Imóveis

Com Selic a 14%, dólar acima de R$ 5 e safra recorde, produtor do Centro-Oeste mira imóveis premium

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Em meio a juros ainda elevados, volatilidade cambial e safra de grãos estimada em 360,1 milhões de toneladas, imóveis premium ganham espaço como estratégia de diversificação patrimonial entre produtores do Centro-Oeste. Em Primavera do Leste (MT), levantamento interno da Edificatto Desenvolvedora Urbana aponta que cerca de 80% dos clientes possuem ligação direta ou indireta com o agronegócio.

Com a Selic em 14% ao ano, dólar projetado em R$ 5,20 e inflação estimada em 5,12% para 2026, segundo o Relatório Focus de 24 de julho, e uma safra brasileira de grãos estimada em 360,1 milhões de toneladas, novo recorde na série histórica da Conab, produtores rurais do Centro-Oeste ampliam a busca por imóveis premium como estratégia de diversificação patrimonial. Mesmo com a atratividade da renda fixa em um período de juros elevados, a combinação entre incertezas econômicas e políticas, volatilidade cambial, custos dolarizados e maior geração de caixa no campo tem levado parte dos empresários do agro a transformar o capital da safra em ativos reais, especialmente em cidades que concentram crescimento econômico e valorização imobiliária. 

Em Primavera do Leste, no sul de Mato Grosso, município com PIB per capita acima de R$ 100 mil e entre os 15 maiores do país em valor de produção agrícola, esse movimento já aparece na estratégia da Edificatto Desenvolvedora Urbana, com 17 anos de atuação. Segundo levantamento interno da empresa, cerca de 80% dos clientes possuem ligação direta ou indireta com o agronegócio, o que levou a incorporadora a estruturar produtos para diferentes perfis de investidores do setor: do Casa Urbana, bairro planejado de uso misto que terá como primeiro residencial o Bossa Mansões Suspensas, ao complexo Seasons Trade Center Residence, que reúne torre residencial e corporativa, com salas, consultórios e centro de convenções, além do Terraz Condomínio Clube, condomínio fechado de alto padrão com condições comerciais alinhadas ao calendário da safra. 

Para Gisele Barco, CEO da Edificatto Desenvolvedora Urbana, o produtor rural passou a avaliar o imóvel não apenas como moradia, mas como reserva de valor e estratégia de proteção patrimonial. “O capital do agro tem ciclos próprios. Em muitos casos, o produtor recebe em períodos concentrados do ano e busca formas de transformar essa liquidez em patrimônio sólido. O imóvel premium, quando está em uma cidade em crescimento e tem localização, projetos autorais e serviços, passa a funcionar como uma alternativa de diversificação”, afirma.

Para investidores do agro, a decisão de comprar imóveis de alto padrão agora também considera uma janela de mercado: embora a Selic esteja em 14% ao ano, o Relatório Focus aponta expectativa de queda para 12% em 2027 e 10,50% em 2028. Ciclos de queda dos juros tendem a favorecer a busca por ativos reais e ampliam a atratividade relativa do mercado imobiliário, especialmente quando a renda fixa passa a perder parte do seu apelo. Com crédito imobiliário potencialmente mais acessível e maior demanda por patrimônio físico, imóveis bem localizados e associados a projetos de uso misto, renda corporativa ou condomínios de alto padrão podem ganhar força como estratégia de valorização e preservação patrimonial. 

“Quem investe no agro está acostumado a pensar em ciclos. No mercado imobiliário não é diferente. Quando o produtor olha para um imóvel agora, ele não está pensando apenas no momento atual da Selic, mas em como esse ativo pode se comportar nos próximos anos, em uma cidade que cresce, gera renda e demanda novos serviços. O imóvel bem localizado e bem estruturado passa a ser uma forma de proteger patrimônio e se posicionar antes de uma possível retomada mais forte da demanda”, conclui Gisele Barco.

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