
*Por Danniel Stehling Fernandes, advogado especialista em direito tributário, contratual e empresarial*
Você sabia que, em média, as empresas brasileiras destinam cerca de 34% do seu faturamento bruto ao pagamento de tributos? Em setores mais complexos, como o industrial, esse percentual pode ser ainda maior chegando a 40% ou mais. Para muitos empresários, esse número parece invisível até o fim do mês, quando a conta não fecha. Vende-se mais, trabalha-se mais e lucra-se cada vez menos.
A explicação, muitas vezes, está no coração da operação: a forma como os tributos são gerenciados, recolhidos ou pior desperdiçados.
Quando o lucro vai embora em silêncio
A drenagem de lucros causada pela má gestão tributária é silenciosa. Não explode como uma crise trabalhista ou uma ação judicial urgente, mas corrói o desempenho mês a mês, gerando o que chamo de “hemorragia financeira crônica”.
Os principais vilões?
- IRPJ e CSLL, que incidem diretamente sobre o lucro real ou presumido;
- PIS/COFINS, muitas vezes pagos com base em alíquotas incorretas ou com créditos ignorados;
- ICMS e ISS, frequentemente recolhidos em excesso por simples falhas de classificação tributária.
Os erros mais comuns e caros
O primeiro erro é a falta de planejamento tributário estratégico. Muitas empresas adotam um regime (Simples, Lucro Presumido ou Lucro Real) sem analisar se ele realmente é o mais vantajoso, dado o faturamento, a margem de lucro e o tipo de operação.
Outro erro recorrente está na não utilização de créditos tributários permitidos por lei, seja por desconhecimento, seja por medo de autuações. E há também a ausência de revisões periódicas, que permitiriam corrigir distorções e até recuperar valores pagos a mais e muitas vezes, retroativamente.
O empresário sente isso no caixa. É comum vermos empresas que aumentam o volume de vendas, mas não conseguem expandir suas margens. Pior: operam no limite, enquanto concorrentes mais estruturados tributariamente conseguem reinvestir, contratar ou inovar com mais agilidade. Ou seja, tributar mal não significa apenas pagar mais. Significa crescer menos!
É possível virar o jogo com segurança e estratégia
Reestruturar a gestão tributária não é uma medida emergencial, é uma estratégia de sobrevivência. E, mais do que isso, de inteligência empresarial.
Algumas das soluções que aplicamos com sucesso em clientes de diferentes segmentos incluem:
- Diagnóstico tributário completo, identificando riscos e oportunidades;
- Reenquadramento fiscal adequado ao perfil da empresa;
- Revisão de NCMs e aplicação correta de benefícios fiscais;
- Aproveitamento de créditos e compensações dentro da legalidade;
- Treinamento de equipes internas e construção de rotinas de compliance.
Essas ações não apenas otimizam o resultado financeiro, como também blindam juridicamente a empresa diante de fiscalizações e autuações. Lucro exige estratégia e não apenas venda.
É impossível falar de gestão financeira sem olhar para os tributos. A diferença entre um negócio saudável e um negócio sobrecarregado muitas vezes não está na quantidade de clientes, mas na qualidade da gestão fiscal. Posso afirmar com convicção: uma empresa bem orientada paga menos tributos, reduz riscos e lucra mais. E tudo isso de forma absolutamente legal.
Se você sente que sua empresa fatura, mas não respira, talvez seja hora de rever como o fisco participa da sua margem de lucro. Porque o maior sócio oculto de muitos negócios é o sistema tributário e ele cobra caro pela ineficiência.
Sobre
Danniel Stehling Fernandes é advogado com mais de 20 anos de experiência nas áreas cível, tributária e imobiliária. Bacharel em Direito e pós-graduado em Direito Tributário pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como diretor jurídico em diversas empresas, com forte atuação em contratos, planejamento tributário e contencioso judicial. É fundador da Danniel Stehling Fernandes Sociedade Individual de Advocacia, onde lidera projetos de consultoria e prevenção de litígios. Autor de livros voltados ao registro de imóveis, também é reconhecido por sua atuação estratégica em negociações com a Receita Federal e revisão de tributos.








