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Brachiaria brasileira Dunamis une combate à fome e baixo carbono

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Desenvolvida pela Milagro Agro Brasil, Dunamis aposta em produtividade no campo, rentabilidade e agricultura/pecuária de baixo carbono e surge como alternativa para ampliar a produção de alimentos e combate a fome na África

Produzir mais alimentos, aumentar a renda de quem vive do campo e reduzir o impacto ambiental da agricultura/pecuária são desafios que costumam aparecer separadamente. Para a Milagro Agro Brasil, no entanto, os três podem fazer parte da mesma estratégia.

A empresa brasileira aposta na brachiaria híbrida Dunamis como uma tecnologia capaz de atuar nessa equação. Desenvolvida a partir do cruzamento das brachiarias Marandu e Decumbens, segundo a companhia, a cultivar busca reunir características das duas plantas e ampliar sua utilização tanto na pecuária quanto em sistemas integrados de produção.

A proposta é fazer da brachiaria mais do que uma fonte de alimento para o rebanho.

Ao combinar produção de biomassa, cobertura vegetal e desenvolvimento radicular, a Dunamis é posicionada pela empresa como ferramenta para produzir mais alimento por hectare, melhorar o desempenho econômico da propriedade e contribuir para sistemas de agricultura e pecuária de baixo carbono.

O modelo já encontra aplicação na pecuária brasileira, com foco na produção de carne e leite, e agora é visto pela companhia como uma alternativa com potencial para enfrentar um desafio de proporções globais: a segurança alimentar.

Uma alternativa para produtividade na África

A África Subsaariana deverá chegar a cerca de 2,0 bilhões de habitantes em 2046, aumentando significativamente a demanda por alimentos nas próximas duas décadas.

Ao mesmo tempo, sua produtividade agrícola permanece distante da média mundial. Dados reunidos pelo Banco Mundial indicam rendimento médio de aproximadamente 1,6 tonelada de cereais por hectare em 2023, enquanto a média global estava próxima de 4,2 toneladas.

Para o engenheiro agrônomo Dr. Orlando Carlos Martins, o cenário mostra que combater a fome não significa necessariamente abrir novas áreas agrícolas.

O caminho pode estar em fazer a terra que já é utilizada produzir mais.

“O combate à fome na África Subsaariana exige uma mudança de paradigma. O aumento da oferta de alimentos precisa acontecer por ganho de produtividade, otimizando as terras e os recursos que já existem, e não simplesmente pela expansão das áreas cultivadas ou dos rebanhos, o que tem ocorrido nos últimos 60 anos”, afirma.

Essa lógica é particularmente relevante em áreas de baixa tecnologia.

No caso do milho, Orlando utiliza como referência sistemas africanos que produzem ao redor de uma tonelada por hectare. A hipótese trabalhada pela empresa é que tecnologia, manejo e integração entre milho e braquiária poderiam elevar significativamente o rendimento em determinadas condições.

A Milagro projeta um cenário de aumento significativo da produtividade. No cultivo de milho, elevou a produtividade média atual de 1 tonelada por hectare para 3 toneladas por hectare. Já na pecuária, considerando um rebanho de 360 milhões de cabeças de gado, aumentou a produtividade de carne de 13 para 30 quilos por cabeças ao ano.

Trata-se de uma projeção técnica da companhia, sujeita a fatores como clima, solo, fertilidade, disponibilidade hídrica, manejo e tecnologias utilizadas.

A lógica, entretanto, ajuda a explicar o potencial econômico: se uma área triplica sua produtividade, a produção pode crescer sem que seja necessário triplicar a quantidade de terra utilizada.

Produzir mais precisa remunerar quem produz

A primeira frente é o alimento. A segunda é financeira.

Para a Milagro, não existe solução sustentável para a segurança alimentar se o aumento da produção não vier acompanhado de retorno para o produtor.

É justamente aí que a Dunamis procura encontrar espaço.

