Busca por relacionamento mais próximo com os clientes e maior demanda por planejamento patrimonial levam redes de consórcios a acelerar investimentos em polos regionais
As cidades médias passaram a ocupar posição estratégica nos planos de crescimento das franquias brasileiras. O movimento, apontado pela Associação Brasileira de Franchising (ABF) como uma das principais tendências do setor para 2026, tem levado redes de diversos segmentos a acelerar investimentos fora das capitais, incluindo operações ligadas a consórcios, planejamento financeiro e formação de patrimônio.
Entre os segmentos que acompanham esse avanço estão as franquias financeiras, especialmente aquelas ligadas a consórcios e planejamento patrimonial. Para o especialista em consórcios Carlos Fuzinelli, CEO e cofundador da FVL Consórcios, a expansão para cidades médias acompanha uma mudança no comportamento dos consumidores, que passaram a buscar soluções financeiras mais próximas da realidade econômica de cada região. A empresa atua nacionalmente por meio de franquias e projeta alcançar 60 unidades em operação até o final de 2026.
Segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), o setor de franquias faturou R$ 278 bilhões em 2024, crescimento de 13,5% em relação ao ano anterior. A entidade também aponta a interiorização das franquias entre as principais tendências para 2026, destacando o fortalecimento econômico de cidades médias e o potencial desses mercados para sustentar o próximo ciclo de expansão do franchising brasileiro.
“Durante muitos anos, o crescimento das franquias esteve concentrado nas capitais. Hoje, cidades médias combinam atividade econômica forte, empreendedorismo local e uma demanda crescente por planejamento financeiro. Isso transformou esses mercados em prioridade para muitas redes”, afirma o executivo.
Confiança local ganha peso na venda de serviços financeiros
A expansão para mercados regionais têm ganhado relevância especialmente em atividades que dependem de relacionamento, confiança e acompanhamento consultivo. É o caso dos consórcios, do planejamento financeiro e das estratégias de formação de patrimônio, serviços que normalmente exigem acompanhamento próximo e decisões de longo prazo.
Para o CEO da FVL Consórcios, a presença regional continua sendo um diferencial competitivo mesmo com a digitalização dos serviços financeiros e a popularização dos canais digitais.
“Consórcios e planejamento patrimonial são produtos consultivos. Mesmo com a digitalização dos serviços financeiros, a confiança continua sendo um fator determinante para a tomada de decisão. A presença regional ajuda a construir esse relacionamento”, afirma.
O movimento ocorre em um momento de transformação no comportamento financeiro dos brasileiros. Com juros elevados e crédito mais restrito, cresce a procura por alternativas que permitam adquirir imóveis, veículos e outros bens de forma planejada, sem depender exclusivamente do financiamento tradicional.
Nesse contexto, o mercado de consórcios tem ganhado relevância entre consumidores que buscam aquisição de patrimônio, planejamento financeiro de longo prazo e diversificação das estratégias de investimento. A modalidade passou a ocupar espaço crescente nas discussões sobre educação financeira e construção patrimonial.
“O consórcio deixou de ser visto apenas como uma modalidade de compra. Hoje ele também faz parte do planejamento patrimonial de muitas famílias e empresários que buscam previsibilidade financeira e crescimento de patrimônio no longo prazo”, diz o especialista em consórcios.
Expansão das franquias financeiras acompanha nova dinâmica econômica
O fortalecimento econômico de polos regionais também tem atraído empreendedores interessados em ingressar no setor financeiro por meio do franchising. Além da possibilidade de atuar em mercados com potencial de crescimento, o modelo oferece acesso a metodologias estruturadas, suporte comercial e processos já validados.
Na avaliação de Carlos, a tendência deve se intensificar à medida que cidades médias ampliam sua relevância econômica e passam a concentrar novos investimentos empresariais.
“O crescimento econômico brasileiro está cada vez mais distribuído. Existem cidades médias com forte geração de renda, expansão empresarial e demanda crescente por soluções financeiras. A tendência é que boa parte da expansão das franquias financeiras aconteça nesses mercados nos próximos anos”, afirma.
Para o executivo, a interiorização das franquias não representa apenas uma estratégia de crescimento das redes, mas uma mudança estrutural no desenvolvimento econômico do país, refletindo a descentralização dos investimentos, o fortalecimento do empreendedorismo regional e o aumento da demanda por serviços financeiros especializados fora das capitais.








