que ela pode gerar depois”, ressalta Claudia Andrade, Diretora de Cobrança da Recovery.
Como avaliar se uma compra parcelada realmente cabe no orçamento?
O primeiro passo é olhar para a renda líquida e descontar as despesas essenciais e todos os compromissos que já estão assumidos, incluindo outras parcelas. O que sobra é a margem disponível para novos gastos, imprevistos e alguma reserva.
Antes de assumir uma nova parcela, vale fazer uma pergunta simples: “se surgir uma despesa inesperada no próximo mês, ainda vou conseguir pagar tudo sem precisar recorrer a mais crédito?”. Se a resposta for não, pode ser um sinal de que o orçamento já está apertado demais e não vale investir em uma compra parcelada.
O peso das pequenas parcelas
Mais do que uma compra isolada, o principal ponto de atenção está no acúmulo de pequenas parcelas. Despesas recorrentes podem parecer pouco relevantes quando analisadas separadamente, mas, juntas, diminuem a margem disponível no orçamento. É parecido com o que acontece com os chamados gastos invisíveis. Muitas vezes não é uma grande despesa que desequilibra as finanças, mas a soma de vários compromissos incorporados ao longo do tempo sem uma visão do todo.
“A principal indicação antes de assumir um novo gasto, é olhar não apenas quanto aquela aquisição custa por mês, mas tudo o que já está comprometido naquele orçamento”, reforça a especialista.
Checklist financeiro: o que fazer antes de confirmar uma compra?
- Planejar o gasto antes da promoção: avalie se aquela aquisição já estava nos planos antes de surgir uma oferta ajuda a separar uma necessidade real de uma decisão motivada apenas pelo impulso ou pela sensação de urgência. Faça uma lista do que realmente pretende comprar e avalie o que pode ficar para depois.
- Avaliar o orçamento disponível: também é importante verificar se a compra cabe no orçamento sem comprometer despesas essenciais. O valor disponível deve ser analisado considerando contas fixas, gastos do mês e outros compromissos já assumidos. A partir dessa visão, fica mais fácil entender o que precisa ser priorizado e quais compromissos podem exigir uma negociação.
O mais importante é não ignorar o problema e evitar usar um novo crédito apenas para cobrir despesas anteriores sem entender o impacto dessa decisão. - Preservar uma margem para imprevistos: reflita se ainda haverá margem para lidar com imprevistos. Se aquela aquisição deixar o orçamento sem nenhuma folga, pode ser um sinal de que o melhor caminho é esperar.
- Comparar preços: por fim, pesquise diferentes opções e confirme se a oferta realmente é vantajosa e fundamental. Também vale definir um limite máximo de gastos antes de começar a olhar as promoções, evitando que ofertas levem a gastos acima do planejado. Afinal, nem sempre um desconto anunciado significa o melhor preço disponível.
“O principal erro nessas datas é comprar olhando apenas para o desconto ou para o valor da parcela. A pergunta não deveria ser apenas ‘está barato?’, mas também ‘essa despesa faz sentido para mim e cabe no meu orçamento?’ Uma oferta deixa de ser vantajosa quando cria um compromisso que será difícil manter depois”, finaliza Claudia.








