Economista alerta sobre consumo elevado e explica quando o consórcio pode ser alternativa mais segura ao financiamento
O aumento das compras típicas de novembro e dezembro tem pressionado o orçamento das famílias em um ano marcado por inadimplência elevada e crédito mais restrito. Dados atualizados da Serasa mostram que 71,9 milhões de brasileiros estão com contas em atraso, o equivalente a 43% da população adulta, com dívida média de R$ 4.318 por pessoa, principalmente em cartões, crédito bancário e contas básicas.
O economista e educador financeiro Leonardo Baldez Augusto, consultor empresarial e especialista em planejamento financeiro, fundador da empresa ISF Crédito Orientado, afirma que a concentração de gastos no fim do ano ocorre justamente quando o orçamento está mais vulnerável. “As famílias entram no ciclo de festas com consumo acelerado e dependência maior de crédito. Sem organização prévia, o risco é começar 2026 com compromissos acima da capacidade de pagamento”, observa.
Inflação de serviços e uso mais intenso do crédito ampliam a pressão
Relatórios do Banco Central mostram que serviços associados ao período, como restaurantes, lazer e cuidados pessoais, seguem registrando variações acima do índice geral de inflação ao longo de 2025. Essa combinação, somada ao aumento do uso do cartão de crédito e do parcelamento, contribui para a elevação do endividamento.
Baldez explica que o padrão de consumo sazonal se agrava quando a renda cresce pouco e os juros permanecem elevados. “O consumidor recorre ao crédito para manter o ritmo das compras. O problema aparece quando as parcelas se acumulam e reduzem o espaço para reorganizar o orçamento em janeiro, mês em que despesas obrigatórias como impostos e material escolar aumentam”, diz.
Consórcio ganha espaço como alternativa ao financiamento
Com financiamentos mais caros, o consórcio volta a ser considerado por consumidores que planejam adquirir bens de maior valor com menor impacto financeiro. De acordo com a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), o setor segue em expansão em 2025, ultrapassando 10 milhões de participantes ativos.
Para Baldez, a modalidade é considerada uma opção mais segura em cenários de orçamento apertado, desde que o consumidor não tenha urgência. “O financiamento atende quem precisa do bem imediatamente, mas tem um custo final muito maior por causa dos juros. No consórcio, o consumidor paga taxas administrativas menores e não sofre influência direta da taxa básica de juros. É uma estratégia adequada para quem está reorganizando a vida financeira e pode planejar a compra”, explica.
Ele reforça que o consumidor deve comparar o custo total da operação, e não apenas a parcela mensal. “No financiamento, os juros podem dobrar o valor final do bem. No consórcio, apesar da taxa administrativa, o impacto financeiro costuma ser muito menor.”
Renegociação cresce e reforça movimento de reorganização
A Serasa registrou aumento de 27% nos acordos de renegociação nas duas primeiras semanas de novembro em relação ao mesmo período de 2024, impulsionado pela proximidade do 13º salário e pelo interesse em iniciar 2026 com o CPF regularizado.
Para Baldez, o avanço das renegociações indica busca por previsibilidade. “Resolver pendências antes do ano virar diminui a pressão no início de janeiro, quando impostos e serviços reajustados comprimem o orçamento. Quem regulariza o CPF aumenta a capacidade de planejamento e tem mais chances de acessar crédito em condições melhores”, afirma.
O que esperar de 2026 para organizar o orçamento
Com a expectativa de inflação moderada e possível redução gradual da taxa de juros ao longo de 2026, segundo projeções do Boletim Focus, o cenário pode favorecer quem já inicia o ano com planejamento. Para o economista, o consórcio se destaca como alternativa segura em tempos de transição econômica. “Mais do que esperar por juros menores, o consumidor precisa construir previsibilidade. O consórcio oferece isso com disciplina e custo controlado, protegendo o orçamento mesmo em períodos de incerteza”, afirma.
A organização financeira feita ainda em 2025 pode ser decisiva para aproveitar oportunidades futuras sem recorrer ao crédito caro. “Quem entra em janeiro com reserva e compromissos sob controle tem mais margem para negociar, investir e realizar metas com segurança”, conclui Baldez.
O economista recomenda cinco atitudes financeiras para aplicar ainda em 2025
- Limitar compras parceladas ao orçamento realEvitar comprometer renda futura é essencial. “Se a parcela não cabe agora, não caberá depois”, diz Baldez.
- Estabelecer um teto de gastos para presentes, viagens e ceiasControlar despesas sazonais reduz a necessidade de recorrer ao crédito.
- Renegociar dívidas antes da virada do anoCiclos de renegociação podem contribuir para reduzir a inadimplência no início do ano seguinte, segundo boletins do Banco Central.
- Considerar o consórcio para compras planejadasIndicado para quem não precisa do bem imediatamente e busca previsibilidade e menor custo final.
- Destinar parte do 13º salário à reserva financeiraMesmo pequenas reservas ajudam a enfrentar os reajustes típicos de janeiro.








