Imóveis

Crédito para 1,2 milhão de famílias, Selic em queda e acordo europeu destravam bilhões no setor imobiliário

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Análise do presidente do Sistema COFECI-CRECI, João Teodoro, indica que a perspectiva de queda dos juros e injeção da Caixa tendem a aumentar a demanda por imóveis no país. Isenção tarifária para maquinário importado da União Europeia minimizam a alta do INCC e abrem novo ciclo de lançamentos estruturais e oportunidades no setor de imóveis logísticos e industriais. O Observatório Imobiliário Brasileiro (OIB), plataforma de Big Data, reunirá dados reais de transações para qualificar análises e decisões no mercado.

O mercado imobiliário brasileiro entra em um ciclo inédito de expansão estrutural no primeiro trimestre de 2026. A sanção do acordo Mercosul-União Europeia, o corte da Selic projetado para 12,13% (Boletim Focus) e a injeção de R$ 250 bilhões pela Caixa Econômica Federal reconfiguram o Valor Geral de Vendas (VGV) nacional.

O presidente do Conselho Federal de Corretores de Imóveis, Sistema COFECI-CRECI, João Teodoro, analisa que a resposta imediata ao aquecimento econômico é a profissionalização do setor contínua e a análise de dados. O mercado prepara o lançamento do Observatório Imobiliário Brasileiro, inédito na América do Sul, que iniciou a coleta de dados este ano pela Fundação de Pesquisas e Estudos Socioeconômicos (FEPESE/UFSC). A plataforma completa estreia em novembro e o website deve ir ao ar em abril, trazendo informações técnicas do setor. A Big Data mapeará, entre os inúmeros índices, o déficit habitacional, a absorção de estoque e a viabilidade de projetos em tempo real.

“O cruzamento de dados do novo Observatório Imobiliário (OIB) dará segurança ao investidor nacional e ao internacional, impulsionado também pela recente abertura comercial com a Europa”, avalia Teodoro.

A injeção de R$ 13,6 bilhões em investimentos, projetados pelo tratado comercial (Governo Federal) com a UE recentemente, encontrará um setor pronto para expansão de lançamentos, conforme destaca João Teodoro. O tratado europeu corta a zero as tarifas de importação de insumos e maquinário pesado, o que pode minimizar a alta do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC). Para o presidente do Sistema COFECI-CRECI, a redução de custos operacionais deve destravar projetos de alto padrão e acelerar o desenvolvimento de galpões e negócios imobiliários nas áreas industrial e logística. A infraestrutura física de armazenagem precisa dar vazão ao volume de US$ 100 bilhões da corrente de comércio bilateral (Senado Federal).

“O tratado comercial elimina progressivamente as tarifas sobre 95% dos bens industriais europeus, barateando a aquisição de equipamentos pesados, geradores e sistemas automatizados. Como o impacto nos índices de custos de construção é, em grande parte, em função da mão de obra, a facilidade de entrada de maquinário de alta precisão pode reduzir a dependência de métodos construtivos artesanais e acelerar a adoção de obras modulares no país”, explica.  

Simultaneamente, o afrouxamento da política monetária impulsiona o financiamento. Estimativas (CBIC) apontam que cada 0,5 ponto percentual de queda na Selic qualifica 215 mil novas famílias para a tomada de crédito e consolida o volume de lançamentos amparada pela liberação de R$ 250 bilhões da Caixa Econômica Federal. O orçamento para o ano atende as faixas do programa Minha Casa, Minha Vida e impulsiona operações com recursos da poupança (SBPE). 

“Com essas projeções de órgãos oficiais, a curva de juros insere mais de 1,2 milhão de novos compradores no sistema bancário até dezembro. A liquidez de vendas encontra lastro no orçamento da Caixa para o ano. O fluxo de caixa nos canteiros, que serão balizados pelas diretrizes de Big Data do futuro Observatório Imobiliário, mitiga o risco de vacância e atrai cotistas institucionais para o mercado brasileiro além de oportunidades para o profissional corretor de imóveis”, analisa João Teodoro. 

O setor também passa por um processo de maior profissionalização. O Brasil ultrapassou recentemente a marca de 700 mil corretores de imóveis ativos, consolidando o segundo maior mercado do mundo em número de profissionais. “Hoje mais de 60% dos corretores possuem diploma de ensino superior, contra cerca de 14% há duas décadas. Isso reflete um mercado mais qualificado e preparado para lidar com decisões cada vez mais complexas”, afirma o presidente do COFECI.

A produção de inteligência de mercado baseada em dados também ganha espaço no setor. O Observatório Imobiliário Brasileiro (OIB) é uma criação do Sistema COFECI-CRECI em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), por meio da FEPESE, para estruturar uma base nacional de informações sobre transações imobiliárias. “A proposta é reduzir a assimetria de informação no setor e permitir análises mais precisas sobre o comportamento real do mercado”, explica Celso Raimundo, diretor do OIB.

Segundo ele, a plataforma reunirá dados de transações, crédito e precificação sob governança acadêmica e em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). “Quando o mercado passa a contar com informação estruturada e comparável, a tomada de decisão se torna mais racional e segura para investidores, incorporadoras e corretores”, afirma.

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