Informações

Conteúdo científico tem mercado bilionário que ganha nova força com IA e plataformas digitais

2 Mins read

Produção cresce, modelos de negócio mudam e o conteúdo científico passa a operar como ativo estratégico dentro da economia digital

A produção científica deixou de viver apenas nas universidades. Em 2023, o Brasil publicou 156.800 artigos científicos, sendo 75% em acesso aberto e ficou em 10º lugar no ranking mundial de publicações segundo dados da Plataforma Sucupira da CAPES. Com a digitalização e o avanço da inteligência artificial, o setor deixa operar como um produtor de conhecimentos e inovações, e passa a ter características como mercado: gera receita, exige gestão especializada e cria novas frentes de monetização baseadas em dados, curadoria e serviços digitais.


O mercado global de publicações científicas e técnicas movimentou aproximadamente US$ 12,84 bilhões em 2024, estima-se que todo o mercado Digital Publishing global chegue a vultuosos US$186 bilhões. No Brasil, o setor editorial como um todo (incluindo livros didáticos, religiosos e de literatura geral) faturou R$ 4,2 bilhões em 2024, impulsionado pela adoção crescente de IA para acelerar revisões, traduções e distribuição de manuscritos. Entre 2023 e 2024, foram investidos R$ 26,3 bilhões em projetos da pasta de ciência e tecnologia provenientes do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), um montante recorde para o ministério, que antes era contingenciado, indicando um alinhamento mais forte entre ciência, tecnologia e economia.


Durante décadas, publicar um artigo era um processo lento e restrito a círculos acadêmicos. Hoje a dinâmica é outra. O relatório Panorama da Pesquisa 2024, apresentado pela CAPES em seu evento realizado no dia 15 de agosto, mostra que o Brasil produziu 6.304 estudos sobre inteligência artificial nos últimos cinco anos e avançou para a lista dos 20 países que mais publicam nesse campo. Um levantamento da Fundação Getúlio Vargas registrou 30% de crescimento na criação de conteúdo digital em 2024, com mais de 389 mil novas ocupações ligadas ao ecossistema digital. A ciência deixa o campo restrito da academia e passa a integrar o ecossistema profissional que impulsiona negócios e cria demanda por especialistas.

Para Rodrigo Manoel Maia, CFO e sócio de um grupo que representa mais de 40 editoras científicas com presença no Brasil, Estados Unidos, México, Colômbia, Peru, Portugal e Espanha, informação confiável se tornou ativo estratégico altamente relevante. Ele está na empresa desde 2004 e liderou a estrutura financeira e tributária que viabilizou a expansão internacional. “A ciência sempre caminhou ao lado da academia. Agora caminha também com finanças, tecnologia e governança global”, afirma.

Especialistas do setor avaliam que os próximos avanços devem vir da combinação entre plataformas tecnológicas, IA generativa e revisão por pares automatizada. Já existem estudos que preveem o impacto de um artigo antes mesmo de sua publicação e algumas universidades brasileiras testam modelos híbridos de avaliação com inteligência artificial. Esse movimento promete acelerar a produção científica, mas pede cautela: a tecnologia evolui rapidamente e exige base ética bem definida, além de critérios transparentes para garantir confiabilidade. “O mercado de conteúdo científico antes discreto começa a disputar espaço e em incontáveis casos a contribuir com edtechs, healthtechs e plataformas digitais. A ciência, mais do que nunca, é parte da relevante na economia”, conclui Maia.

Related posts
Informações

Rotina de trabalho faz 37% das mulheres adiarem compromissos de saúde, mostra Catho

2 Mins read
Levantamento realizado pela plataforma revela ainda que 11% estão há mais de dois anos sem realizar mamografia e evidencia os desafios do…
Informações

Foton iBlue conquista Selo de Maior Valor de Revenda entre caminhões elétricos

3 Mins read
A Foton recebeu o Prêmio e o Selo de Maior Valor de Revenda na categoria Veículos Comerciais Elétricos, concedidos pela Agência AutoInforme,…
Informações

Novo indicador revela setores que lideram ranking de intensidade de litigância na Justiça do Trabalho

3 Mins read
Levantamento inédito, que analisou mais de 5,04 milhões de novos processos, coloca o setor de refino de petróleo no topo da lista….