[radio_player id="1"]
Gestão PublicaInformações

Classificação oculta da Receita Federal pode colocar empresas na mira da fiscalização sem aviso prévio

2 Mins read
Banco de imagens
Foto de divulgação
Banco de imagens Foto de divulgação

Especialista tributário alerta: notas do Programa Sintonia já estão sendo atribuídas e podem gerar prejuízos operacionais e reputacionais para empresas de médio e grande porte

Desde julho, a Receita Federal está atribuindo notas de conformidade fiscal para empresas de todo o país dentro do Programa de Conformidade Cooperativa Fiscal – Sintonia. O objetivo declarado é estimular o cumprimento voluntário das obrigações tributárias, premiando bons pagadores com benefícios e tratamento diferenciado. No entanto, segundo o especialista tributário Eduardo Rodrigues, sócio do Duarte Tonetti Advogados, muitas empresas já estão classificadas — algumas de forma negativa — sem sequer terem sido informadas oficialmente.

“Essa avaliação já está em andamento e pode trazer consequências importantes, inclusive, aumento no risco de fiscalização. O mais preocupante é que, na prática, muitos empresários só vão descobrir quando precisarem de um serviço da Receita e se depararem com restrições”, afirma Rodrigues.

Quem já está na mira

Nesta fase, o Sintonia engloba pessoas jurídicas ativas que apuram o IRPJ pelo lucro real, presumido ou arbitrado, além de entidades sem fins lucrativos imunes ou isentas do IRPJ e da CSLL. Empresas optantes pelo Simples Nacional ainda estão de fora, mas devem ser incluídas futuramente.

Segundo Rodrigues, companhias de médio e grande porte, que já possuem sistemas de compliance fiscal estruturados, tendem a ter melhor classificação no início.

Impactos positivos e negativos

Empresas bem avaliadas ganham vantagens como atendimento prioritário, análise acelerada de pedidos, participação em eventos exclusivos e até reconhecimento público.
Já quem cai na faixa “ruim” ou “muito ruim” pode sofrer perda de benefícios, danos à reputação e maior probabilidade de fiscalização direcionada.

“Uma nota baixa é praticamente um convite para auditorias. A Receita utiliza a classificação como um radar para identificar contribuintes com maior risco de descumprimento”, explica o advogado.

Principais erros que derrubam a nota

De acordo com Rodrigues, quatro falhas recorrentes prejudicam a classificação, mesmo entre empresas que acreditam estar regulares:

  1. Inconsistência entre declarações (ex.: divergência entre ECF, DCTF e EFD-Contribuições).
  2. Atraso ou retificação frequente de obrigações acessórias.
  3. Irregularidades cadastrais no CNPJ.
  4. Falhas no pagamento de tributos ou parcelamentos.

Como saber sua nota e reverter um mau resultado

A consulta pode ser feita pelos portais Gov.br ou Redesim, com acesso restrito ao representante legal ou contador. Classificações A+ e A já permitem ver a pontuação detalhada; a partir de agosto de 2025, empresas com nota B também terão acesso.

Para reverter uma má avaliação, Rodrigues recomenda auditoria digital dos últimos 36 meses, correção de inconsistências, regularização cadastral e pagamento pontual dos tributos. “O Sintonia reavalia mensalmente a pontuação, o que significa que é possível subir a nota ao longo do tempo com boas práticas”, conclui.

Sobre o especialista:
Eduardo Rodrigues é advogado e sócio da área Tributária no Duarte Tonetti Advogados. Pós-graduado em Direito Constitucional pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, especialista em Direito Tributário pelo Instituto Brasileiro de Estudos Tributários (IBET) e com MBA em Gestão Financeira e Econômica de Tributos pela FGV-SP, presidente a Comissão de Direito Tributário da OAB Subseção da Lapa.

Related posts
InformaçõesVendas

Pix por aproximação completa um ano com o desafio de converter potencial em adesão em massa

3 Mins read
Embora represente apenas 0,01% das transações totais, modalidade de pagamento via NFC apresenta crescimento exponencial em valores movimentados e aposta na conveniência…
Informações

Mulheres dedicam mais de mil horas por ano ao trabalho doméstico não remunerado

3 Mins read
Pesquisa da PUCPR revela impacto socioeconômico do trabalho de cuidado familiar realizado por mulheres brasileiras Um estudo conduzido por pesquisadoras da Pontifícia Universidade Católica do Paraná…
InformaçõesVendas

Vendas de vitaminas e suplementos crescem 42% em faturamento em um ano no Brasil  

2 Mins read
Levantamento da Interplayers aponta avanço consistente da categoria, com destaque para multivitamínicos e diferenças relevantes entre estados e regiões   O mercado brasileiro de vitaminas…
Fique por dentro das novidades

[wpforms id="39603"]

Se inscrevendo em nossa newsletter você ganha benefícios surpreendentes.