
“A próxima Super Quarta promete ser decisiva para os mercados, com expectativas voltadas para a manutenção das taxas de juros tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.
Nos EUA, o Federal Reserve (FED) deve manter a taxa de juros em 4,5% ao ano, conforme amplamente esperado pelo mercado. No entanto, o foco dos investidores estará nas sinalizações do Comitê diante do aumento recente nos riscos geopolíticos, especialmente com a escalada das tensões entre Irã e Israel. Esses conflitos elevam a percepção de risco internacional, pressionam os prêmios de risco de longo prazo e impulsionam os preços futuros do petróleo – o que pode gerar efeitos inflacionários relevantes. Em economia, vale lembrar: a expectativa de inflação futura tende a se traduzir em inflação no presente, uma vez que antecipa reajustes de preços e distorce decisões de consumo e investimento. Soma-se a esse cenário a deterioração da confiança institucional após declarações ofensivas de Donald Trump ao presidente do Federal Reserve, o que introduz mais incerteza no ambiente de política monetária americana.
No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) também deve manter a taxa Selic em 14,25% ao ano. A inflação local deu sinais positivos, com o IPCA acumulado em 12 meses recuando de 5,53% para 5,32%, mas ainda é cedo para confirmar uma trajetória de estabilização consistente. A continuidade da desinflação dependerá fortemente da disciplina fiscal do governo, especialmente no controle de gastos com programas como o Novo PAC. Além disso, a possibilidade de um novo ciclo de alta inflacionária global, impulsionado pelos fatores geopolíticos mencionados, eleva o nível de cautela. Apesar disso, o Brasil deve sofrer impactos mais moderados, uma vez que iniciou seu ciclo de aperto monetário antes de outras economias e já opera com juros reais elevados.
Diante desse cenário, a recomendação para os investidores é clara: aproveitar a expectativa de manutenção (ou até eventual alta) dos juros americanos para alocar os portfólios em títulos (bonds) de curto prazo, que oferecem boa relação risco-retorno nesse ambiente incerto. Ao mesmo tempo, o aumento da aversão ao risco global pode abrir janelas de oportunidade para compras seletivas no mercado acionário, caso haja uma correção acentuada provocada por novos episódios de instabilidade no Oriente Médio.”
Luiz Arthur Fioreze, economista e diretor de Gestão de Fundos da Oryx Capital








