Saúde

Do Prontuário à Pegada de Carbono: A Nova Missão dos Gestores de Saúde

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Artigo de Juliano Carboneri é Diretor da Unidade de Negócios – Data Center / Data Analytics / Cloud na Axians Brasil

Nos últimos anos, a saúde tornou-se um dos setores que mais investem em transformação digital. Hospitais, operadoras e seguradoras têm apostado em nuvem, IoT médica, telemedicina, analytics e inteligência artificial para ampliar o acesso, melhorar a gestão e tornar o cuidado mais preditivo. Segundo o Gartner, a conferência CIO & IT Executive 2025 destaca que inteligência artificial, engenharia clínica de alta performance e soluções sustentáveis estão moldando a nova geração da medicina. A TI não é mais suporte — é protagonista na entrega de valor e na viabilização de práticas ESG.

Mas, à medida que a infraestrutura digital cresce, cresce também algo menos visível — o impacto ambiental dessas operações.  E esse impacto não vem apenas dos grandes clusters de processamento. Quanto mais digital o cuidado se torna — do prontuário eletrônico à interoperabilidade entre sistemas — mais dados são gerados, armazenados e processados continuamente. Cada evolução assistencial baseada em dados carrega também uma consequência energética. Ou seja: o prontuário eletrônico foi a porta que abriu o caminho da eficiência clínica, mas também é ele que expõe a urgência de discutir eficiência ambiental.

Manter data centers 24 horas por dia, processar volumes crescentes de dados e renovar constantemente equipamentos consome energia e gera resíduos. A eficiência tecnológica, que antes era medida apenas em desempenho e custo, agora precisa incluir uma nova variável: a sustentabilidade.

É nesse ponto que o GreenOps ganha espaço. O termo — ainda recente fora do universo da tecnologia — nasce da evolução do FinOps, prática voltada ao controle e à governança de custos em nuvem. Enquanto o FinOps se concentra em otimizar gastos, o GreenOps adiciona uma dimensão essencial: avaliar e reduzir o impacto ambiental da infraestrutura de TI.

Na prática, isso significa usar tecnologia e automação para equilibrar custo, desempenho e emissões. Ajustar cargas de trabalho de forma dinâmica, eliminar recursos ociosos, migrar aplicações para regiões com matriz energética mais limpa e integrar métricas de carbono aos indicadores de gestão passam a ser decisões estratégicas — não apenas técnicas.

Essa governança amplia a maturidade digital do setor. Ao transformar dados de consumo e emissões em indicadores de negócio, o GreenOps permite que TI, finanças e sustentabilidade falem a mesma língua: a da eficiência responsável. E com a COP30 reacendendo o debate global sobre descarbonização, o tema se torna ainda mais urgente — não como tendência, mas como um novo padrão de operação.

ESG deixou de ser apenas uma pauta ambiental: tornou-se estratégia de negócios. Na área da saúde, CEOs, CIOs e gestores enfrentam uma virada silenciosa: práticas sustentáveis, como GreenOps, podem reduzir custos e riscos, fortalecer reputação institucional, habilitar novos modelos de financiamento e abrir espaço para inovação. O problema é que parte do setor ainda não percebeu a dimensão dessa oportunidade — enquanto algumas organizações já capturam valor real com TI mais eficiente e ética, outras continuam operando sem enxergar o impacto estratégico dessa agenda.

A transformação digital da saúde é irreversível. O que está em jogo agora é como sustentá-la de forma inteligente, eficiente e ambientalmente responsável. No fim, é simples: um setor que cuida da vida também precisa cuidar do planeta. E o GreenOps pode ser o elo que conecta esses dois compromissos.

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