Informações

Empresários defendem fim da escala 6×1 em audiências públicas na Câmara e apontam aumento de produtividade e redução de custos

2 Mins read

A empresária Isabela Raposeiras, referência no setor de alimentos e bebidas, apresentou dados e experiências de empresas que já operam em modelos alternativos ao 6×1

Debates realizados nesta semana na Câmara dos Deputados, em Brasília, sobre o fim da escala 6×1 têm ampliado a participação do setor empresarial na discussão sobre a jornada de trabalho no Brasil. Durante as audiências públicas promovidas nesta segunda (18) e terça-feira (19), empresários defenderam mudanças no modelo atual e apresentaram experiências práticas que associam jornadas mais equilibradas ao aumento da produtividade, redução da rotatividade e melhora nos resultados financeiros das empresas.

Entre os destaques das discussões esteve a participação da empresária Isabela Raposeiras, referência no setor de alimentos e bebidas, que apresentou dados e experiências de empresas que já operam em modelos alternativos ao 6×1. Segundo ela, negócios dos setores de comércio, varejo e serviços vêm registrando resultados positivos após a adoção de escalas como 5×2.

“Todas as empresas que eu represento que já estão atuando em escalas diferentes no varejo de alimentos e bebidas, no comércio e no serviço vêm mostrando uma diminuição dos custos de rescisões, de rotatividade e do absenteísmo, que podem representar até 12% do custo de mão de obra e da folha de pagamento”, afirmou durante a audiência.

A empresária também destacou que o trabalhador deve ser entendido como um ativo estratégico para as empresas. “Nós estamos ganhando nosso dinheiro às custas do trabalho das pessoas. Isso não é necessariamente ruim, mas a gente tem que cuidar do nosso principal ativo, e o nosso principal ativo é o trabalhador”, declarou. Segundo Isabela, empresas que adotaram jornadas mais equilibradas observaram crescimento operacional e financeiro. “A produtividade aumentou em todos os casos. Portanto, a gente vendeu mais, perdeu menos e teve resultados muito melhores”, complementou. 

Outro ponto enfatizado durante os debates foi a alta rotatividade no mercado de trabalho brasileiro. De acordo com Isabela Raposeiras, a média nacional chega a 56%, gerando custos significativos para as empresas. “As empresas atualmente têm entre 8% e 12% da folha de pagamento comprometidos com a rotatividade”, explicou a empresária.

Para ela, jornadas mais humanas não significam perda de eficiência, mas sim melhoria de desempenho. “Trabalhadores descansados conseguem, em um horário menor, fazer a mesma coisa que faziam em um horário estendido quando estavam cansados, ou até mais, porque erram menos e estão mais dispostos também”, afirmou.

As audiências públicas acontecem em meio ao crescimento da campanha nacional “O Brasil Quer Mais Tempo”, mobilização que vem reunindo trabalhadores, movimentos sociais, parlamentares e empresários em defesa do fim da escala 6×1. Nas últimas semanas, mais de 9 mil empresários aderiram publicamente ao manifesto da campanha por meio da plataforma brasilquermaistempo.com.br/empresas.

A iniciativa busca justamente combater a narrativa de que o setor produtivo seria contrário à mudança. Empresários de áreas como alimentação, RH, advocacia, seguros e gestão de serviços vêm relatando experiências positivas com jornadas mais flexíveis, apontando ganhos de produtividade, redução da rotatividade e melhora no clima organizacional.

A campanha defende que o debate sobre a escala 6×1 vai além da jornada de trabalho e envolve temas como saúde mental, convivência familiar, produtividade sustentável e qualidade de vida. Para os organizadores, o apoio crescente de empresários reforça que a mudança já é vista por parte do mercado como um caminho viável e alinhado às novas relações de trabalho.

Para mais informações sobre como fazer parte da mobilização, acesse o site da campanha “O Brasil Quer Mais Tempo”:  www.brasilquermaistempo.com.br. 

Related posts
Informações

Matéria-prima usada em roupas fitness, biquínis e lingerie sobe quase 50% em 2026

3 Mins read
Valorização da caprolactama em 2026 já se reflete nas cotações internacionais dos fios. Tecnologias apresentadas pela CTM na ONDM mostram alternativas para…
Informações

Após derrota de Flávio Bolsonaro, busca por cidadania espanhola cresce 743% no dia seguinte à eleição

1 Mins read
Apenas 24 horas após os resultados, a busca por informações sobre vistos aumentou de 94 para 418 chamados na assessoria especializada Espanha…
Informações

Concessões de R$ 102,7 bilhões abrem caminho para digitalização das rodovias

3 Mins read
Carteira prevista para 2027 amplia espaço para modelagem de projetos, simulações e drones no planejamento e na execução de obras, avalia Autodesk…