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E se Powell sair do Fed?

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Bruno Corano
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O sucessor do presidente do Fed, o Banco Central norte-americano, Jerome Powell, já tem uma possível data para ser anunciado: dezembro deste ano ou janeiro de 2026. A informação é do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent.

O mandato de Powell vai até maio do ano que vem. Trump faz frequentes críticas ao presidente do Fed, em razão dos juros altos.

Há riscos associados à saída de Powell. Trump possui, de fato, o poder de demitir o presidente do Fed, mas essa é uma ação que pode desencadear sérias repercussões tanto legais quanto financeiras.

A independência do Federal Reserve é um pilar fundamental para a credibilidade da política monetária nos Estados Unidos. A demissão de Powell poderia ser interpretada como uma tentativa de interferência política, o que levantaria preocupações sobre a autonomia do banco central em sua missão de controlar a inflação e promover o emprego.

A tensão pode mexer com os mercados financeiros. Os investidores tendem a reagir negativamente a essa instabilidade, o que pode levar a flutuações abruptas nas taxas de juros e no valor do dólar. Uma mudança repentina na liderança poderia afetar a confiança do consumidor e dos investidores, e, consequentemente, o crescimento econômico. O poder de influência do Fed sobre as taxas de juros e a política monetária é crucial para a estabilidade econômica global, e qualquer alteração nesse cenário pode repercutir em outras economias.

Os índices de ações podem ver um declínio, especialmente se o mercado interpretar a demissão como um sinal de que o Fed pode mudar seu enfoque em relação à política monetária. A possibilidade de um aumento nas taxas de juros como resposta a uma eventual instabilidade política pode desestimular o investimento e aumentar o custo do crédito, criando um efeito dominó na economia.

Além das questões relacionadas à demissão de Powell, a política fiscal do governo também merece atenção. O aumento da dívida pública e a necessidade de estímulos econômicos em um cenário de recuperação pós-pandemia trazem desafios adicionais para a administração fiscal. A forma como o governo lida com a política fiscal pode influenciar diretamente o trabalho do Fed e suas decisões sobre a taxa de juros.

Os investidores devem ter em mente que investimentos em títulos de renda fixa podem se tornar mais atraentes, enquanto ações de setores que dependem de crédito podem enfrentar desafios.

Bruno Corano é economista da Corano Capital

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