Às vésperas de iniciar sua expansão internacional, o Buddha Spa ganha uma nova sócia para acelerar seus planos de crescimento. A Smart Fit passará a deter uma participação minoritária na companhia, em uma operação que poderá chegar a R$ 32 milhões. A operação não altera a condução do negócio, que permanece integralmente sob a gestão atual do Buddha Spa.
A chegada da nova sócia fortalece os planos de crescimento do Buddha Spa em um momento de mudança de escala do negócio. Parte dos recursos da transação será destinada a essas iniciativas, com destaque para a expansão internacional, uma das principais frentes estratégicas, além de investimentos em novas unidades e novas aquisições, as quais contribuam para ampliar o portfólio da companhia, estratégia que o Buddha Spa já vem adotando nos últimos anos para acelerar sua entrada em novos segmentos e ampliar sua atuação no mercado de wellness.
O primeiro passo da internacionalização acontece em dezembro, quando o Buddha Spa inaugura sua primeira unidade fora do Brasil, em Santiago, no Chile, dando início a um plano que prevê chegar a aproximadamente 100 unidades na América Latina em cinco anos.
A entrada da Smart Fit aproxima o Buddha Spa de um grupo que já construiu uma operação de grande escala internacional. Atualmente, a Smart Fit possui mais de 2,2 mil academias e atua em 16 países.
“Chegamos aos 25 anos em um momento de maturidade em que temos uma marca consolidada no Brasil, presença nacional e um ecossistema de wellness que vai além das unidades. A entrada da Smart Fit traz sócios e um time com amplo know-how de como escalar negócios na América Latina, com profundo conhecimento do mercado, além de capital para acelerar nossos próximos movimentos, tanto na expansão internacional quanto em potenciais aquisições que possam complementar e ampliar nosso ecossistema de negócios”, afirma Gustavo Albanesi, CEO do Buddha Spa.
Primeira parada: Chile
O primeiro movimento concreto da expansão internacional já tem data e endereço. Em dezembro, o Buddha Spa inaugura sua primeira unidade internacional em Santiago. A operação própria será instalada em Vitacura, uma das regiões mais valorizadas da capital chilena, escolhida pela facilidade de acesso e pela proximidade com o público-alvo da marca.
A unidade de Santiago servirá como base para a expansão da marca na região. Na sequência, o plano prevê uma segunda operação no Chile e, posteriormente, a entrada em outros mercados latino-americanos. Paraguai, Argentina, Colômbia e Peru estão no radar.
Nas primeiras incursões em cada mercado, a intenção é priorizar operações próprias. Depois de testar e adaptar o modelo, a companhia pretende buscar parceiros locais para acelerar a expansão.
“Queremos primeiro fazer, aprender e construir o modelo internacional. A operação própria nos permite entender profundamente cada mercado e garantir que a experiência Buddha seja reproduzida fora do Brasil com o mesmo padrão. Depois, estaremos mais preparados para encontrar os parceiros certos”, explica Albanesi.
A escolha do Chile como porta de entrada está relacionada, entre outros fatores, ao ambiente favorável para o segmento de bem-estar. Segundo o Global Wellness Institute (GWI), o país registrou gasto per capita de US$ 874 na economia do wellness em 2024, ante US$ 592 no Brasil. No mesmo ano, o mercado chileno de bem-estar movimentou cerca de US$ 17 bilhões, enquanto o brasileiro chegou a aproximadamente US$ 125 bilhões.
Para Albanesi, apesar do crescimento do wellness na região, o modelo de spa urbano estruturado em rede ainda tem espaço para avançar.
“A América Latina é um oceano azul para o formato de negócio do Buddha Spa. Existe uma demanda crescente por bem-estar, mas ainda há muito espaço para uma marca estruturada, com uma experiência consistente e um modelo que consiga levar o conceito de spa urbano para diferentes mercados”, afirma.
Na estreia no Chile, a unidade oferecerá cerca de 70% do menu de serviços disponível no Brasil. A estratégia é ampliar gradualmente o portfólio, transformando a chegada de outras terapias e experiências já oferecidas pela rede brasileira em lançamentos futuros no mercado chileno.
100 unidades na América Latina em cinco anos
A meta do Buddha Spa é chegar a aproximadamente 100 unidades na América Latina nos próximos cinco anos. No futuro, a companhia estima que os negócios internacionais possam superar a operação brasileira e projeta alcançar mil unidades no total, entre Brasil e exterior.
A ambição internacional não significa desacelerar no mercado doméstico. Hoje, o Buddha Spa possui mais de 150 unidades em operação e está presente em todas as regiões do país. Mesmo com a capilaridade alcançada, a empresa identifica oportunidades relevantes para crescer no Brasil. Brasília, por exemplo, está entre as praças consideradas estratégicas e a rede busca um franqueado para inaugurar sua primeira unidade na capital federal.
“Conseguimos construir uma presença nacional e ainda enxergamos muito potencial para avançar no interior e em mercados estratégicos onde não estamos. A internacionalização cria uma segunda avenida de crescimento, em paralelo à expansão brasileira”, afirma Albanesi.
A empresa estabeleceu, ainda, a meta de se tornar a maior rede de spas urbanos do mundo. Segundo levantamento próprio, o Buddha Spa está atualmente entre as cinco maiores redes mundiais do segmento, considerando os mercados com informações públicas comparáveis — a China não entra no levantamento pela ausência de dados abertos sobre o setor.
De rede de spas a ecossistema de wellness
A transação acontece justamente no ano em que o Buddha Spa completa 25 anos e passa por uma transformação em seu posicionamento. A empresa, criada em 2001 e conhecida principalmente pelas massagens e terapias, vem ampliando suas frentes de atuação para consolidar um ecossistema de wellness.
Nos últimos anos, a companhia avançou em um processo de verticalização que combina crescimento orgânico, aquisições e desenvolvimento de novos negócios.
Em 2025, adquiriu o Espaço Prana por R$ 7,5 milhões, incorporando cinco unidades localizadas em pontos estratégicos de São Paulo. No mesmo ano, comprou a Pomander, especializada em Florais de Bach, óleos essenciais, home sprays e cosméticos naturais, em uma transação de R$ 4,8 milhões em capital, além de participação societária.
As duas operações ajudam a explicar por que aquisições continuam no radar da companhia. A estratégia permite incorporar negócios, competências e novas frentes de atuação a uma estrutura já existente, ampliando o ecossistema com maior velocidade do que depender exclusivamente do crescimento orgânico. Com os novos recursos, o Buddha Spa pretende continuar avaliando oportunidades que tenham sinergia com sua atuação no mercado de wellness.
O ecossistema inclui também o Buddha Lab, dedicado ao desenvolvimento e comercialização de produtos; o Buddha College, responsável pela formação e pelo desenvolvimento de terapeutas; o Instituto Buddha Spa, voltado a iniciativas de impacto social; e soluções de wellness para empresas.
“O spa é a nossa origem, mas não é mais o limite da marca. A experiência pode começar na unidade e continuar em casa, no trabalho, por meio de um produto, de um ritual ou do conhecimento. É essa conexão entre diferentes frentes que nos permite falar em um ecossistema de wellness”, afirma Albanesi.
A estratégia acompanha a expansão global da indústria de bem-estar. Segundo o Global Wellness Institute, a economia mundial do wellness movimentou US$ 6,8 trilhões em 2024 e deve alcançar US$ 9,8 trilhões em 2029.








