Alta do consumo de proteína, avanço das canetas emagrecedoras e mudança nos hábitos alimentares impulsionam nova geração de snacks funcionais no Brasil
O consumo de proteína ganhou um novo protagonismo na alimentação dos brasileiros nos últimos anos. Impulsionado pelo crescimento do mercado de saudabilidade, pela popularização das academias e também pelo avanço das chamadas “canetas emagrecedoras”, o nutriente passou a ocupar espaço cada vez maior na rotina de consumo, inclusive entre pessoas que não fazem parte do universo fitness.
Nesse movimento, categorias como barras proteicas deixaram de ser vistas apenas como suplemento esportivo e passaram a disputar espaço como snack cotidiano, principalmente entre consumidores que buscam praticidade, maior saciedade e alternativas para refeições intermediárias ao longo do dia.
O próprio avanço dos medicamentos da classe GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, ajudou a acelerar essa transformação. Com a redução do apetite causada pelas medicações, muitos consumidores passaram a priorizar alimentos com maior densidade nutricional e concentração proteica, criando uma demanda ainda maior por produtos práticos, equilibrados e com boa experiência sensorial.
Com o crescimento da categoria, textura passou a se tornar um dos principais desafios técnicos do segmento de barras proteicas. Apesar da alta demanda, muitos produtos ainda são associados a barras endurecidas, ressecadas e excessivamente densas depois de algum tempo na prateleira. Foi justamente olhando para esse comportamento que a Bendu decidiu desenvolver uma tecnologia própria para a fabricação da Soft Bar, apostando em uma proposta que unisse diferencial nutricional, experiência sensorial e consumo recorrente.
Fundada por Marcelo Azevedo, a empresa desenvolveu um processo próprio para fabricar barras proteicas mais macias e naturais, sem uso de xarope na composição. A tecnologia já conta com depósito de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e também passa por processo de patente internacional.
Segundo Marcelo, a principal diferença está justamente na forma de fabricação das barras. Enquanto grande parte dos produtos disponíveis no mercado utiliza processos de extrusão com xaropes para unir os ingredientes, a Bendu desenvolveu um sistema de prensagem próprio, criado em parceria com um fornecedor.
“A maior preocupação era criar uma barra que continuasse macia de verdade. Muitas barras acabam endurecendo depois de um tempo na prateleira por conta do processo industrial e do uso de xaropes. Queríamos justamente resolver esse problema”, afirma Marcelo Azevedo, fundador e CEO da Bendu.
Na prática, os ingredientes da Soft Bar são unidos sem uso de xarope. Depois da prensagem, a barra recebe cobertura de chocolate e mantém a textura original mesmo após meses de armazenamento.
“A barra apresenta praticamente a mesma textura com que sai da fábrica. Ela desmancha na boca, preserva frescor e continua macia mesmo depois de meses pronta”, explica o empresário.
A tecnologia foi desenvolvida justamente para preservar textura e experiência sensorial ao longo da validade do produto. Segundo a empresa, a barra consegue manter maciez mesmo após cerca de dez meses na prateleira.
A aposta acompanha uma mudança mais ampla do mercado de snacks saudáveis, que vem deixando de conversar apenas com atletas e praticantes de atividade física para entrar na rotina de consumo recorrente de diferentes perfis de consumidores. Nesse cenário, textura, indulgência e sabor passaram a ter peso semelhante ao diferencial nutricional.
“Durante muito tempo, produto saudável precisava quase justificar o sabor ruim. Hoje isso mudou completamente. O consumidor quer diferencial nutricional, mas também quer prazer e experiência”, afirma Marcelo.
A Bendu vende atualmente cerca de 400 mil unidades mensais da Soft Bar e registrou crescimento de 200% da linha no último ano. A empresa projeta faturamento de R$ 45 milhões em 2026 e prepara a expansão da operação industrial com uma nova fábrica capaz de quadruplicar a capacidade produtiva.

