Empreender

Empreender não é um salto no escuro: o que aprendi começando com R$ 600

2 Mins read

*Por Edson Alves

Muita gente olha para quem empreende e pensa que foi um ato de coragem pura. Que um belo dia a pessoa acordou, pediu demissão e saiu pelo mundo abrindo negócios. Como se fosse um salto no escuro.

Não é bem assim.

Pelo menos não foi comigo.

Em 2010, meu salário era R$ 600 por mês. Trabalhava lavando pratos no restaurante da universidade para pagar a faculdade. Era o que eu tinha para sobreviver. Até que um professor me fez uma proposta: dar aula quinzenalmente. Seis horas por mês. Pagamento? O mesmo valor que eu ganhava trabalhando o mês inteiro.

Na hora eu pensei: trabalho trinta dias para ganhar 600 reais, ou trabalho seis horas por mês para ganhar o mesmo valor?

Fiz a troca.

E foi aí que muita gente acha que começa a parte romântica da história. Mas não. Eu ainda não tinha resolvido minha vida financeira. A diferença é que deixei de me preocupar com a sobrevivência imediata. Peguei aquelas aulas, saí do emprego que não queria, e comecei a focar no que realmente importava: construir algo meu.

Foi assim que a Ikatec começou. Do zero. Sem dinheiro guardado, sem investidor, sem escritório bonito.

O que pouca gente percebe é que essa transição não foi um salto. Foi um movimento calculado. Eu troquei um trabalho que me consumia por outro que me dava duas coisas essenciais: tempo e autonomia. Não foi coragem pura. Foi estratégia.

Muitas pessoas me perguntam se devem pedir demissão e sair empreendendo do nada. Minha resposta é sempre a mesma: não seja radical. Não faça loucuras.

Se você tem família, filhos, contas para pagar, a última coisa que deve fazer é pular no escuro sem um plano. O caminho inteligente é outro: reduza riscos. Use o que você já tem. Se está empregado, use o tempo extra para construir algo paralelo. Crie uma fonte de renda adicional que diminua a dependência do salário fixo. E só quando essa fonte começar a dar tração, você faz a transição.

O que eu fiz lá atrás foi exatamente isso. Troquei um emprego ruim por outro que me pagava o mesmo, mas me dava tempo. E com esse tempo, construí.

Hoje, olhando para trás, vejo que o maior erro que alguém pode cometer não é errar no negócio. É nunca começar por medo de errar. E o maior acerto não é acertar de primeira. É acertar na estratégia de transição.

Empreender não é sobre ter coragem para pular. É sobre ter clareza para planejar o próximo degrau. E às vezes o próximo degrau não é um grande negócio. É uma troca simples que te dá fôlego para continuar.

Related posts
Empreender

BORSATTI: Empresário brasileiro faz sucesso nos Estados Unidos no ramo da construção civil

2 Mins read
O empresário brasileiro Bruno Borsatti vem ganhando destaque na comunidade de empreendedores da construção civil nos Estados Unidos como um dos fundadores…
Empreender

Empreendedora multiplica faturamento em 35 vezes com chips de banana

4 Mins read
Após enfrentar dívidas e recomeços, empreendedora estruturou o negócio e hoje fatura cerca de R$ 24 mil por mês. A empreendedora Vanuza…
EmpreenderTecnologia

IA ainda é cara demais para empreendedores brasileiros, aponta pesquisa da Hostgator

2 Mins read
Levantamento mostra que barreiras operacionais e falta de capacitação dificultam implementação da tecnologia nas empresas Embora muito se fale sobre o uso…