Destaques

Comentário Oryx Capital – Expectativas para a Super Quarta

2 Mins read
Luiz Arthur Fioreze-Créditos da foto: Divulgação
Luiz Arthur Fioreze-Créditos da foto: Divulgação

“A próxima Super Quarta promete ser decisiva para os mercados, com expectativas voltadas para a manutenção das taxas de juros tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.

Nos EUA, o Federal Reserve (FED) deve manter a taxa de juros em 4,5% ao ano, conforme amplamente esperado pelo mercado. No entanto, o foco dos investidores estará nas sinalizações do Comitê diante do aumento recente nos riscos geopolíticos, especialmente com a escalada das tensões entre Irã e Israel. Esses conflitos elevam a percepção de risco internacional, pressionam os prêmios de risco de longo prazo e impulsionam os preços futuros do petróleo – o que pode gerar efeitos inflacionários relevantes. Em economia, vale lembrar: a expectativa de inflação futura tende a se traduzir em inflação no presente, uma vez que antecipa reajustes de preços e distorce decisões de consumo e investimento. Soma-se a esse cenário a deterioração da confiança institucional após declarações ofensivas de Donald Trump ao presidente do Federal Reserve, o que introduz mais incerteza no ambiente de política monetária americana.

No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) também deve manter a taxa Selic em 14,25% ao ano. A inflação local deu sinais positivos, com o IPCA acumulado em 12 meses recuando de 5,53% para 5,32%, mas ainda é cedo para confirmar uma trajetória de estabilização consistente. A continuidade da desinflação dependerá fortemente da disciplina fiscal do governo, especialmente no controle de gastos com programas como o Novo PAC. Além disso, a possibilidade de um novo ciclo de alta inflacionária global, impulsionado pelos fatores geopolíticos mencionados, eleva o nível de cautela. Apesar disso, o Brasil deve sofrer impactos mais moderados, uma vez que iniciou seu ciclo de aperto monetário antes de outras economias e já opera com juros reais elevados.

Diante desse cenário, a recomendação para os investidores é clara: aproveitar a expectativa de manutenção (ou até eventual alta) dos juros americanos para alocar os portfólios em títulos (bonds) de curto prazo, que oferecem boa relação risco-retorno nesse ambiente incerto. Ao mesmo tempo, o aumento da aversão ao risco global pode abrir janelas de oportunidade para compras seletivas no mercado acionário, caso haja uma correção acentuada provocada por novos episódios de instabilidade no Oriente Médio.”

 Luiz Arthur Fioreze, economista e diretor de Gestão de Fundos da Oryx Capital

Related posts
Destaques

Jairo Rodrigues fala de sua relação com o jornalismo e início de carreira

4 Mins read
O jornalismo sempre foi mais do que uma profissão para Jairo Rodrigues: tornou-se um propósito de vida. Com uma trajetória construída em…
Destaques

Golpes com boletos falsos: como identificar a fraude, se proteger e quando a vítima pode processar o banco

3 Mins read
Especialista em Direito do Consumidor e Direito Bancário, o advogado Daniel Romano Hajaj destaca que medidas simples ajudam a evitar fraudes com…
BusinessDestaquesInvestimentosLogísticaNegóciosTransporte

Christian Schmiedke transforma a gestão global de componentes eletrônicos em estratégia para reduzir custos e aumentar a eficiência industrial

3 Mins read
Empreendedor alemão Christian Schmiedke conecta fabricantes internacionais e grandes empresas, reduz custos, garante segurança logística e fortalece cadeias globais de suprimentos A…