Segundo a empresa, a elevada produção de massa verde e seca da cultivar aliada a alta qualidade como alimento, permite sua utilização em sistemas voltados à intensificação da pecuária. Na agricultura, a brachiaria pode integrar sistemas com culturas como o milho e permanecer posteriormente como cobertura vegetal ou pastagem.

A estratégia é aumentar a quantidade de valor gerada pelo mesmo hectare.

Mais alimento disponível pode contribuir para aumentar a capacidade de produção animal. A integração com culturas agrícolas permite utilizar a área para diferentes finalidades. E a manutenção de cobertura vegetal acrescenta outro componente à equação.

O carbono.

Carbono começa a entrar na conta da fazenda

A economia de baixo carbono está mudando a maneira como o desempenho de uma propriedade rural pode ser avaliado.

Além de perguntar quantas toneladas de grãos ou quantos quilos de carne são produzidos, surge outra questão: qual é o balanço de carbono desse sistema?

O solo ocupa posição importante nessa discussão.

Por meio da fotossíntese, as plantas retiram dióxido de carbono da atmosfera. Parte desse carbono pode chegar ao solo por meio das raízes, resíduos vegetais e formação de matéria orgânica.

Pesquisas da Embrapa citadas no material da empresa ajudam a mostrar o potencial dos sistemas integrados. Em estudo envolvendo integração lavoura-pecuária, foram observadas taxas de acumulação de carbono no solo entre 0,6 e 0,9 tonelada por hectare ao ano, aproximadamente três vezes superiores às verificadas nos sistemas de sucessão soja-milho de melhor desempenho analisados na pesquisa. A presença da brachiaria e de seu sistema radicular aparece entre as explicações apontadas pelos pesquisadores.

Para Simone Almeida Martins, CEO da Milagro Agro Brasil, é justamente a conexão entre segurança alimentar e carbono que pode mudar a lógica econômica do sistema.

“Precisamos trazer o combate à fome junto com a compensação de carbono. A Dunamis não aparece como um produto isolado, mas como uma das ferramentas de um sistema que precisa produzir mais, melhorar a renda e, ao mesmo tempo, responder à questão ambiental”, afirma.

Sustentabilidade pode ganhar valor financeiro

Quando práticas agrícolas conseguem reduzir emissões ou aumentar estoques de carbono de forma comprovada, abre-se a possibilidade de participação em mecanismos relacionados à economia de baixo carbono.

Isso pode incluir projetos de créditos de carbono, determinadas modalidades de financiamento verde e cadeias produtivas que valorizam produtos associados a menores emissões.

A mudança é importante porque acrescenta uma nova dimensão à sustentabilidade.

O produtor continua obtendo receita com aquilo que tradicionalmente comercializa como carne, leite e grãos, mas o desempenho ambiental da propriedade pode passar a integrar sua estratégia financeira.

A geração de créditos, porém, não ocorre automaticamente.

Armazenar carbono no solo é diferente de possuir créditos comercializáveis. Projetos desse tipo dependem de metodologias reconhecidas, mensuração, adicionalidade, permanência, auditoria e verificação.

Nesse cenário, a Dunamis é posicionada pela Milagro como uma ferramenta agronômica que pode integrar sistemas produtivos de baixo carbono, e não como um crédito em si.

Três problemas e uma estratégia eficiente

É nesse ponto que a estratégia da Milagro reúne seus três pilares.

O primeiro é combater a fome aumentando a quantidade de alimento produzida por hectare.

O segundo é melhorar a rentabilidade, permitindo que a mesma área produza mais e possa ser utilizada de diferentes maneiras dentro do sistema agrícola e pecuário.

O terceiro é o carbono, com cobertura vegetal, produção de biomassa e raízes participando de sistemas voltados ao incremento da matéria orgânica e ao armazenamento de carbono no solo.

Para a companhia, a combinação é especialmente importante porque os três resultados podem acontecer na mesma área.

Em vez de tratar produção, sustentabilidade e retorno financeiro como interesses concorrentes, a estratégia procura fazer com que um fortaleça o outro.

