Empregos

Efeito Copa deve gerar até 200 mil empregos temporários no Brasil

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Impulsionados pelo aumento de 71% no consumo, setores de varejo e logística lideram as vagas para abastecer centros de distribuição e o comércio de grandes capitais.

A proximidade da Copa do Mundo de 2026 acendeu os motores da economia brasileira e já provoca um forte impacto no mercado de trabalho nacional. Impulsionado pelo aumento do consumo durante o torneio esportivo, o chamado “efeito Copa” deve responder por 150 mil a 200 mil contratações temporárias no primeiro semestre deste ano, segundo estimativas da Associação Brasileira do Trabalho Temporário (Asserttem). O montante expressivo integra uma projeção ainda maior da entidade, que prevê a abertura de mais de 600 mil vagas temporárias no país para a primeira metade do ano.

Grandes eventos esportivos têm o poder de movimentar bilhões longe dos gramados. No Brasil, o fenômeno afeta diretamente desde o pequeno varejo até gigantes da logística. De acordo com uma pesquisa recente realizada pela Data-Makers, 71% dos brasileiros afirmam que aumentam o consumo de produtos e serviços no período do campeonato.

Essa injeção de demanda gera um efeito cascata na cadeia produtiva, obrigando empresas a acelerar entregas, ampliar estoques de última hora e reforçar o atendimento direto ao público. Para dar conta do recado sem inflar permanentemente os custos, o regime temporário virou a principal estratégia corporativa. Na área de logística, por exemplo, a consultoria Mendes Talent aponta que já foram abertas mais de 1.400 vagas focadas exclusivamente nas demandas da Copa ao longo de 2026.

Logística e varejo lideram as contratações

O mapa do emprego gerado pelo torneio se concentra fortemente em dois pilares: a movimentação de mercadorias e o comércio na ponta final.

Grandes centros logísticos e de distribuição situados em polos como Cajamar (SP), Jundiaí (SP) e Extrema (MG) concentram o maior volume de vagas voltadas ao abastecimento. Já nas grandes capitais, com destaque para São Paulo e Rio de Janeiro, o foco migra para o comércio de rua, shoppings e supermercados.

As funções com maior volume de contratação no momento são:

Logística e Produção: Auxiliar de logística, Auxiliar de estoque, Operador de produção e Auxiliar de serviços gerais.

Varejo e Atendimento: Repositor de mercadorias, Promotor de vendas, Atendente de loja e Supervisor comercial.

Para gerenciar essa massa de novos funcionários de forma ágil e segura, os departamentos de Recursos Humanos têm recorrido à tecnologia. A implementação de sistemas modernos de controle de ponto digital tornou-se indispensável para acompanhar as jornadas variáveis, turnos extras e garantir a conformidade trabalhista de milhares de contratos temporários ativos simultaneamente.

Canais de captação e processos seletivos

O processo de seleção e treinamento de pessoal foi antecipado por diversas companhias ainda nos primeiros meses do ano para garantir que as operações estejam consolidadas antes do início das partidas.

Atualmente, o recrutamento para essas posições ocorre de forma centralizada em plataformas digitais. As empresas têm utilizado ferramentas como Gupy, Catho, InfoJobs, LinkedIn e o Banco Nacional de Empregos (BNE), além dos canais oficiais de “Trabalhe Conosco” das redes varejistas e distribuidoras. Setores de RH apontam que grande parte das vagas operacionais e de apoio logístico são listadas pelas funções técnicas, sem necessariamente estampar o termo “temporário” no título principal dos anúncios.

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