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Bolsa brasileira renova recordes, mas analista alerta para rali insustentável sem ajuste fiscal

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Ibovespa pode manter o ímpeto até início de 2026, mas pode perder altitude tão rápido quanto subiu, diz Thiago Duarte, analista de mercado da Axi

A Bolsa brasileira atingiu novas máximas históricas recentemente, impulsionada pelo otimismo com a queda da inflação, lucros corporativos sólidos e fluxo constante de capital estrangeiro. No entanto, por trás da euforia, a sustentabilidade desse rali depende menos dos fundamentos de curto prazo e mais do que acontecerá em 2026–2027, de acordo com Thiago Duarte, analista de mercado da Axi.

Segundo o economista, os investidores parecem precificar dois possíveis cenários envolvendo as eleições de 2026. “Ou o governo Lula adota uma postura fiscal mais rígida antes do próximo ciclo eleitoral, ou um candidato de perfil reformista, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, assume o poder e restaura a confiança dos mercados”, diz. “Ambos os cenários não podem se concretizar ao mesmo tempo, e, se a disciplina fiscal não avançar, essa alta histórica pode rapidamente perder fôlego”.

Para Duarte, a movimentação recente da bolsa brasileira serve de alerta. “O bull market de 2016 a 2018 também começou embalado por otimismo com reformas e liquidez global, mas perdeu força assim que o cansaço fiscal reapareceu. O contexto atual não é muito diferente, já que o Brasil ainda enfrenta entraves estruturais, como um sistema tributário complexo, rigidez trabalhista e fragmentação política, que limitam o crescimento sustentável”.

Ainda assim, os lucros corporativos permanecem robustos, o país segue como o mercado acionário mais líquido da região e a estabilidade do real dá suporte no curto prazo. Porém, se o apetite global por risco enfraquecer ou as commodities perderem força, Duarte acredita que é provável que o mercado veja uma correção rápida. “O Ibovespa pode manter o ímpeto até o início de 2026, mas, sem um ajuste fiscal crível, o rali recorde corre o risco de perder altitude tão rápido quanto subiu”.

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