O que a Dunamis chama de “solo que respira”

A empresa resume essa estratégia em uma expressão: “solo que respira”.

O conceito parte da diferença entre manter um solo degradado, compactado e descoberto e trabalhar com cobertura vegetal, raízes e matéria orgânica.

A brachiaria tem papel importante nesse modelo por seu sistema radicular.

Segundo a Milagro, a Dunamis apresenta sistema de raízes profundo e volumoso, característica utilizada pela companhia em estratégias destinadas à estruturação do solo, cobertura e produção de biomassa.

Pesquisas independentes realizadas com sistemas contendo outras braquiárias também indicam benefícios associados ao carbono. Estudos da Embrapa apontam que sistemas integrados e pastagens bem manejadas podem favorecer a atividade biológica, a agregação e o aumento do carbono orgânico no solo.

A proposta da Dunamis é aplicar essa lógica à produtividade.

Raízes participam da dinâmica do solo. A biomassa ajuda a manter cobertura. A matéria orgânica está relacionada à qualidade do sistema produtivo. E melhores condições de produção podem ajudar a aumentar a quantidade de alimento obtida na mesma área.

Da pecuária brasileira ao desafio africano

No Brasil, a Dunamis tem sua estratégia comercial associada principalmente à pecuária, buscando otimizar sistemas destinados à produção de carne e leite.

A África representa uma oportunidade diferente.

Nesse caso, a discussão deixa de estar restrita ao desempenho de uma fazenda e passa a envolver segurança alimentar em uma região que deverá ganhar quase 700 milhões de habitantes nas próximas duas décadas.

Para o Dr. Orlando, sistemas de baixa produtividade também precisam ser analisados pelo impacto ambiental necessário para produzir cada tonelada de alimento.

Se são necessários mais hectares ou mais animais para atingir determinada produção, aumenta também a quantidade de recursos utilizada para entregar o mesmo resultado.

Por isso, a produtividade torna-se o ponto de encontro entre economia e sustentabilidade.

Produzir mais alimento em cada hectare reduz a necessidade de expansão proporcional das áreas. Produzir mais aumenta o potencial de receita. E integrar raízes e cobertura ao sistema abre espaço para melhorar o balanço de carbono.

Fome, financeiro e carbono

É essa combinação que a Milagro pretende transformar em oportunidade de negócio para a Dunamis.

A empresa aposta que o futuro da agricultura não será definido apenas pela quantidade produzida, mas pela eficiência econômica e ambiental necessária para chegar a essa produção.

Na África Subsaariana, essa discussão ganha urgência pela combinação de crescimento populacional e baixa produtividade.

No Brasil, ela aparece na busca por uma pecuária mais intensiva, rentável e integrada à agricultura de baixo carbono.

Nos dois cenários, a tese é a mesma: aumentar a produção sem precisar aumentar a terra na mesma proporção.

Se o mesmo hectare consegue produzir mais alimento, melhorar o retorno do produtor e participar de sistemas que armazenam carbono, os três desafios começam a encontrar um ponto em comum.

Para a Milagro Agro Brasil, é nesse encontro entre fome, financeiro e carbono que está o potencial da Brachiaria Dunamis, uma tecnologia brasileira que a companhia pretende levar da produtividade da pecuária nacional para uma discussão global sobre como alimentar mais pessoas sem ampliar, na mesma proporção, o custo ambiental da produção.

Diante da necessidade crescente de empresas compensarem suas emissões por meio da aquisição de créditos de carbono de terceiros, a Milagro aposta no conceito de “crédito de carbono para o combate à fome”, que busca unir compensação ambiental e impacto social. A proposta é que os recursos gerados por esses créditos contribuam para o aumento da produtividade agrícola e pecuária na África Subsaariana. Na avaliação da empresa, essa dupla finalidade pode tornar esses créditos mais atrativos para companhias interessadas em associar suas metas ambientais a iniciativas de segurança alimentar.

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