Alta dos custos, pressão de convênios e falta de preparo empresarial expõem fragilidade financeira no setor de saúde privada
A combinação de juros elevados e pressão sobre custos tem exposto um desequilíbrio recorrente no setor de saúde privada: clínicas que aumentam o volume de atendimento, mas não conseguem sustentar a rentabilidade.
Com a taxa básica de juros em 14,5% ao ano, segundo o Banco Central do Brasil, o crédito mais caro limita investimentos e reduz a margem de erro dos empresários. Ao mesmo tempo, o país já soma mais de 50 milhões de beneficiários de planos de saúde, de acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar, ampliando a dependência de convênios e a pressão sobre tabelas médicas.
A falta de preparo empresarial entre profissionais da saúde tem se tornado um fator crítico nesse cenário. Médicos e outros especialistas entram no empreendedorismo sem formação em gestão, o que impacta diretamente a previsibilidade financeira e a capacidade de crescimento das clínicas.
Para Ravell Nava, especialista em expansão empresarial e performance comercial, o problema está na forma como os negócios são estruturados desde o início. “A clínica pode até crescer em faturamento, mas isso não significa que está saudável. O que vemos são operações que vendem mais e lucram menos por falta de controle e integração entre as áreas”, afirma.
Crescimento desorganizado pressiona resultados
O avanço da digitalização, a multiplicação de clínicas e a maior exigência dos pacientes elevaram o nível de complexidade da operação. Na prática, isso significa mais canais de atendimento, necessidade de posicionamento de marca e gestão mais rigorosa de custos.
Segundo o especialista, muitas empresas do setor crescem sem estrutura para sustentar esse avanço. “É comum ver clínicas que aumentam o faturamento e, ao mesmo tempo, perdem margem. A operação não acompanha, o financeiro desorganiza e o dono vira o gargalo”, afirma.
Para ele, o modelo baseado em volume e repasse de convênios mostra sinais de esgotamento. “Sem controle e estratégia, crescer pode piorar o problema. A empresa vende mais, mas ganha menos.”
Gestão passa a ser diferencial competitivo
A profissionalização da gestão tem ganhado espaço como resposta a esse cenário. Estruturar processos, organizar finanças e desenvolver estratégias de posicionamento passaram a ser fatores determinantes para a sustentabilidade das clínicas.
Esse movimento tem impulsionado a busca por formação empresarial específica para o setor de saúde. Um exemplo é a Formação Salus, da BRL Educação, que reúne empresários da área para aplicação prática de gestão estratégica.
A edição realizada em Brasília, entre os dias 19 e 21 de junho, deve reunir 200 donos de clínicas, consultórios e laboratórios. A proposta é trabalhar, ao longo de três dias, um diagnóstico das operações e a construção de um plano de ação voltado à melhoria de margem e previsibilidade financeira.
“Não adianta só atender bem. Clínica é negócio. E o negócio precisa de método, processo e controle para crescer de forma saudável”, afirma Nava.
Inteligência artificial entra na rotina das clínicas
Outro fator que começa a influenciar a gestão do setor é o uso de inteligência artificial. A tecnologia tem sido incorporada para análise de dados, automação de processos e melhoria na tomada de decisão.
“A inteligência artificial permite mais clareza e velocidade nas decisões. Em um cenário de margem apertada, eficiência operacional deixa de ser diferencial e passa a ser necessidade”, afirma Nava.
Pressão do mercado exige mudança de postura
A avaliação é que o setor caminha para um modelo mais profissionalizado, no qual a excelência técnica continuará sendo essencial, mas não suficiente para garantir sustentabilidade financeira.
“Sem gestão estruturada, a clínica fica vulnerável, independentemente da qualidade do atendimento. O que sustenta o crescimento hoje é organização e capacidade de decisão”, afirma Nava.
Serviço
O quê: Formação Salus
Quando: 19, 20 e 21 de junho de 2026
Onde: Edifício City Offices, Setor de Indústrias Gráficas, Brasília/DF
Público: empresários da área da saúde com faturamento mensal acima de R$ 50 mil
Capacidade: 200 participantes
Inscrições: brleducacao.com.br/n-salus








