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Empresário aponta cinco dicas para mulheres que querem construir carreira no mercado jurídico

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Capacitação voltada às atividades operacionais do Direito surge como alternativa de inserção profissional e estratégia de desenvolvimento para empresas e escritórios

Mulheres já são maioria entre os estudantes de Direito no Brasil, mas a transição da formação acadêmica para o mercado ainda apresenta desafios. Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsáveis pelo Censo da Educação Superior, indicam que elas representam mais de 60% dos concluintes dos cursos da área no país.

Ao mesmo tempo, levantamento do Conselho Federal da OAB mostra que a presença feminina na advocacia brasileira cresce de forma contínua e já se aproxima da metade dos profissionais inscritos.

Anderson Silva, advogado, empreendedor, fundador da A2 Paralegal e do projeto educacional Desenvolvimento Para Todos de imersões e mentorias, com a iniciativa Paralegal Para Todos de formação profissional na área de serviços jurídicos, afirma que a formação prática voltada às atividades operacionais do setor tem se consolidado como uma porta de entrada relevante para mulheres que buscam inserção profissional ou reposicionamento de carreira. “Existe uma distância entre a formação acadêmica e o funcionamento real das operações jurídicas. Quando a profissional entende como funcionam registros, documentação e rotinas operacionais, ela consegue se posicionar com mais rapidez no mercado”, afirma.

Funções ligadas ao suporte técnico e operacional do Direito têm ganhado espaço dentro de escritórios de advocacia e departamentos jurídicos de empresas. Essas atividades envolvem, por exemplo, organização societária, registros e regularização empresarial e imobiliária, acompanhamento de processos administrativos e análise documental.

Em mercados jurídicos mais maduros, essa divisão de tarefas já está consolidada dentro da estrutura das operações jurídicas, com profissionais especializados em suporte técnico e operacional atuando ao lado dos advogados responsáveis pela estratégia jurídica.

Nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e outros países, essa função é exercida pelos paralegais, uma profissão estruturada e reconhecida dentro de escritórios de advocacia, de contabilidade e departamentos jurídicos corporativos. Esses profissionais atuam na organização de processos, na preparação de documentação, no acompanhamento de registros e no apoio à execução de demandas legais tanto no âmbito consultivo empresarial quanto no contencioso.

Além de contribuir para a eficiência das operações jurídicas, a atividade também se destaca pela capacidade de gerar oportunidades de trabalho com menor barreira de entrada, já que não exige necessariamente diploma ou matrícula em curso superior, podendo representar o primeiro passo para quem posteriormente deseja ingressar em um curso superior, inclusive na área jurídica, ou seguir carreira em áreas técnicas do setor.

No Brasil, embora a profissão de paralegal ainda seja pouco conhecida, o modelo começa a ganhar espaço à medida que empresas e escritórios buscam mais eficiência, organização e especialização na gestão das operações jurídicas. 

Esse movimento também se reflete no surgimento de empresas especializadas, na criação de áreas dedicadas dentro de companhias multinacionais e na ampliação desse tipo de função em escritórios de advocacia e contabilidade.

De acordo com o especialista, a formação voltada para essas funções cria oportunidades principalmente para mulheres que estão saindo da faculdade, aguardando aprovação no exame da OAB ou buscando uma nova posição dentro do mercado de trabalho. “Muitas profissionais concluem a graduação sem clareza sobre como iniciar a carreira. Quando elas compreendem como funciona a estrutura por trás de escritórios e empresas, passam a enxergar novos caminhos de atuação”, diz.

O impacto também aparece na estrutura das organizações. Escritórios e departamentos jurídicos que contam com profissionais preparados para lidar com atividades operacionais conseguem organizar melhor os fluxos de trabalho e direcionar advogados para tarefas estratégicas. “A presença de pessoas capacitadas para a execução das rotinas jurídicas melhora a eficiência da operação e reduz retrabalho”, destaca.

O tema ganha relevância em meio às discussões sobre participação feminina no mercado de trabalho, impulsionadas pelo Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março.

Para o especialista, ampliar o acesso à formação prática no Direito também tem impacto econômico, já que facilita a entrada de novas profissionais em um setor historicamente competitivo. “A formação prática ajuda a encurtar o caminho entre a universidade e o mercado. Quando mais mulheres conseguem acessar essas oportunidades, o setor jurídico se torna mais diverso e mais eficiente”, explica.

Ele também observa que muitas profissionais utilizam a capacitação como etapa de desenvolvimento enquanto aguardam aprovação no exame da OAB ou avaliam qual área jurídica seguir. “O contato com a prática permite entender melhor o funcionamento do mercado e ajuda a tomar decisões de carreira mais conscientes”, diz.

O especialista aponta cinco dicas para mulheres que desejam iniciar carreira no mercado jurídico por meio da formação prática

A escolha de cursos e programas de capacitação pode influenciar diretamente na velocidade de inserção profissional. Antes de iniciar esse caminho, alguns critérios ajudam a evitar escolhas equivocadas e aumentam as chances de crescimento na carreira.

  • Buscar formação com aplicação prática

Programas que apresentam rotinas reais do mercado jurídico tendem a preparar melhor quem está começando. Simulações de processos, análise de documentos e estudos de caso aproximam o aluno das atividades que encontrará no dia a dia profissional.

“Quando o aprendizado envolve prática, a adaptação ao mercado acontece de forma muito mais rápida”, afirma.

  • Verificar a experiência de quem oferece a formação

Outro ponto importante é avaliar se o curso ou programa educacional é conduzido por profissionais que atuam diretamente no mercado jurídico. Experiência prática costuma trazer conteúdos mais alinhados com as demandas reais das empresas.

“Quem ensina precisa conhecer a rotina do setor. Isso garante que o conteúdo tenha aplicação direta no trabalho”, diz.

  • Entender as áreas de atuação possíveis

O mercado jurídico possui diferentes frentes de atuação, desde registros empresariais e área societária até gestão documental e apoio administrativo em departamentos jurídicos. Conhecer essas possibilidades ajuda a direcionar a carreira desde o início.

“Muitas pessoas entram no Direito pensando apenas na advocacia tradicional, mas o setor possui várias funções estratégicas”, afirma.

  • Avaliar se o programa oferece orientação de carreira

Formações que apresentam caminhos profissionais e ajudam o aluno a entender as demandas do mercado tendem a facilitar a inserção profissional. Orientação e direcionamento reduzem a insegurança típica do início da carreira.

“O profissional precisa saber onde aplicar o conhecimento que está adquirindo”, explica.

  • Desenvolver habilidades comportamentais

Organização, comunicação e capacidade de análise são habilidades cada vez mais valorizadas em funções operacionais do Direito. Essas competências ajudam a lidar com a rotina de documentação, prazos e interação com diferentes áreas dentro das empresas. “O mercado jurídico valoriza cada vez mais profissionais que conseguem combinar conhecimento técnico com capacidade de organização e comunicação”, afirma.

Para Anderson Silva, o crescimento de formações voltadas à prática jurídica tende a ampliar a presença feminina em diferentes áreas do setor. Ele acredita que iniciativas educacionais focadas em execução e desenvolvimento profissional podem contribuir para tornar o mercado mais acessível e estruturado. “O Direito continua sendo uma das carreiras mais procuradas no país. Quando surgem caminhos mais claros de formação e entrada no mercado, mais profissionais conseguem transformar essa formação em oportunidade real de trabalho”, afirma.

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