Busca por receita em dólar, diversificação patrimonial e novas oportunidades muda o perfil dos brasileiros que investem no mercado americano
Os EUA encerraram 2025 com US$ 5,86 trilhões em estoque de investimento direto estrangeiro, avanço de 4,8% em um ano, segundo o Bureau of Economic Analysis. Entre os brasileiros, nove empresas anunciaram projetos no país nos primeiros cinco meses de 2025, segundo a Confederação Nacional da Indústria. A busca por receita em dólar e diversificação de ativos também passou a orientar a decisão, enquanto a residência aparece como uma possibilidade posterior.
Franco Scornavacca, conhecido nacionalmente como Kiko do KLB, empresário e especialista em expansão de negócios nos Estados Unidos, é fundador da MD1 Nexus, empresa especializada em aceleração empresarial, conexões estratégicas e acesso a oportunidades globais. Com mais de três décadas de atuação entre os dois países, ele identifica uma mudança na motivação dos investidores.
“Antes, muitas conversas começavam com a intenção de morar fora. Hoje, o empresário quer entender onde estão as oportunidades, como proteger parte do patrimônio e qual operação pode produzir receita em dólar. A residência continua relevante, mas deixou de ser a única força por trás da escolha”, afirma.
Capital segue a oportunidade
A posição brasileira de investimento direto no exterior chegou a US$ 504 bilhões ao final de 2024, equivalente a 50,9% dos ativos externos do país é superior às reservas internacionais, que somavam US$336,2 bilhões, segundo o Banco Central. A estatística reúne participações com poder de voto igual ou superior a 10%, condição associada à influência sobre a estratégia e a gestão da organização investida.
Na prática, a entrada pode ocorrer pela criação de uma operação, pela compra de uma companhia em atividade ou pela participação em um negócio local. Cada caminho exige uma análise diferente. Começar do zero amplia a liberdade para definir processos e posicionamento, mas demanda tempo para formar equipe, conquistar clientes e construir uma rede de fornecedores. Uma aquisição oferece estruturas já estabelecidas, embora também possa carregar passivos, contratos frágeis e dependência do antigo proprietário.
Para o fundador da MD1 Nexus, a sequência das decisões é o ponto central do planejamento. “O investimento precisa nascer de uma oportunidade empresarial concreta. A estrutura migratória deve atender às necessidades do projeto, e não servir de justificativa para realizá-lo. Essa lógica também vale para operações menores: o ativo precisa fazer sentido antes de qualquer expectativa relacionada ao visto”, ressalta Scornavacca.
Escolha exige operação antes de endereço
A localização costuma ocupar boa parte da conversa inicial, mas não deve anteceder a definição do que o empresário pretende construir. O estado e a cidade precisam ser escolhidos conforme o público, a disponibilidade de profissionais, os custos, as regras locais e a proximidade de parceiros. Uma região conhecida pelos brasileiros pode oferecer familiaridade, mas não necessariamente reúne as melhores condições para todos os setores.
O prazo também interfere na escolha. Há projetos voltados à geração de caixa, outros à valorização patrimonial e aqueles que buscam ampliar uma atividade já mantida no Brasil. Misturar objetivos pode levar o investidor a cobrar retorno imediato de uma operação que precisa de maturação ou manter recursos por tempo demais em um ativo sem liquidez.
Na aquisição de uma empresa, a avaliação deve alcançar contratos, passivos, fluxo de caixa, equipe, carteira de clientes e dependência do antigo proprietário. No caso de um imóvel, entram na conta a demanda local, os custos de manutenção, os impostos, as regras de locação e o retorno líquido. “Comprar um ativo no exterior sem entender como ele gera dinheiro pode apenas transferir o risco de um país para outro. A diversificação funciona quando existe uma tese clara para a escolha”, aponta o especialista.
Visto não substitui estratégia
A aquisição de uma propriedade ou de uma companhia não concede automaticamente o direito de morar nos Estados Unidos. As categorias migratórias possuem requisitos próprios, relacionados ao perfil do candidato, à origem dos recursos, à estrutura do projeto e, em determinadas modalidades, à criação de empregos. O Departamento de Estado americano informa que os vistos destinados a investidores imigrantes estão vinculados à aplicação de capital em novos empreendimentos comerciais que beneficiem a economia local. As possibilidades precisam ser avaliadas separadamente por profissionais habilitados.
Na MD1 Nexus, a atuação está concentrada na conexão de empresários com oportunidades, parceiros e ecossistemas capazes de apoiar cada etapa da operação. “Quando o investimento é consistente, o visto pode integrar o planejamento. Inverter essa ordem aumenta a chance de uma decisão cara e difícil de sustentar”, conclui o fundador da empresa.








