Recorde na abertura de negócios aumenta a pressão por gestão de processos, liderança de equipes e planejamento para sustentar a expansão
A economia brasileira cresceu 2,3% em 2025, segundo dados divulgados pelo IBGE em março deste ano, enquanto a abertura de pequenos negócios bateu recorde no primeiro bimestre de 2026, de acordo com o Sebrae. Os indicadores mostram um ambiente favorável para o empreendedorismo, mas também evidenciam um desafio que continua presente em milhares de empresas: transformar crescimento em uma operação organizada e sustentável.
Para Mayra Saitta, advogada, contabilista, empresária e fundadora do Grupo Saitta, ecossistema empresarial que integra contabilidade, advocacia, marketing e educação corporativa, a combinação entre gestão de processos e gestão de pessoas tornou-se um dos fatores mais importantes para garantir que o aumento da demanda não se transforme em perda de controle.
“Muitos empresários conseguem vender, conquistar clientes e expandir o faturamento, mas encontram dificuldades para estruturar a operação. Sem processos bem definidos e sem uma equipe alinhada, o crescimento acaba gerando retrabalho, falhas internas e dificuldade para manter a qualidade da entrega”, afirma.
Crescimento exige mais do que aumento das vendas
Segundo o Sebrae, mais de 1 milhão de pequenos negócios foram formalizados apenas nos dois primeiros meses de 2026, o melhor resultado da série histórica para o período.
Na avaliação da advogada, o entusiasmo de quem empreende muitas vezes está concentrado na geração de receita, enquanto aspectos ligados à organização da empresa e ao desenvolvimento das equipes ficam em segundo plano.
“Quando o negócio começa a crescer, surgem novas demandas, mais clientes, mais colaboradores e mais responsabilidades. Se não houver processos definidos e uma gestão eficiente das pessoas, a empresa passa a depender exclusivamente do empresário para funcionar, criando gargalos que limitam a expansão”, explica.
A especialista observa que problemas como atrasos, perda de informações, dificuldades de comunicação entre equipes, baixa produtividade e falta de indicadores costumam ter origem na ausência de uma estrutura operacional bem definida e de uma liderança capaz de engajar os profissionais envolvidos.
Gestão de processos e pessoas melhora produtividade e tomada de decisão
Embora o tema seja frequentemente associado a grandes corporações, a gestão de processos vem ganhando espaço entre pequenas e médias empresas que buscam aumentar eficiência e competitividade.
Segundo a contabilista, a organização dos fluxos internos, aliada ao desenvolvimento das equipes, permite que as atividades sejam executadas de forma mais previsível e reduz a dependência de ações centralizadas.
“A gestão de processos traz clareza sobre responsabilidades, prazos e objetivos. Já a gestão de pessoas garante que todos estejam comprometidos com esses resultados. Quando essas duas frentes caminham juntas, a produtividade aumenta, os desperdícios diminuem e as decisões passam a ser tomadas com base em informações concretas”, afirma.
Ela ressalta que a estruturação da operação também facilita a adaptação das empresas a períodos de crescimento acelerado ou mudanças econômicas.
Empresas mais organizadas estão mais preparadas para crescer
Para Mayra, o desafio das empresas não está apenas em conquistar novos clientes, mas em construir uma base capaz de sustentar esse avanço. “Gestão de processos não é burocracia. É uma ferramenta estratégica para quem quer crescer de forma organizada. Mas ela precisa caminhar ao lado da gestão de pessoas. Empresas que investem em controle operacional, desenvolvimento de equipes, padronização e acompanhamento de indicadores conseguem ter mais previsibilidade, reduzir riscos e criar condições reais para uma expansão sustentável”, conclui.








