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Eleições 2026: como a incerteza pode mudar o recrutamento e seleção nas empresas?

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Por Fernando Poziomczyk

Todo ano eleitoral costuma trazer um componente adicional de incerteza para as decisões empresariais. Em 2026, esse fator se soma a outras pressões, como as discussões sobre sustentabilidade fiscal e reforma tributária, a volatilidade das commodities, as condições das exportações e as tensões comerciais internacionais. Nesse ambiente, o impacto das eleições sobre recrutamento e seleção não deve ser associado a uma redução no número de contratações, mas a uma mudança na forma como as empresas avaliam quando, por que e para quê contratar. 

A pesquisa “Brazil 2026: Business Perception in an Electoral Year” ajuda a dimensionar esse cenário. O levantamento identificou um nível médio de preocupação de 3,87, em uma escala de 1 a 5, em relação aos impactos das eleições sobre o ambiente de negócios. Entre os principais pontos de atenção, aparecem política econômica, segurança jurídica, estabilidade regulatória, tributação e reforma tributária. 

É natural, portanto, que a cautela chegue também às decisões de pessoas. Afinal, o recrutamento é uma consequência da forma como a companhia enxerga o mercado. Empresas não contratam exclusivamente quando os negócios estão em expansão; elas também precisam reforçar determinadas posições, substituir profissionais ou preparar novas estruturas em momentos de dificuldade. Nesse sentido, o maior desafio aparece quando o negócio está lateralizado, e não há clareza sobre qual direção os resultados tomarão. 

Nesse contexto, processos seletivos que envolvam grandes mudanças ou aumento relevante de estrutura, são decisões delicadas que precisam de uma maior cautela.  Afinal, a lógica passa a ser menos “vamos contratar porque o cenário parece favorável” e mais “temos evidências suficientes de que essa posição é necessária, independentemente das incertezas que estão por vir?”. Isso não significa congelar o recrutamento, mas evitar decisões baseadas apenas em expectativas que ainda não podem ser confirmadas. 

Em um mercado no qual também existem demissões e layoffs, pode haver, simultaneamente, maior cuidado na escolha de uma nova posição, assim como uma maior disposição para buscar oportunidades. Não se trata de ter zelo em demasia em virtude das circunstâncias, mas de olhar com outros olhos o momento em si, pensando na carreira de cada um e em como continuar crescendo, frente às oportunidades oferecidas. 

Por isso, a visão do período eleitoral deve ser menos sobre interromper o recrutamento, e mais sobre qualificá-lo. Se há um executivo que não performa, por exemplo, não é necessário esperar o fim das votações para tomar uma decisão. Da mesma forma, se uma posição é essencial para uma transformação que a empresa precisa realizar, o calendário eleitoral não deveria, por si só, impedir o movimento. O ponto central é entender o que justifica cada decisão e qual é o grau de preparação da companhia para sustentá-la. 

Ainda, em vez de contratar apenas pensando no cenário atual, as empresas precisam considerar qual organização querem construir para 2027. O planejamento não pode depender de uma previsão precisa sobre o resultado eleitoral, porque ela não existe. Deve partir de cenários: quais competências serão necessárias, quais posições são críticas, quais mudanças são estruturais e quais dependem diretamente das condições econômicas que ainda serão conhecidas. 

É justamente nesse sentido que momentos de incerteza podem ser aproveitados para reorganizar a casa. Antes de ampliar estruturas, vale compreender a realidade financeira, operacional e estratégica da empresa, identificar onde estão os gargalos e preparar diferentes caminhos. Com essa postura, a incerteza pode se traduzir em decisões mais seguras de investimento, contratação e expansão ao longo de 2027. 

No fim, cada caso exige uma análise própria. O erro seria transformar o ano eleitoral em justificativa automática para contratar menos ou esperar a incerteza passar. A decisão mais consistente é aquela sustentada por necessidade real, planejamento e capacidade de adaptação. Afinal, o cenário pós-eleitoral permitirá às empresas reorganizarem suas estratégias diante de condições mais concretas — e aquelas que tiverem usado este período para entender melhor o negócio e preparar suas estruturas, estarão mais prontas para agir. Até porque, o caos também traz mudança e evolução. 

Fernando Poziomczyk é sócio da Wide Executive Search, boutique de recrutamento executivo focado em posições de alta e média gestão.  

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